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Quarto em 96, Meligeni escreve carta em apoio a Hugo Calderano: 'Vivemos em um país duro com resultados'

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Hugo Calderano sofre contra Lebrun, perde por 4 sets a 0 e dá adeus ao sonho do bronze no tênis de mesa nas Olimpíadas (1:31)

Parciais dos sets foram 11-6, 12-10, 11-7 e 11-6 (1:31)

Hugo Calderano vem recebendo apoio de grandes nomes do esporte brasileiro após perder a disputa pela medalha de bronze no tênis de mesa nas Olimpíadas. Em suas redes sociais, o ex-tenista Fernando Meligeni foi um a fazer coro.

Quarto colocado no tênis masculino em Atlanta, em 1996, o 'Fininho' vivenciou exatamente a mesma sensação de Calderano: bater na trave em uma modalidade que o Brasil nunca tinha conquistado uma medalha.

Em seu perfil no Instagram, o ex-tenista escreveu um relato sobre o que viveu quando perdeu a medalha, recebendo apoio dos colegas já dentro da Vila Olímpica.

Além disso, fez crítica à forma como as derrotas são tratadas no Brasil, mandando apoio ao mesatenista.

Veja a carta escrita por Fernando Meligeni em suas redes sociais:

Assisti ao jogo e sofri horrores. Por momentos, me vi dentro da quadra jogando.

Infelizmente, não te conheço ainda, mas já me sinto muito próximo. Alguns podem pensar que é na tristeza; eu digo que é na luta, na atitude e na tentativa até o último ponto. Quando fui quarto lugar em Atlanta, vi meu mundo desabar por alguns minutos. Lembro do andar até o vestiário; era como se eu estivesse empurrando milhões de correntes e carregando pedras nas costas. Não conseguia levantar a cabeça. Nunca chorei tanto.

Quando cheguei na sala de jogadores, vi pessoas me olhando com admiração. Por segundos, pensei: por quê? Sou um loser.

O ônibus até voltar à vila demorava quase 40 minutos. Não falei, não levantei a cabeça. Precisava entender.

Quando encontrei o Robert na vila, entendi o que tinha feito, o quão importante tinha sido, mesmo na derrota.

Vivemos em um país duro com resultados. Até injusto. Enquanto estamos vencendo, somos deuses; ao perder, nos esquecem. Mas nós é que temos que ter claro quem somos. E você é enorme.

No meu caso, não tive uma segunda chance nas Olimpíadas. Você pode ter. E terá.

Hugo, você fez história; você fez milhões de pessoas olharem o tênis de mesa de forma diferente. Você representou seu esporte e país. Sinta orgulho.

Parabéns, ídolo.