Ensurdecedor. Se você não estava entre os mais de 30 mil torcedores presentes ao Stade de la Beaujoire que aplaudiam, berravam e vaiavam com uma intensidade incrível, provavelmente estaria incomodado. Um jogo de quartas de final de Jogos Olímpicos com a seleção nacional era tudo o que os franceses em Nantes queriam.
O Brasil teve sua maior prova de fogo sob o comando de Arthur Elias. Tentar eliminar a França, anfitriã da Olimpíada, e com retrospecto completamente desfavorável (12 jogos, zero derrota das francesas) seria um trabalho e tanto.
Ainda mais sem Marta. Suspensa por causa da expulsão diante da Espanha, a Rainha estava presente na tribuna do estádio e só poderia torcer. E como torceu...
Quando o Brasil subiu a campo para o aquecimento, a torcida aplaudiu. Quando Marta apareceu no telão, a torcida aplaudiu. Depois desses momentos, esqueçam qualquer tipo de outro afago: virou "guerra".
Foram 90 minutos de jogo além de mais 26 minutos de acréscimos somados. De bola rolando, apenas 48 minutos desses 116.
A seleção canarinho soube "cozinhar" o jogo. Usou da catimba com a goleira Lorena, com os laterais demoraaados para serem cobrados, nos tiros de meta... Mas as jogadoras souberam também atuar. E que atuação!
Pênalti no começo do jogo? Lorena mais uma vez mostrou por que é a melhor goleira da Olimpíada. "Eu estou muito feliz de poder estar contribuindo, não sei se estou no meu melhor momento, mas eu estou dando a vida em todos os jogos", disse na humildade a goleira.
Tarciane "entrou na mente" das rivais e também dos torcedores franceses, peitando quando era necessário, gritando a cada disputa ganha e em êxtase com a classificação.
"Muito emocionante, é um dos momentos mais importantes da minha vida, por tudo o que passamos aqui na competição. Só nós sabemos o quanto tudo aqui era importante, principalmente o jogo de hoje, elas jogando em casa. Estou muito emocionada, estou sem acreditar", falou a zagueira.
Uma vitória maiúscula da seleção brasileira. A maior em anos para o futebol feminino em um jogo deste tamanho.
Assim que o apito final soou, uma ensurdecedora vaia ecoou pelo estádio em Nantes. O Brasil? Nem ligou. A comemoração durou vários minutos ainda no campo, "coroas" foram feitas pelas atletas na direção de Marta, que chorava da arquibancada, e o vestiário também virou uma grande festa.
Uma noite inesquecível para o Brasil em Nantes. Agora sonhando com outro momento assim em Marselha para voltar a uma final olímpica depois de 16 anos. A Espanha, novamente adversária, é a seleção a ser batida na Olimpíada, mas...
"É um outro jogo. É semifinal, não é mais fase de grupos", definiu Lorena.
"Vamos por mais. Temos revanche contra a Espanha, então vamos com tudo. A gente vai em busca desse pódio e dessa medalha de ouro", garantiu Gabi Portilho.
