Hugo Calderano perdeu para o sueco Truls Moregard na semifinal do tênis de mesa masculino e vai disputar o bronze nas Olimpíadas de Paris. O brasileiro, que já faz a melhor campanha do país na modalidade, vai enfrentar o francês Félix Lebrun, grande fenômeno do esporte de apenas 17 anos.
A partida poderia ter um sabor especial para Calderano porque em março desse ano, a federação internacional do tênis mesa (ITTF) acatou um pedido da confederação europeia (ETTU), encabeçado por França e Portugal, e mudou os critérios para a classificação olímpica. Com isso, o brasileiro de 28 anos foi prejudicado e o francês, beneficiado.
Dessa forma, Lebrun acabou terminando a corrida como 3º cabeça de chave e Calderano em 4º. Dois chineses ocuparam os dois primeiros lugares e não foram muito impactados pela mudança. Agora, o brasileiro e o francês vão se enfrentar na mesa pela medalha de bronze, que pode ser a primeira do Brasil e apenas a 2ª para a França no individual.
Mesmo os dois mesa-tenistas brigando para ser o melhor atleta não chinês do ranking mundial e se já se enfrentaram quatro vezes no circuito, com duas vitórias para cada. No entanto, Hugo Calderano negou um clima de revanche com Félix Lebrun mesmo com esse “tapetão” no ranking.
“Ele não teve nada a ver com isso. Foi uma mudança política. A motivação seria a mesma (contra outro adversário) para buscar essa medalha inédita para o Brasil.”
A “virada de mesa” na corrida olímpica aconteceu quando as federações francesa e portuguesa propuseram aumentar o número de semanas da corrida olímpica. Antes de março deste ano e dessa mudança, valeriam apenas os 8 melhores resultados dos atletas nas 52 semanas anteriores ao dia 16 de julho de 2024, data que fechava o ranking olímpico e definia os cabeças de chave.
Então, a ITTF aceitou o pedido da ETTU de aumentar para 78 semanas. Dessa forma, Lebrun conseguiu “trocar” um resultado ruim no início de 2024 por um título que conquistou em julho do ano passado, que não estava no prazo original. Assim, do dia para noite, ele passou o brasileiro no ranking.
“Claro, foi uma mudança chata, mas não fez muita diferença porque ele ficou em terceiro e eu fiquei em quarto, então, o sorteio dos cabeças de chave ficou igual.”, concluiu Calderano.
Nas Olimpíadas, a definição dos cabeças de chave é muito importante porque se Hugo ficasse em quinto, por exemplo, ele poderia encarar um chinês, que sempre é favorito, antes da semifinal.
Hugo Calderano vai enfrentar o francês Félix Lebrun na disputa pela medalha de bronze neste domingo (04), às 08h30 da manhã, no horário de Brasília.
