Rafael Macedo ficou perto de conquistar mais uma medalha para o Brasil no judô nas Olimpíadas de Paris 2024 nesta quarta-feira (31). Ele acabou desclassificado nos instantes finais do combate que valia o bronze no peso médio masculino contra o francês Maxime-Gael Ngayap Hambou.
O motivo da punição que resultou na derrota de Rafael Macedo gerou muitas dúvidas, já que nem mesmo a súmula oficial do combate detalhou qual foi o shido aplicado pela arbitragem.
No duelo com o francês, que havia sido derrotado na semifinal para o japonês Sanshiro Murao (medalhista de prata), Macedo ficou pendurado com punições no placar em menos de dois minutos. O mesmo, no entanto, aconteceu com Hambou, que também recebeu dois shidos.
A igualdade seguiu até os segundos finais, quando Macedo buscou um golpe, conseguiu derrubar o francês, mas sem a pontuação de wazari que lhe daria a vitória. No solo, o brasileiro tentou envolver a cabeça do rival com as pernas, mas acabou sendo punido novamente e, consequentemente, derrotado.
A decisão do árbitro gerou muitos questionamentos, inclusive, do técnico de Macedo, Kiko Pereira, que se revoltou com a marcação em entrevista à TV Globo. “É uma vergonha, até agora eu não entendi. Alguém entendeu?”, desabafou ele, em tom parecido ao de ex-atletas.
"Não respeito nenhum pouco, é uma palhaçada. O judô tem que ser revisto, essas regras estão estragando o judô, é uma palhaçada. (Rafael) Lutou demais hoje, estava melhor na luta, acaba saindo por causa de uma regra estúpida", disse Flávio Canto, na Cazé TV.
A regra em questão foi explicada posteriormente por Marcelo Theotonio, chefe de equipe do judô brasileiro em Paris. A decisão chegou a ser questionada oficialmente, mas a explicação dos juízes convenceu o time verde e amarelo.
“Realmente ficou confuso, não entendemos a punição. Inicialmente, entendemos que ele tinha dado punição por pegar dentro do quimono. Não foi isso, não ficou claro. Quando fomos até a mesa, conversar com os responsáveis pela arbitragem, essa posição, quando você pressiona só a cabeça, é realmente considerado matê e shido. Seria esse último ponto que o Rafael sofreu”, disse.
“O duro é que tem um guia que mostra uma situação um pouco diferente. Mas ali eles abriram um outro guia, com uma regra mais atualizada, e mostra que é shido. É uma pena, lamentável. Era evidente que o Rafael estava superior na luta. É bastante discutível, mas ele vai manter o foco na disputa por equipes”, encerrou o dirigente.
Depois da irritação inicial, o próprio Kiko Pereira reconheceu que a regra, apesar das dúvidas geradas e a irritação pelo contexto decisivo do combate, é correta. “Se está na regra isso de lançar a cabeça, está certo. Mas não é uma punição comum. Eu vi poucas vezes, a gente não vê isso. Ainda em uma final, numa disputa de medalhas...”
Rafael Macedo, por sua vez, foi comedido na análise da polêmica e preferiu valorizar a trajetória até a luta pelo bronze. "Eu não entendi direito a punição, mas acredito que os árbitros têm muitas câmeras, são muitos ali, e vão sempre avaliar da melhor forma. Então respeito a decisão deles e saio tranquilo, porque sei que dei o meu melhor. Fiz tudo o que sei, o que consegui, e faz parte.”
Antes da derrota para Murao, Macedo havia estrado com vitória sobre o holandês Noel Van T’End e depois bateu o romeno Alex Cret. Contra o georgiano naturalizado espanhol Tristani Mosakhshvili, porém, o brasileiro foi derrotado e caiu para a repescagem, na qual superou o sul-coreano Juyeop Han, indo para a disputa do bronze.
