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Beatriz Ferreira revela 'carta na manga' para Olimpíadas e 'torcida' para rival por 'vingança' no boxe

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Técnico da seleção brasileira de boxe explica qual é a prognóstico de medalhas da modalidade nas Olimpíadas de Paris (0:57)

Mateus Alves, head coach da Equipe Olímpica Permanente da CBBoxe, concedeu entrevista exclusiva para a ESPN (0:57)

As Olimpíadas de Paris acabaram de começar e uma das grandes estrelas do Brasil já está pronta para entrar em quadra, ou melhor, no ringue.

Beatriz Iasmin Soares Ferreira, ou simplesmente Bia Ferreira, estreia nesta segunda-feira (29) no boxe feminino e é uma das principais candidatas ao pódio na categoria até 60kg. Concentrada desde o dia 9 de julho, a pugilista tem todo um ritual para mala, que inclusive já está pronta.

“Meu ritual é ir sempre limpa e com as coisas organizadas bem antes. Não gosto de ter a sensação de esquecer algo. Levo minha bandana para tudo, antes de entrar no ringue. Ela é como uma armadura. Desde 2017, ela já conquistou muita coisa comigo.”, contou Bia Ferreira em entrevista exclusiva à ESPN.

A baiana de 31 anos está em seu segundo Jogos Olímpicos da carreira após estrear em Tóquio-2020, disputado em 2021, quando conquistou a medalha de prata. Bia se tornou a primeira brasileira do boxe a chegar a uma final olímpica, mas ela não ficou satisfeita.

Depois do Japão, Beatriz Ferreira também começou a treinar o boxe profissional, que tem regras e especificidades diferentes do olímpico. Inclusive, até Rio-2016, os pugilistas profissionais não podiam disputar as Olimpíadas. Então, geralmente, o caminho natural dos boxeadores era começar no olímpico (que antes era chamado de amador) e, depois de ganhar notoriedade (ou medalhas), migrar para o profissional. Depois da liberação nos Jogos da Cidade Maravilhosa, alguns lutadores começaram a disputar as duas modalidades.

“Eu sou a primeira brasileira a fazer carreira híbrida e tem algumas malandragens do boxe profissional que a gente não utiliza no olímpico porque a gente não treina isso. Então, tem coisas que eu aprendi no profissional e estou utilizando no olímpico e tem dado muito certo. Isso é uma carta na manga que eu vou acrescentar.”

Bia não só fez sucesso no olímpico, com uma medalha olímpica e dois títulos mundiais (2019 e 2023), mas teve um começo espetacular no profissional. Com 5 lutas e 5 vitórias, sendo duas por nocaute, Bia Ferreira também foi campeã mundial em abril deste ano e levou para o Brasil o cinturão do peso-leve (até 61kg) da Federação Internacional de Boxe (IBF).

“É o mesmo esporte, mas são totalmente diferentes. Eu tive que reaprender diversas coisas no boxe. O olímpico é mais rápido e tem pouco tempo para estudar. A gente aplica as sequências que a gente está treinando e tenta não ser acertado. O profissional é totalmente diferente, ele é mais calmo. Os treinos são mais longos e mais devagar, ao mesmo tempo que você acelera, você precisa diminuir. Isso parece fácil, mas aplicando é muito difícil e complicado.”

Além das diferenças no ritmo da luta, os pugilistas não usam capacete, enquanto esse item é obrigatório no olímpico nas categorias femininas. A duração e a quantidade de rounds também são diferentes. No olímpico, as lutas duram três rounds de três minutos, enquanto as disputas de cinturão no profissional têm até 10 rounds de dois minutos.

Apesar das diferenças, os treinamentos das duas modalidades têm uma similaridade: o treinador. Mateus Alves é o head coach da Equipe Permanente de Boxe Olímpico da Confederação Brasileira de Boxe (CBBoxe) e também técnico da Bia em sua carreira profissional

“Lá, ela é minha chefe, ela me contratou para ser o técnico dela. Aí, tem coisas que ela faz lá, que aqui eu guardo e falo. Aqui tem que seguir as regras da equipe, mas isso é só uma brincadeira nossa. A Bia é uma atleta muito disciplinada e foi muito importante para a carreira dela. Eu a vejo chegando muito madura para esse ouro olímpico em Paris.”, explicou Mateus em entrevista exclusiva à ESPN.

“Eu consegui encontrar outras adversárias, são só 5 possíveis adversárias que eu ainda não enfrentei. Então, as meninas não são carinhas novas. A gente já está montando as estratégias. Eu vou chegar muito mais segura e muito mais madura para essa edição. “, completou a lutadora.

Bia, junto com a equipe multidisciplinar da CBBoxe, já estudou todas as possíveis rivais, mas tem uma em especial que a brasileira espera enfrentar em Paris.

“Claro, eu queria a revanche contra a irlandesa, já que eu não consegui encontrar ela nesses campeonatos durante a preparação. Quero encontrá-la lá e já sei que ela está na minha chave. Então, a gente pode se enfrentar na semifinal. Estou ansiosa, espero que ela passe porque eu vou estar esperando ela lá para ter a vingança.”

A brasileira “torce” para que Kellie Anne Harrington, medalha de ouro em Tóquio-2020, avance até a semifinal para finalmente ter sua “revanche” da derrota há três anos.

Além da sua “vingança” pessoal, Bia Ferreira também quer fazer ainda mais história e espera se tornar a primeira brasileira campeã olímpica no boxe. Se conseguir esse feito, a baiana, de quebra, também vai se tornar a primeira boxeadora na história a levar o cinturão do boxe profissional e a medalha de ouro no mesmo ano.