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As potências do críquete e como é o 'novo' esporte olímpico no Brasil

Seleção brasileira feminina de críquete em 2021 @cricketbrasil

A Copa do Mundo de Críquete T20 mostrou que as principais potências da modalidade são países como Índia, África do Sul, Inglaterra e Afeganistão. O esporte deve ganhar mais adeptos nos próximos anos porque vai voltar a ser disputado na maior competição do planeta: os Jogos Olímpicos.

O críquete vai voltar a fazer parte do programa olímpicos nas Olimpíadas de Los Angeles em 2028 após mais de 128 anos. A única vez que a modalidade foi disputada na competição foi em Paris-1900.

Até Los Angeles-2028, diversos países ao redor do mundo vão correr para estruturar o esporte e tentar se classificar para a disputa do críquete olímpico, mas e o Brasil? A ESPN, que transmitiu a Copa do Mundo, conversou com Roberta Avery, capitã da seleção brasileira feminina de críquete, para entender o cenário nacional da modalidade.

“O esporte é muito promissor. O críquete chegou no Brasil em 1872 e a associação brasileira foi formada em 2002 e nós somos afiliados ao Conselho Internacional de Críquete (ICC) desde 2006. Atualmente, temos alguns locais de desenvolvimento da modalidade e a capital do esporte aqui é em Poços de Caldas.”

Na cidade mineira de aproximadamente 170 mil habitantes, apelidada de “Meca do críquete no Brasil”, a modalidade é ensinada nas escolas e mais 5.600 crianças praticam o esporte. Além do sul de Minas Gerais, alguns municípios do interior do Estado de São Paulo também possuem projetos ligados a essa prática.

A capitã acredita que com a entrada do críquete nos Jogos Olímpicos de Los Angeles, a modalidade deve passar por um boom (crescimento) nos próximos anos no Brasil, mas o país já saiu na frente dos seus vizinhos mesmo antes do anúncio olímpico.

“Nós fomos o primeiro país no mundo que profissionalizamos a seleção feminina e depois a masculina. Atualmente temos quatro seleções, além das duas principais, temos uma sub-19 masculina e uma sub-15 masculina.”

A profissionalização, citada por Roberta, quer dizer que as atletas da seleção são pagas para treinar e jogar no Centro de Treinamento da modalidade, ou seja, o trabalho dessas jogadoras é representar o país no críquete.

“No feminino, estamos disputando a competição classificatória para próxima Copa do Mundo de T20 e somos pentacampeãs sul-americanas. No masculino, vamos começar esse ano o processo para se classificar para o próximo Mundial, mas a sub-19 é a atual campeã sul-americana.”

Se no nível regional, o Brasil é uma potência da América do Sul, no âmbito nacional, o críquete também tem competições tanto no masculino e no feminino. “Entre os homens, temos uma liga nacional que acontece duas vezes por ano. Uma vez no Rio de Janeiro e depois em Poços de Caldas e reúne as 6 federações do esporte. Desse campeonato, sai a seleção sub-19 masculina. Todas as federações têm ligas nos seus próprios estados e os melhores jogadores representam seus estados na liga nacional.”

“Já a liga feminina, ela é disputada apenas em Poços de Caldas e conta com mais de 8 times participantes e também temos campeonatos juvenis.”

Segundo o censo de 2023, o críquete envolve 47 mil pessoas no Brasil. Agora, com a modalidade se tornando, mais uma vez, olímpica, o objetivo da seleção é subir no ranking mundial e entrar no top-25 para poder disputar competições de renome. Além disso, a meta, a longo prazo, é se tornar o melhor time do continente, uma vez que os Estados e o Canadá ainda estão na frente do Brasil.

No ranking mundial, a seleção feminina ocupa a 37ª posição e é a melhor nação entre as equipes latino-americanas. O critério de classificação para as Olimpíadas de Los Angeles ainda não foi definido.