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NHL: A majestosa redenção do Great 8 - como Alex Ovechkin e os Capitals venceram a Stanley Cup

Ao eliminar o Pittsburgh Penguins em seis jogos na segunda rodada dos playoffs de 2017-18 da NHL, meu amigo Ricardo Pincigher me perguntou: "O Ovechkin é o melhor jogador russo de todos os tempos?"

Pouco menos de um mês após escrever sobre a redenção do Great 8, a pergunta me faz refletir por um período bastante mais longo do que anteriormente.

Talvez?

Fato é: neste último mês, ele provou ser bastante capaz de clamar esse título, junto a outro que ele acabou de conquistar: o de campeão da Stanley Cup.

Em um ano com as Finais sendo compostas por duas histórias incrivelmente excepcionais, como scripts de filmes que apenas os mais premiados diretores de cinema deveriam ter o direito de dirigir. Uma história de Cinderela, composta por 23 "Misfits", jogadores que "não encaixavam" e que foram propositalmente expostos por seus times originais perante o Draft de expansão de Las Vegas.

A Cinderela que desafiou qualquer inimigo a sua frente, e que venceu batalha, após batalha, após batalha para chegar nas Finais da Stanley Cup e quebrar qualquer paradigma existente. Desmentir qualquer expectativa criada na franquia de expansão que acolheu um grupo de atletas de diferentes qualidades, clubes e ambientes, para transformá-los em jogadores de hockey formidáveis, que formariam o time mais formidável desta temporada.

Independentemente do resultado da série contra Washington, Vegas sairia com um sorriso no rosto. A Cinderela fez o seu papel. Era a hora de outro astro brilhar.

E finalmente ele brilhou.

Alex Ovechkin passou 12 crescendo como pessoa, jogador e líder em Washington. Anos que começaram com expectativas meteóricas. O prêmio de melhor novato do ano em sua temporada de estreia, marcando 52 gols e deixando Sidney Crosby para trás. O prêmio de MVP duas temporadas depois, se estabelecendo como um dos melhores jogadores do mundo e, disparado, o melhor marcador de gols do hockey.

E nesses 12 anos de extremo sucesso pessoal, Ovechkin também viveu na sombra do fantasma da Stanley Cup. Não importa o quão bom Ovechkin fosse ou quantos prêmios individuais ele vencesse ao final de cada temporada, seu nome era sempre relacionado aos "grandes jogadores que nunca venceram uma Stanley Cup", ou ao "cara que destrói nas temporadas regulares, mas não resolve nos playoffs".

Confesso: é excelente escrever esse último parágrafo no pretérito.

Não torço para os Capitals, longe disso. Também não sou paga pau do Ovechkin. Sou um jornalista que adora ver histórias incríveis sendo contadas e escritas.

Alex Ovechkin, o jogador de hockey, acabou de escrever a melhor parte de sua história até aqui.

A parte em que ele se coloca entre os grandes de todos os tempos, não apenas como jogador, mas como campeão. Como vencedor.

As perguntas foram respondidas. Sim, Ovechkin pode carregar seu time nos playoffs. Sim, Ovechkin pode ser o melhor jogador do mundo também nos playoffs. Sim, Ovechkin conseguiu liderar sua franquia a vencer uma Stanley Cup.

Top 20 na história em gols marcados, com 32 anos de idade. Três MVPs, três Ted Lindsays, um Art Ross, um Calder, sete Maurice Richards. Uma Stanley e um Conn Smythe. Ufa. E contando.

Washington não planejava vencer a Stanley Cup no começo da temporada. A janela de vitória havia se fechado na última temporada. Chega de gastar nas trade deadlines, de trocar prospectos com potencial e escolhas de drafts por jogadores que podem nos ajudar nos pós-temporada.

Um grupo de pessoas discordou dessa decisão, da maneira mais positiva possível: os jogadores, liderados por Alex Ovechkin.

Os Capitals venceram novamente a divisão Metropolitana, indiscutivelmente uma das mais fortes da NHL nos últimos anos. Ovechkin novamente venceu o Maurice Richard. Eles também viraram uma série contra Columbus mesmo tendo perdido os dois primeiros jogos em casa. Eles finalmente derrotaram Pittsburgh e exorcizaram seus demônios. Eles derrotaram o tão imbatível time de Tampa Bay, que era considerado o favorito do leste. E por fim, eles derrotaram o time que havia perdido apenas três jogos nos playoffs até chegar nas Finais. O time que parecia ter o destino ao seu favor.

Ao final de cada temporada, a NHL nos agracia com uma história incrível, fruto dos playoffs da Stanley Cup. Uma base devota de fãs têm o direito de comemorar, um grupo de jogadores realiza seus sonhos e o mundo dos esportes adiciona mais uma excelente história em sua coleção.

Chegou a hora de Washington comemorar. A hora de Alex Ovechkin, Nick Backstrom, Barry Trotz comemorarem. Hora da Stanley Cup apagar o amargor de uma torcida que esperou por 44 anos pela glória.

Sobre a resposta do "Ovechkin ser o maior jogador russo da história", me veio à memória uma discussão que assisti sobre Ovi eventualmente quebrar o recorde de gols estabelecido por Wayne Gretzky. Gretzky tem 894 gols em sua carreira. Ovechkin tem 607.

Não tenho a menor ideia se ele vai conseguir. Impossível? Não é para tanto, afinal: esportes. O que pode se afirmar, no entanto, é que Ovechkin enriqueceu uma prateleira de prêmios ao final destes playoffs, e que pode crescer ainda mais. Não se pode mais duvidar de Alex Ovechkin.

E nem do Washington Capitals, os merecidíssimos campeões da Stanley Cup de 2018.