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Brasileiro do UFC 305 foi chamado de 'Anderson Silva das antigas' por Dana White e expôs 'vício' em cigarro: 'Um dia de cada vez'

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Promessa brasileira do UFC responde sobre comparações a Anderson Silva e Poatan e mira próximos rivais (1:24)

Carlos Prates concedeu entrevista exclusiva ao ESPN.com.br (1:24)

Neste sábado (17), em Perth, na Austrália, o UFC 305 coloca Dricus Du Plessis e Israel Adesanya frente à frente pelo cinturão dos médios. O card principal também promoverá a "estreia" de um brasileiro em eventos numerados da organização.

Nascido em Taubaté, no interior de São Paulo, Carlos Prates é mais uma revelação do reality show de Dana White, o Contender Series, e vai para a sua terceira luta no UFC. Pelos meio-médios, ele terá pela frente o veterano chinês Li Jingliang, de 36 anos.

Ainda invicto no Ultimate, já que venceu os dois primeiros combates por via rápida, "The Nightmare" ("O Pesadelo", na tradução), como é chamado, chegou com moral na principal liga de MMA do mundo e ganhou a alcunha de "Anderson Silva das antigas" do próprio Dana. Seu poder de nocaute também já o faz ser comparado a Alex Poatan, que, assim como ele, lutou kickboxing.

Em entrevista exclusiva ao ESPN.com.br, Prates falou o que pensa das comparações e vibrou com a chance no UFC 305, pouco mais de dois meses após a sua última aparição no octógono – e logo em uma data mais que especial.

"Lógico que é sempre bom receber elogios, mas não deixo isso entrar na minha mente. Não levo isso para o coração, os caras têm o legado deles, já estão com dinheiro no bolso, são ricos, lendas. Estou começando agora, trabalhando muito para que, daqui 10 anos, apareça um cara bom e alguém fale 'esse aí é o Carlos Prates quando era novo'. Esse é o meu objetivo agora", disse.

Depois de vencer Charles Radtke no card preliminar do UFC Kentucky, no início de junho, o brasileiro, ainda no octógono, pediu uma chance para lutar na Austrália, já que a sua filha mora no país e a data do evento coincidiria com o seu aniversário de 31 anos. O desejo foi atendido.

"Foi um presente que recebi. O meu aniversário vai ser na pesagem, mas estou felizão. Vim lutar na Austrália, mais um país novo que conheci, ver minha filha, no dia do meu aniversário, encher o bolso de dinheiro e voltar para casa felizão", prosseguiu.

"Fiquei felizão de lutar no card do Adesanya, é um cara que eu admiro muito, às vezes me inspiro no jogo dele, lutava kickboxing também, me identifico bastante. E vê-lo disputar o cinturão é maneirão, fiquei felizão de lutar no mesmo card dele, e ainda mais abrir o principal".

E apesar de ainda estar no início de sua caminhada na divisão, Carlos Prates já faz planos para o futuro. E sonha, inclusive, com os seus possíveis próximos rivais – e, claro, com o cinturão.

"A categoria está embolada. Do top 5 para cima, são caras muito bons. Acho o Shavkat (Rakhmonov) muito bom, Belal Muhammad muito bom na estratégia e na luta agarrada. Mas não vejo tanta diferença de nível de um para o outro. Todos têm as suas características, são bons de algum jeito diferente. É uma categoria muito disputada. Têm vários caras que tenho vontade de lutar: o Michael Page, Joaquin Buckley, Ian Garry... são jogos que iriam me favorecer e seriam boas lutas", disse, antes de complementar.

"O cinturão representaria o sucesso, um trabalho bem feito de 15 anos. E representaria todo o esforço da minha mãe, que sempre esteve comigo desde pequeno. Sempre foi eu e ela. Iria representar a minha aposentadoria, porque eu falo para os meus treinadores que vou ganhar o cinturão e me aposentar. Seria a realização de um sonho, é um trabalho que a gente vem fazendo há muito tempo, plantando há muito tempo, e que vamos colher em breve".

'Um dia de cada vez'

Antes de entrar em ação no UFC Kentucky, o brasileiro também revelou ter um hábito incomum para um profissional dos esportes de combate: o "vício" em cigarro.

E Carlos Prates, que já chegou a fumar um maço por dia, falou como faz no dia a dia para que este seu hábito não atrapalhe o seu rendimento dentro do octógono e que está se policiando para reduzir o uso.

"Quando eu tenho luta marcada, fumo bem menos. Agora, quando não tenho luta acabo fumando um pouco mais porque não treino direto, todo dia. Depois da luta a gente fica um tempo parado e tal. Mas é uma coisa que venho tentando fazer menos, me policiando, ocupando mais a minha cabeça", disse.

"Eu vou vivendo um dia de cada vez. Às vezes eu nem lembro que fumo, mas a hora que eu achar que está me atrapalhando ou me prejudicando de verdade, talvez procure alguma ajuda para parar. Mas eu vou fazendo o que tenho que fazer, treinando para caramba para não cansar e todo mundo colocar a culpa no cigarro e cair matando dizendo eu eu fumo, então nem penso nisso".

E como ninguém é de ferro, revelou que também gosta de aproveitar o tempo livre à sua maneira, mas sem exageros.

"Quando eu não tenho luta marcada eu gosto de um pagodinho, de uma festinha, de um rolêzinho. Mas quando tenho luta marcada, às vezes quando não estou na academia gosto de jogar bola, ficar em casa à toa, assisto TV, fico bem mais de boa. Mas quando não, o meu hobby mesmo é sair, curtir de boa".