No mundo dos esportes as comparações são quase que inevitáveis, e no MMA não é diferente. E com a rápida ascensão de Alex Poatan no UFC, com dois cinturões conquistados em pouco tempo, o brasileiro já é referência para os novatos na organização.
Um deles também é brasileiro. Aos 33 anos, o curitibano Jhonata Diniz, que seguiu os mesmos passos de Poatan e migrou do kickboxing para o MMA após ser campeão mundial mais de uma vez, tenta buscar o seu espaço no UFC. E na categoria dos pesados.
Neste sábado (10), em Las Vegas, Jhonata encara o lutador da casa Karl Williams no UFC Vegas 95 e busca a sua segunda vitória na organização, depois de uma estreia com o pé direito contra Austen Lane - e por nocaute.
Aliás, essa é uma das características do brasileiro, que tem um cartel invicto no MMA com 7 vitórias, todas por nocaute ou finalização. E que também foi um dos motivos que gerou as comparações a Poatan pelos fãs do UFC.
Em entrevista exclusiva ao ESPN.com.br, Jhonata falou sobre o compromisso em Vegas, revelou a sua estratégia e comentou sobre o que pensa sobre as comparações com Poatan - que revelou ser uma de suas inspirações.
O brasileiro também revelou que, fora do octógono, ele tem uma outra paixão: saltar de paraquedas. E o hobby, segundo ele, também o ajuda na hora de lutar. Confira a entrevista completa abaixo.
Luta contra Karl Williams
"Ele é um adversário muito consistente no que faz, só que estamos preparados para tudo o que ele trouxer nessa luta. Obviamente, o objetivo é nocauteá-lo porque é o que mais venho fazendo nas últimas lutas, mas estou preparado para fazer 3 rounds e, se precisar, machucá-lo por 15 minutos. Se ele for nocauteado, acho que vai ser um pouco mais agradável para ele, senão vou machucá-lo por 15 minutos. Estou preparado para isso."
"Nesse camp trabalhamos muito a parte de defesa de queda porque ele é um wrestler muito eficiente, tem uma facilidade muito grande de colocar os adversários para baixo. Ele é muito consistente em todas as lutas que faz, coloca muito bem para baixo, consegue travar muito bem os adversários e executar o jogo dele com maestria. A gente fez todo um trabalho de defesa de queda, se me derrubar como fazer para se levantar, para trazer a luta em pé de volta e a gente conseguir imprimir esse jogo e, se Deus quiser, trazer mais um nocaute."
Busca pelo cinturão
"A gente tem um planejamento para nos próximos três anos incomodar na categoria, chegando o mais próximo possível de um title shot. Eu não entrei para ser mais um atleta, para ser mais um lutador incomodando no meio de tabela, eu cheguei para brigar, ir para as cabeças. O nosso objetivo maior é ser campeão. Eu não sei se isso vai demorar um, dois, três ou quatro anos, só sei que isso vai acontecer e, quando acontecer, vai ser da melhor maneira possível. A gente quer conseguir imprimir esse nosso objetivo de luta, manter essa sequência de vitórias para poder chegar lá da melhor maneira possível."
Comparações com Poatan
"Para mim é um elogio e uma pressão muito grande. Ver o que o Poatan tem construído dentro da organização, as coisas que ele vêm fazendo. Para mim é uma pressão muito grande 'o novo Poatan está chegando'. Ao mesmo tempo me sinto muito feliz de ver que estou sendo comparado a um cara como o Poatan, a esquerdinha vai cantar com forção então, que venha (risos)."
"Eu me inspiro muito nele em muita coisa. O Poatan é um cara que chegou, fez o barulho do jeito dele, começou a nocautear a galera, a mostrar serviço e chegou onde chegou com 9, 8 lutas dentro da organização. Ele é um cara que me inspira muito, vou seguindo os passinhos dele. Se a galera acha que eu sou o 'novo Poatan' e eu tiver o mesmo destino que ele, vamos abraçar com alegria o apelido e as referências (risos)."
Poatan nos pesados?
"Acho super palpável e factível que o Poatan suba, ele tem estrutura para isso e poder de nocaute. Eu não acho que seja uma coisa tão impossível como vejo muita gente comentando por aí, eu acho que ele vai subir de categoria, e é perigoso ele incomodar muito ali. Vamos ver o que vai rolar, primeiro temos que aguardar essa luta do Stipe (Miocic) com o Jon Jones para sabermos o que vai desenrolar dentro da categoria depois."
Paraquedista nas horas vagas
"Eu sou paraquedista de hobby. Eu trouxe muita coisa do paraquedismo para a luta, e isso fez com que a minha cabeça mudasse totalmente. Hoje eu costumo brincar que existem dois Jhonatas: o de antes do paraquedismo e o de depois. A cabeça muda totalmente depois que você entende o que é o paraquedismo."
"No paraquedismo a gente fala que, se você tem coragem de sair de um avião a 4 mil metros de altura só com uma mochilinha nas costas, você é capaz de superar qualquer adversidade na sua vida, muito mais mais tranquilo. Eu sou uma pessoa muito resiliente, focada no que eu quero. Se eu saio de um avião a 4 mil metros, não vai ser adversário nenhum que vai parar de frente comigo e me amedrontar, me por medo ou atrapalhar os meus objetivos. Estou muito focado no que eu quero e a determinação é a palavra, sou muito determinado para chegar aonde eu quero e fazer acontecer."
