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Mackenzie Dern sonha com luta pelo cinturão do UFC no Brasil e quer inspirar outras mulheres a entrarem para o MMA

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Mackenzie Dern revela sonho de lutar pelo cinturão do UFC no Brasil para homenagear o pai, lenda do jiu-jitsu; VEJA (1:42)

Lutadora concedeu entrevista exclusiva à ESPN (1:42)

Neste sábado (3), o card principal do UFC Abu Dhabi, nos Emirados Árabes, promove o retorno da americana naturalizada brasileira Mackenzie Dern. E a atual sétima colocada no ranking do peso-palha feminino tentará dar fim à má fase diante da mexicana Lupita Godínez, depois de sair derrotada em três dos últimos quatro combates que disputou na divisão.

Em entrevista exclusiva ao ESPN.com.br, Mackenzie falou sobre como foi o seu camp e do que espera do combate contra Lupita, que pode tomar o seu lugar no ranking. A lutadora também deixou claro que, nesse momento, o seu foco, claro, é em se recuperar categoria para enfim lutar pelo cinturão no Ultimate.

"Eu estou super ansiosa para essa luta, venho me preparando demais. Lupita é uma menina que já lutamos no mesmo card algumas vezes, nem cheguei a assistir muito bem as lutas dela, mas vi as vitórias, derrotas, uma menina que eu vi crescendo dentro da organização. Quando ofereceram a luta eu falei 'opa, vamos!'. Vai ser muito legal lutar contra ela, acho que é uma ótima atleta, que está sempre evoluindo, está cada vez melhor. Mas eu venho me preparando demais, independentemente se fosse ela ou outra adversária".

"Depois da minha última derrota, contra a Amanda (Lemos), óbvio que não quero perder na minha próxima luta, duas derrotas já deu (risos). Eu vim treinando, melhorando em tudo, na parte física, de quedas, de trocação, fazendo bastante sparring, treinando com um grupo de meninas que tem me ajudo bastante, parceiras duras de treino. A Bruna Ellen, Aline David, elas têm me ajudado muito para essa luta. Eu sinto que estou preparada para o que vier nessa luta, quero dar um show aqui em Abu Dhabi (risos)", disse.

De olho na luta, Dern contou como foi ganhar mais massa muscular para ter ainda mais força no duelo. Além disso, trouxe detalhes da estratégia que pretende adotar para voltar a vencer no UFC.

"Eu trabalhei muito em ganhar massa muscular para essa luta, me senti bem na minha última em relação à força, então como me senti tão bem queria aumentar, foquei bastante nisso. Treinei bastante jiu-jitsu porque eu senti que contra a Amanda cheguei em boa posição, mas ela com uma defesa meio grudando, eu pensei 'tenho que fazer mais estrago no chão'. Não adianta só controlar e achar que o juiz pode querer dar (a vitória) para você só porque você controlou no chão. Trabalhei muito em dar estrago onde eu estiver, seja na montada, bater, ir para pegar. Voltei com o meu treinador de boxe, então estou sentindo a minha mão muito mais afiada de novo. Não que tivesse ficado ruim, mas dei aquela ajustada de novo, estou mais confiante na minha mão, a técnica está ali, não estou ficando muito relaxada, voltando aos hábitos ruins. Eu trabalhei bastante nessas partes e (treino) bem específico de MMA, na grade, defesas de queda, entradas de queda, misturando tudo. Senti que agora fui para um nível além de MMA", prosseguiu.

"Eu sei que ela tem uma base de wrestling muito boa também, sei que as defesas de queda dela são boas. Eu sei que ela gosta de andar para frente, então isso é muito bom para mim. A última que eu lutei que anda para frente foi a Jéssica Andrade, que eu perdi, então estou ansiosa para corrigir os erros que cometi contra a Jéssica e aproveitar esse movimento dela de andar para frente. Acredito que vamos ir para o chão alguma hora da luta, mas se ficar em pé também estou confiante que a gente na trocação de boxe, kickboxing ou o que for, acredito que a luta será muito física, nós duas ficaremos confortáveis onde estivermos na luta. Vai ser quem é melhor em cada lugar."

Em relação à categoria peso-palha, Mackenzie comemorou o fato de a divisão estar mais movimentada do que antes e que só "olha para cima" no ranking, já que o seu desejo é o título.

"Por enquanto eu ainda estou com a minha visão na frente, não estou olhando tanto para atrás. Mas estou vendo que umas meninas são muito boas, é muito empolgante ver o nível a nossa categoria estar aumentando cada vez mais, a categoria está ficando cada vez mais cheia. Isso é muito legal e só me motiva de ficar cada vez mais evoluindo e acreditando que não pode achar que está bom. Tem que estar cada vez mais evoluindo e deixando a sua marca na categoria, até para quando elas vierem, como a Lupita, que está tentando 'roubar' o meu lugar no ranking, de estar preparada para proteger o meu lugar. O meu foco agora é no cinturão, Zhang Weili, Virna, Amanda, as meninas que estão na minha frente. O meu foco é ser campeã, estou mais focada nisso. Mas realmente a categoria, em todos os sentidos, está mexendo, graças a Deus porque estava um pouco parada há um tempo, as mesmas pessoas. Vamos ver o que vem pela frente, mas acredito que com umas boas vitórias eu consiga voltar a tentar lutar pelo cinturão de novo."

'Se um dia eu for lutar pelo cinturão, tem que ser no Brasil'

Nascida nos Estados Unidos, Mackenzie Dern é filha da lenda brasileira do jiu-jitsu Megaton Dias. E a lutadora seguiu os passos do pai no grappling, sendo campeã mundial mais de uma vez. E na sua ida para o MMA, ela também sonha em poder homenagear o pai e agradecê-lo por seus ensinamentos.

Por conta disso, Mackenzie confidenciou que, em uma futura disputa pelo cinturão no UFC, ela gostaria de poder lutar no Brasil. Lembrando que Megaton é nascido no Rio de Janeiro.

"Com certeza. Eu represento o Brasil (no UFC), primeiramente porque eu só estou no mundo da luta por causa do meu pai. Se eu não fosse filha do meu pai, que é lutador desde que eu nasci, eu não estaria nem nesse mundo de luta. Talvez eu fosse, sei lá, doutora, médica, nunca nem teria escutado de luta, ia ser que nem aquelas pessoas 'o que é MMA? O que é isso?' (risos). Mas como sou filha do Megaton, brasileiro, entrei nesse mundo que eu só conheço de luta, não tinha como eu não representar o Brasil nessa minha jornada. Se um dia eu for lutar pelo cinturão, tem que ser no Brasil, para ganhar lá e agradecer ao meu pai, por tudo o que ele proporcionou para mim. Foi o jiu-jitsu que me fez chegar ao UFC e foi todo esse treinamento, em como ser atleta, em como correr atrás dos seus sonhos, objetivos, das vitórias, derrotas. Aprendi tudo isso com ele. Eu já estou tentando homenageá-lo em todas as minhas lutas na minha forma de ser atleta, mas com certeza o cinturão seria a maior dedicatória que poderia fazer para ele", disse.

A lutadora, que escolheu defender o Brasil no MMA, também disse que quer incentivar outras mulheres - e mães, assim como ela - a lutarem MMA e servir de inspiração para elas.

"As minhas duas maiores motivações são a minha filha, que eu quero prover uma vida boa para ela, o melhor que eu puder. E os meus próprios objetivos e realizações na minha vida, já pensei várias vezes no que eu quero, se eu quero fazer outra coisa. E eu sou uma lutadora, eu amo fazer isso, amo me desafiar e tenho o objetivo de ser campeã, de ser melhor do mundo. Eu sei como é a sensação de ser a melhor do mundo em alguma coisa, fui no jiu-jitsu. E sinto que eu saí do jiu-jitsu para esse novo desafio e é muito difícil você colocar uma coisa na cabeça que você quer fazer e simplesmente desistir, mudar, não gostar mais. Não sei se um dia vou parar de amar lutar, mas eu me sinto muito realizada treinando, aprendendo, tentando, me testanto, amadurecendo, evoluindo como pessoa. A minha faculdade é a luta, essa é a minha vida", disse.

"Eu só me vejo lutando e um dia, quem sabe, eu estar envolvida em empresariar, em criar um time de mulheres para o MMA, para o UFC, no jiu-jitsu, usando a minha experiência, o meu amor pelo esporte. E de alguma forma tentar ajudar as futuras gerações e o mundo, que foi o motivo pelo qual entrei no MMA, para representar o jiu-jitsu numa plataforma maior, tentar atingir aquelas pessoas que talvez nunca tenham feito esporte na vida e me verem lutar um dia, quem é mãe e nunca treinou nenhum tipo de arte marcial, me ver e falar 'eu gostaria de fazer isso também. O que essa menina está fazendo? Uma chave de braço? Eu vou tentar também'. Tentar expandir a minha maior paixão, que é o jiu-jitsu. Essa é a minha maior inspiração de estar fazendo isso, ainda no mais alto nível. Se você entrar no MMA treinando mais ou menos, você vai se machucar. A galera quer bater, dar uma cotovelada no seu nariz, uma joelhada na sua cara. Não tem como fazer pela metade, é um esporte que você tem que se dedicar 100%, se você não fizer com elas, elas vão fazer com você, daí a sua carreira não vai ser longa e você não vai poder aproveitar todas as oportunidades que esse esporte pode dar para a gente."

Por último, Mackenzie ainda contou os bastidores de sua vida "brasileira" nos Estados Unidos, o que inclui culinária, música e até séries.

"O meu pai é brasileiro, ele está nos Estados Unidos há mais tempo do que morou no Brasil, ele é mais americano do que brasileiro , ele fica até 'poxa, você só fica escutando música brasileira', ele dá risada (risos). Eu moro na Califórnia, então é muito fácil, tem uma comunidade brasileira muito grande, a gente come churrasco quase todos os dias, tem um restaurante que a gente come direto, picanha, arroz, feijão, carne de panela. O meu marido é brasileiro e faz moqueca de camarão em casa. A primeira língua da minha filha é português, ela está comigo em Abu Dhabi, eu falei 'filha, só vai falar em inglês aqui'. Ela falou 'não quero falar inglês' (risos). Ela nasceu nos Estados Unidos, e as pessoas perguntam de onde ela é e ela fala 'sou do Brasil'. A gente assiste séries em português, música brasileira em casa".

"Mesmo morando nos Estados Unidos parece que estamos em um mini Brasil, na Califórnia. Eu acho muito bom, é o melhor dos dois mundos. Temos todas as coisas boas do Brasil, comida, calor humano, a energia e a vibe do brasileiro, a música, aquela emoção que o brasileiro tem no esporte, tudo é com emoção, 'vai para dentro, vai para cima'. Junto com a segurança que tem nos Estados Unidos, têm muitas oportunidades nos Estados Unidos. A gente está tendo uma vida muito abençoada de ter essas duas partes morando nos Estados Unidos, mas com o coração no Brasil (risos)", finalizou.