Neste sábado (19), Chris Weidman fará seu retorno ao octógono do UFC após dois anos de ausência por conta de uma perna quebrada.
Em fevereiro de 2021, Weidman teve uma das lesões mais horrorosas de todos os tempos na luta contra Uriah Hall. O americano quebrou sua perna ao meio ao tentar um chute e, desde então, passou por diversos dramas em uma longa recuperação.
A lesão e o início da recuperação
Em 24 de abril de 2021, Chris Weidman participou do card principal do UFC 261 e a luta contra Uriah Hall demorou apenas 17 segundos. Quando o americano deu um chute na canela de seu oponente, acabou quebrando a perna no meio e sofrendo uma das lesões mais horrorosas da história do esporte.
Desde que sofreu a lesão, o lutador passou a documentar sua recuperação em seu canal no YouTube, em uma série de vídeos mostrando desde o dia seguinte ao acontecido até voltar a treinar após as cirurgias.
"Eu dei um chute muito forte e olhei nos olhos de Uriah Hall, ele estava com uma cara neutra, achei que era porque tinha acertado ele bem. Quando coloquei a perna de volta, algo estava errado. Olho pra baixo e minha perna parece borracha. Parecia que eu estava em um sonho e eu não conseguia acreditar. Não é possível que era a minha perna que eu estava vendo daquele jeito. Foi surreal", disse Weidman.
O medo de nunca mais brincar com os filhos
Apenas quatro dias após deixar o hospital, Weidman tinha uma grande preocupação: não ser capaz de estar com seus filhos durante as brincadeiras da família.
A preocupação, inclusive, era maior do que a possibilidade de ter que se aposentar, algo que foi uma realidade possível para o lutador durante sua recuperação.
"Se eu tiver que me aposentar, vou ficar quebrado com isso, mas não é nada comparado a estar junto com meus filhos e mostrar para eles o quão bom sou nas coisas com eles e poder influenciá-los", comentou o lutador.
O início da recuperação
Tudo parecia correr de maneira tranquila na recuperação de Weidman, que voltou a frequentar a academia apenas três semanas após sua lesão. Ainda que não tenha participado de nenhuma atividade de luta, o americano conseguiu andar pela primeira vez com as próprias pernas usando uma esteira antigravidade e ainda levantou peso.
"Isso é ótimo, me sinto bem de levantar um peso, fazer um cardio, suar. Fazia muito tempo, estou muito feliz. Nunca imaginei que teria que aprender a andar outra vez. É muito louco ter que reaprender a andar", comentou.
Cerca de quatro meses depois, tudo mudaria repentinamente.
A segunda cirurgia
Em 28 de julho de 2021, Weidman descobriu que sua perna não se recuperava da maneira que parecia estar se recuperando e seria necessária uma segunda grande cirurgia.
O osso da tíbula estava em recuperação normal, porém a fíbula do americano apresentava uma recuperação mais lenta e existia um pedaço do osso que estava danificado e precisaria ser retirado.
"Há mais ou menos três semanas percebi que minha perna estava ficando na mesma, doendo quando eu andava, sem nenhum progresso. Comecei a pegar diferentes opiniões sobre o que estava acontecendo com minha perna. Descobri que não estava curando direito na fíbula e fui procurar opiniões se deveria fazer uma segunda operação", relatou.
"Meu médico acha que o osso da tíbula está bom, mas existe um pequeno pedaço que está danificado e ele vai precisar tirar. O osso da fíbula não está curando e vamos ter que colocar uma placa. Nas próximas semanas vou ter que tomar uma decisão séria de qual tipo de cirurgia vou ter que fazer".
Em 10 de agosto de 2021, Weidman passou pela segunda cirurgia.
Pós-cirurgia
Além de ter que passar por uma segunda cirurgia, Weidman viveria outro drama. Durante a operação, os médicos descobriram que a fratura na fíbula do lutador era maior que o esperado e o procedimento que deveria demorar uma hora acabou durando quase três.
"A cirurgia deveria ter demorado 1h, 1h30 e acabou durando 3h por coisas que os doutores não esperavam que estivessem na minha perna. A fratura era maior do que eles esperavam então tiveram que colocar duas placas ao invés de uma só", relatou Weidman.
O lutador, porém, acabou percebendo que a cirurgia era sua melhor opção.
"Não tinha muita certeza de como ia me sentir em relação a essa cirurgia, mas agora me sinto bem por ter percebido que foi a decisão certa. Acho que a dor não vai ser nem perto do que senti após a primeira".
Retorno aos treinos de MMA
Seis semanas após a segunda cirurgia, Weidman retornou aos treinos de MMA em 24 de setembro de 2021.
"Tudo está no caminho certo, seis semanas depois da cirurgia, estariam falando que é loucura fazer isso, mas eu não cheguei até aqui seguindo as regras. Você sabe que foi um bom treino quando fica com dor de cabeça. É assim que você sabe que foi uma de duas coisas: ou você está treinando muito forte no auge da forma ou está treinando muito e em má forma (risos). Acho que estou no meio do caminho", disse à época.
"Acho que estou com o cardio em dia por causa da dieta, mesmo que eu tenha deslizado, comido algumas coisas que não devia comer, bebido... mas manti meu peso, isso ajuda. Acho muita loucura que consegui fazer rounds de 3 e 5 minutos contra um cara quase profissional de MMA. É tudo sobre estar confortável".
O maior desafio
Apesar de todas as dificuldades físicas, a maior dificuldade para Weidman foi "manter a cabeça no lugar".
Em entrevista exclusiva à ESPN nesta semana, o americano falou sobre o período que passou em recuperação e revelou ainda mais dificuldades no último ano, em que não documentou o processo em seu canal do YouTube.
"É meio surreal porque foi muito tempo longe. Por muito tempo eu não tinha certeza se ia conseguir voltar. Tive muitos altos e baixos, cirurgias atrás de cirurgias, infecções, qualquer coisa. O mais difícil para a minha mente foi ficar saudável, ser capaz de prover para a minha família, estar com meus filhos. Essa era a motivação principal. Sou mais grato do que nunca porque achava que nunca ia voltar. Estou feliz de estar aqui", disse.
"Provavelmente falaria que (a parte mais difícil foi) ficar otimista diante da montanha de adversidades que vieram pra mim. Sem parar, problema atrás de problemas. A luz no final do túnel que desaparecia e ficava sem luz nenhuma. Estar otimista, levar dia a dia e não ficar depressivo. Realmente. Só saber que tudo pode acontecer a qualquer dia. Não importa quem você é, sempre poderá aparecer adversidade. É saber que não controla sua atitude, ficar positivo. É sempre uma benção disfarçada. Sempre fiz um bom trabalho de ver o lado bom de cada um desses momentos. E agora estou aqui", finalizou.
