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UFC 290: Alexandre Pantoja foi garçom, pedreiro e Uber e pode tirar Brasil da 'seca' de cinturões

O Brasil está quase há 30 dias sem um cinturão no UFC, já que Amanda Nunes se aposentou em 11 de junho. Neste sábado (8), no UFC 290, o país pode voltar a ter um campeão da organização e encerrar o seu maior jejum em mais de 17 anos.

Alexandre Pantoja faz o co-main event da noite na disputa do título peso-mosca contra o mexicano Brandon Moreno, atual campeão da categoria e uma das estrelas do UFC. O duelo é uma revanche do confronto entre eles em 2018, no Chile, vencido por Pantoja. Ambos se enfrentaram também no The Ultimate Fighter em 2016, com o brasileiro também vencendo, mas essa luta não conta para os cartéis de ambos.

Aos 33 anos, Pantoja tenta conquistar o cinturão para cumprir seu sonho, algo que é o objetivo de sua vida há quase 20 anos e fez ele passar por diversas experiências inusitadas até chegar ao topo do MMA. O carioca de Arraial do Cabo já foi garçom, pedreiro, fez entregas de Uber e até foi marinheiro. Tudo isso para sustentar seu sonho de virar lutador.

Na adolescência, Pantoja chegou a morar de favor na casa de familiares e amigos no Rio de Janeiro, onde treinava na academia Nova União, já que ele era de Arraial do Cabo, cerca de duas horas de carro da capital e não tinha como morar perto de onde treinava. "Ficava um pouco na casa de cada um pra não virar um fardo. E foi isso que me manteve no Rio de Janeiro. Muitas vezes eu me senti desmotivado, mas eu segui", contou o lutador, à ESPN.

"Eu já trabalhei como garçom, já trabalhei como pedreiro, como marinheiro de barco. E todos os trabalhos que eu tive foram pra sustentar o meu treinamento. Sabia que não ia virar um garçom ou marinheiro, sabia que eu era um lutador. Eu nem lembro quanto eu ganhava, nunca foi pelo dinheiro, foi pra sustentar meu treinamento. Fui marinheiro bem novo, com 15, 16 anos, eu puxava a garateia e fazia maior firula como se fosse um treinamento puxando o barco. Tudo que eu fiz na vida foi pra fazer esse trajeto".

Pantoja até relembrou de um acidente de trabalho que teve trabalhando como garçom no Rio de Janeiro, onde colocou fogo no restaurante de alguns amigos seus.

"Tinha aquela boca de chama de fogo, que fica acesa quando o restaurante é self-service. Eu fui trocar, queimei o dedo, espalhou fogo pra tudo quanto é lado, na cortina. Sorte que os donos eram meus amigos e acabaram me aliviando", relembrou.

"As pessoas continuaram comendo como se nada estivesse acontecendo. Eu como garçom uma vez deixei cair um pouco de feijão no cliente, eu nunca vou me esquecer, o cara me olhou com uma cara como se eu fosse uma pessoa tão desqualificada. Mas é engraçado porque hoje eu me sinto um vencedor do mundo e não é o cinturão que vai me falar isso. Me sinto muito campeão na minha vida. Claro que o cinturão vai fazer esse ele, mas me dá muita tranquilidade pra saber quem eu sou".

Para tentar uma vida melhor e condições de treino apropriadas, Pantoja se mudou ainda no começo de carreira para os Estados Unidos. E lá também fez outros "bicos". "Trabalhei de pedreiro, de pintor, o que aparecia eu trabalhava. Isso moldou muito meu caráter".

E mesmo depois de quatro anos no UFC e com uma carreira estabilizada, Alexandre Pantoja ainda assim não deixou de ralar para ganhar uma grana extra. Durante a pandemia do COVID, ele trabalhou como Uber.

"Quando eu volto para os EUA durante o COVID, eu faço uma luta, consigo dar entrada na minha casa, mas daí a grana apertou muito forte. E eu trabalhei de Uber durante um tempo, minha esposa trabalhou de empregada também. Isso foi há duas lutas. A gente via isso como algo que teria que ser feito. Uma semana antes de eu lutar com o Brandon Royval eu estava fazendo entrega de Uber porque eu só tinha um mês pra pagar financiamento, carro...peguei uma chuva sinistra, fiquei gripado, pedi a Deus que não fosse COVID, fiz minha pesagem e já estava certo o dinheiro da bolsa. Quando eu bati o peso e sabia que tinha ganhado o dinheiro da bolsa e uma semana antes eu estava ralando pra ganhar US$ 100 no dia e na semana eu fiz US$ 100 mil, eu agradeci muito a Deus".

E se vencer Moreno novamente e for campeão do UFC, Alexandre Pantoja, que hoje mora na Flórida e treina na renomada American Top Team, já sabe onde irá comemorar: Arraial do Cabo.

"Na mesma semana eu já vou pra Arraial (risos). Eu nunca fui de firula, mas dessa vez eu quero carro de bombeiro e tudo".