No próximo sábado (6), Amanda Nunes sobe ao octógono do UFC para defender o cinturão do peso pena feminino, um dos dois que a Leoa ostenta. Considerada por muitos a melhor lutadora de todos os tempos, a brasileira é ampla favorita contra Megan Anderson, mas não deixa o favoritismo atrapalhar sua preparação e revela como faz para se manter motivada em meio a tanta superioridade: vontade de fazer história, quebrar barreiras e criar memórias para sua filha.
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"Eu sempre procuro estar melhorando, evoluindo junto com o esporte. Se você não vai evoluindo com o esporte, você vai ficando para trás. O MMA é o esporte que mais cresce no mundo. Sempre que estou treinando, estou buscando melhorar em alguma coisa. Se eu já tenho aquilo bom, tento melhorar mais ainda. Eu acho que esse é realmente o motivo de tudo isso ter acontecido na minha carreira, estou sempre buscando o melhor. Eu tenho o jogo de chão, faço isso bem, vou melhorar isso mais ainda. Eu sempre estou motivada", disse em entrevista exclusiva ao ESPN.com.br.
Em julho de 2016, Amanda se tornou a primeira brasileira a conquistar um cinturão da organização ao vencer Miesha Tate com um mata-leão ainda no primeiro round do UFC 200, se transformando na campeã do peso galo. Desde então, a Leoa acumula momentos históricos dentro do octógono, como a defesa de cinturão contra Ronda Rousey, vencida com um nocaute com apenas 48 segundos de luta.
Ou então a vitória sobre Cris Cyborg no UFC 232, em dezembro de 2018, que lhe deu o cinturão do peso pena e fez de Amanda a primeira mulher a ostentar dois cinturões do UFC simultaneamente - posto que ela mantém desde então.
"Sempre procuro me lembrar da vida que eu tinha no passado e da vida que eu tenho hoje. Não tem como não me motivar. Quero continuar vivendo essa vida por muitos anos. Até quando Deus quiser. Cada momento tem algo a mais. Foi o UFC 200 que eu me tornei campeã, depois veio minha defesa contra a Ronda Rousey que foi grandíssima também. Depois a luta com Cyborg que foi bombástica. Motivação por cima de motivação. Veio minha defesa simultânea de dois cinturões. Vai motivando cada vez mais para eu ir fazendo história. Fico com esse gostinho de a todo momento estar fazendo história na minha vida. Quero estar me superando a cada dia. Fazendo coisas que ninguém nunca fez nesse esporte. É o que vai me dando energia para continuar evoluindo e fazendo história", prosseguiu.
Assumidamente homossexual, Amanda é casada com Nina Ansaroff, também lutadora do UFC, e em setembro do ano passado as duas tiveram uma filha, Raegan Ann Nunes. Primeira LGBT assumida vencedora de um cinturão no UFC, Amanda tem como maior motivação quebrar preconceitos e dar orgulho a sua filha.
"Agora na minha vida, mais uma vez, veio a minha filha, que já é uma motivação total para que eu tenha essas memórias com ela. Quero chegar no primeiro aniversário dela e mostrar para ela que 'ó, mamãe hoje não luta mais, mas você estava comigo. Na barriga e quando você já estava nos braços de mamãe'. São coisas que eu quero que fiquem marcadas. Isso é mais pessoal que qualquer coisa, o que eu fiz no esporte já estou muito orgulhosa. É muito gratificante, só agradeço à vida por ter essa oportunidade. Mas agora mesmo daqui para frente na minha carreira vai ser só por momentos. Momentos com a minha família, com a minha filha, momentos para ficar marcado com ela", comentou.
"Esse momento também serve para eu poder deixar uma mensagem para as pessoas. Todo mundo pode ter uma família, pô. Pode ser mulher com mulher, homem com homem, a p** que for. Desculpa meu palavreado, mas eu quero mostrar isso. Quero subir no cage com minha filha e com minha esposa e mostrar para todo mundo que não existe mais isso (de preconceito). Sou campeã, sou a melhor de todos os tempos e eu tenho uma família, sou gay. Eu tenho uma família, posso dar amor para minha filha, dar carinho, uma vida melhor. Hoje, em tudo, é mais isso. Botar na cabeça das pessoas que temos que parar com tudo isso que tá acontecendo no mundo hoje e dar mais amor para as pessoas. Quero mostrar que daqui pra frente vai ser isso, viver de memórias, viver para ajudar as pessoas a entenderem qual a importância de viver. Fazer o bem, mostrar as pessoas que o amor é o mais importante. Nesse momento da minha vida, sinto a necessidade de dividir isso", finalizou.
