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Formiga fala de 'bagunça' no peso mosca e espera brilhar por luta caseira pelo título: 'Luta com Deiveson seria muito boa para o Brasil'

No próximo sábado (6), Jussier Formiga fará parte do card principal do UFC 250, que terá como main event a brasileira Amanda Nunes defendendo seu cinturão contra Felicia Spencer.

O brasileiro irá enfrentar Alex Perez, de quem é amigo há dez anos. Em papo exclusivo com o ESPN.com.br, Formiga falou sobre como será enfrentar o amigo, lutar sem público, como é se preparar durante a pandemia e, principalmente, sobre a "bagunça" no peso mosca e a probabilidade de disputar um cinturão contra Deiveson Figueiredo.

"A categoria, num geral, vem crescendo bastante. Depois daquele 'zum zum zum' disseram que a categoria ia acabar, depois não ia acabar e não sei o que. A divisão vem crescendo bastante, o UFC vem trazendo bastante gente para a divsião, o que é muito importante. Já tivemos um russo novo que estreou em Brasília contra o Bruno, agora outro russo estreou. Tem outro que estreou no último sábado no peso mosca, então a divisão vem crescendo bastante. A única bagunça é que colocaram uma luta para ser decidida pelo título e o Deiverson foi lá e não bateu o peso, infelizmente. Travou toda a divisão novamente e eles vão ter que fazer esse rematch agora em julho", comentou sobre

"De certa forma, o UFC aposta, na minha opinião, no Benavidez para ser o campeão. Mas, na minha humilde opinião, acho que o Benavidez não vai ser campeão, acho que o Daigo vai ganhar esse cinturão. E isso vai ser muito bom para o Brasil e para nós brasileiros, que temos vários brasileiros correndo atrás desse cinturão aí. Pode ter certeza que a gente está bem representado no peso mosca."

Desde a saída de Henry Cejudo, o cinturão do peso mosca está vago. Deiveson Figueiredo teve a chance de conquistá-lo ao lutar com Joseph Benavidez, mas não bateu o peso e, mesmo com a vitória, ficou sem o cinturão. O UFC prepara uma revanche entre os dois e Formiga vê o brasileiro vencendo o cinturão e já pensa em como seria disputar o título com o compatriota.

"Seria muito bom para o Brasil. A gente saberia que o cinturão ficaria no Brasil independente de quem vencesse. Lógico, nunca é bom lutar contra um compatriota, comigo sempre foi assim no UFC. Primeira vez que eu enfrentei um brasileiro foi contra o Wilson Reis, cinco anos atrás, e eu tive que acabar separando esse patriotismo da gente e nunca é bom lutar com brasileiro. Mas, se ele virar campeão, não só eu vou estar correndo atrás de uma fatia desse bolo como vários brasileiros vão estar correndo atrás, então ele vai ter que segurar essa onda aí", analisou.

Sobre enfrentar o amigo Alex Perez, Formiga admitiu que será "difícil", mas eles são profissionais e, por isso, devem se enfrentar.

"Infelizmente é. Conheço o Alex há praticamente 10 anos, conheci ele em 2010, fora do UFC. Eu nem lutava no UFC, ainda, lutava no Tachi, um evento na Califórnia. Foi uma amizade muito boa até 2012, nos dois anos que eu lutei no Tachi antes de ir pro UFC e, na realidade, eu sempre falava que ele ia entrar no UFC, mas ele não acreditava. Ele acabou entrando no UFC. É meio delicado, mas a gente como profissional, ele aceitou a luta e a gente tem que entrar lá e sair na mão mesmo, depois a amizade continua, essa é a realidade. Tem que saber separar as coisas em determinado momento da carreira", comentou.

Formiga também falou sobre a preparação em meio à pandemia e durante o isolamento social.

"Para gente não está sendo muito difícil, não. Lógico, não é tão fácil, com essa pandemia o mundo inteiro está parado. Quando eu voltei do Brasil já da minha última luta e cheguei aqui, todos os comércios estavam parados, só os mercados abertos. Mas as academias estavam abertas para um certo grupo de pessoas, gente que já tinha luta marcada e não podia parar, ficou restrita, fechou ao público, mas os atletas profissionais puderam continuar treinando e a gente continuou treinando em grupo separado, é claro, a gente continou tocando o barco e não afetou tanto aqui na American Top Team."

Não será a primeira vez que Formiga luta sem público - ele participou do UFC Brasília, o primeiro evento sem público do UFC quando a pandemia ainda estava começando.

"Cara, confesso que foi um pouco diferente do que eu esperava. Lutar sem público é bem diferente, com certeza. Com público é bem mais contagiante, a adrenalina é bem mais a mil, principalmente na hora de entrar no cage, mas a gente é lutador profissional. Então quando a música tocar a gente tem que dançar, então foi diferente lutar em BRasília sem público, mas a gente sabe que não é ocasional. É uma coisa do mundo inteiro, não só nossa, e a gente sabe que para nossa segurança e de todos os envolvidos a gente tem que lutar sem público por enquanto. Vamos tocar o barco, torcer para tudo isso passar rápido e que a gente possa voltar a lutar com público porque é muito empolgante ter público na arena."

Por fim, Formiga falou sobre o que é preciso para disputar o cinturão.

Com certeza é voltar a vencer. Vencer e vencer bem agora. O que aconteceu com o Brendon é passado, eu achei que não tinha perdido a luta, mas a gente tem que virar a página, é uma luta de cada vez. Agora é vencer e vencer bem, fazer uma grande performance. Quero focar nessa luta e voltar para o bolo novamente, tem muita gente brigando por esse title shot. O Deiveson luta com o Benavidez agora em julho e vamos ver quem vira o campeão da divisão para gente sair correndo atrás."