UFC 249 será em ginásio vazio, mas MMA está acostumado até a clube de striptease e rodeios

Arenas vazias? Uma ilha particular com um octógono na areia? Não surpreende muito, segundo veteranos do MMA.

Perguntamos aos lutadores sobre as circunstâncias mais estranhas que eles já haviam enfrentado em uma luta, e a maioria tinha uma história que, com certeza, supera tudo aquilo que veremos nas lutas das próximas semanas.

Os incríveis relatos incluem uma futura superestrela trancada em seu vestiário, uma luta contra alguém chamado Bunny (tradução: Coelhinha) em um clube de strip-tease, dança em bar antes de uma luta e problemas estomacais no Olive Garden.

Ilima-Lei Macfarlane, campeã peso mosca do Bellator

Eu namorei Aaron Brewer, do Arizona Cardinals, por seis anos e decidi ir para um de seus jogos em San Diego uma vez em 2013 ou 2014. Comecei a treinar MMA, mas só tinha tido poucas lutas amadoras até o momento. Enquanto estava no Arizona, fui treinar com uma amiga que era lutadora e stripper. Ela perguntou se eu queria assistir algumas lutas de MMA naquela noite em um clube de strip-tease, e eu disse que sim.

Quando chegamos lá, eles estavam procurando alguém para lutar com uma dos strippers, "Bunny". Liguei para o meu treinador para ver o que ele pensava sobre isso. Ele disse para ir em frente, então eu fui. Eu estava de camiseta regata e shorts de academia, e ela estava de biquíni. Eu ganhei, mas ela batia forte. Foi hilário.

Scott Holtzman, peso-leve do UFC

Eu estava 6-0 e era o campeão do XFC quando a promoção acabou em 2014. Joe Silva, o cara que faz as lutas do UFC, disse: "Gostaríamos que você tivesse outra luta, e talvez lhe enviaremos um contrato".

Eu precisava de uma luta nesta data específica e queria um oponente forte. Eu não me importava onde fosse. Acabou sendo em Abingdon, Virginia. O evento foi em um celeiro de rodeio. Eles colocaram uma pequena gaiola lá dentro. Todos os meus amigos e familiares vieram para ver.

Eu estava aquecendo na terra. Tinha cheiro de m*** de vaca, estrume de cavalo, tudo. Foi difícil. O cheiro era como se os animais morassem lá e só tivessem sido retirados no começo do dia. Eu acabei ganhando a luta e assinei com o UFC depois.

Calvin Kattar, peso pena do UFC

Em New Hampshire, eles fazem um grande evento de motos anualmente - Laconia Motorcycle Week. Eu costumava ir todos os anos quando criança. Tinha um milhão de motos. Era loucura. Alguns anos atrás, meu amigo Dave George, que promovia o Combat Zone MMA, queria realizar um evento na mesma semana.

Foi uma experiência bem legal: lutar ao ar livre, respirar ar fresco enquanto derrubava meu oponente. Tem alguma coisa em receber esse oxigênio fresco em seus pulmões quando você vai lutar... Era quase como se eu estivesse prestes a brigar na rua, mas contra um oponente legítimo. Foi um evento maluco e emocionante, com motoqueiros gritando loucamente. Eu venci no primeiro round.

Charles Rosa, peso pena do UFC

Na minha primeira luta amadora de MMA, fui de carro até o Tennessee. Eles tinham uma gaiola montada no meio de um rodeio. Eu estava me aquecendo em uma pequena cabana nos fundos. Começou a chover. Eu tive que andar na lama para chegar à gaiola para lutar - parecia uma cena do filme “Gladiador”. Eu pensei que era assim que se lutava. Não tinha ideia.

Eu estava encharcado. Estávamos escorregando enquanto lutávamos. Quando o segundo round começou, estava chovendo. Lama entrou na gaiola. Eu tinha lama entre os dedos dos pés, nos tornozelos. Eu consegui pegá-lo em um triângulo no segundo round. A torcida foi à loucura.

Mackenzie Dern, peso palha do UFC

Eu lutei uma vez em um bar de música country em San Antonio. Fomos de ônibus e chegamos cedo, então tivemos muito tempo para esperar. Eu nem sei se as pessoas no bar sabiam que rolariam umas lutas ali. Antes da luta, eu dancei um pouco no palco. Eu sou uma boa dançarina. Dancei muito com minha avó quando era jovem. Eu sabia o que estava fazendo.

O espaço onde tínhamos que nos aquecer era próximo a um fliperama. Tinha uma máquina de pinball e uma máquina de basquete. Lá estava eu tentando me aquecer, fazer uns movimentos básicos e as pessoas ao meu redor todas jogando. Eu até arremessei algumas bolas - meus braços ficaram mais soltos. Eu ganhei a luta.

Urijah Faber, membro do Hall da Fama do UFC

Minha primeira derrota foi contra Tyson Griffin em 2005. Estávamos lutando ao ar livre, e o tatame estava muito quente - dois caras já tinham machucado os pés no começo da noite. As pessoas que montaram o ringue correram e não colocaram o nível inferior do tatame, então era apenas o metal no nível de baixo. Com 14 segundos de luta, joguei um overhand, tentei derrubá-lo e fui de cabeça no metal. Eu precisei de sete pontos na minha cabeça após o primeiro round. O médico entrou, mas ele era veterinário e deixou a luta continuar. Tivemos uma luta incrível, mas eu perdi no terceiro round. Depois disso, venci 13 lutas consecutivas.

Michelle Waterson, peso palha do UFC

Minha estreia profissional foi no Colorado em 2007. Lutei no card preliminar de um evento com Donald Cerrone. O Donald, na verdade, esteve no meu corner e depois foi para a luta dele. Eu estava tão nervosa. Lembro que estava trabalhando para o Hooters (um restaurante) ainda naquela época.

Eu como muito quando estou nervosa. Duas horas antes da luta, fomos ao Olive Garden. Eu comi um pouco de fettuccine Alfredo. Eu estava cheia e nervosa. Até bebi dois energéticos.

Durante a luta, eu fui derrubar a minha adversária – e ela me deu uma joelhada quando eu caí em cima dela. Lembro do vômito vindo até a minha boca, eu tinha que colocar para fora. Mas o sinal de 10 segundos restantes veio, então eu segurei. Minha boca estava cheia de vômito. Fui até o corner e vomitei o resto do fettuccine. Nós limpamos... e eu voltei e ganhei a luta.

Aljamain Sterling, peso galo do UFC

A Raging Wolf, uma promoção, me ligou. Eles me ofereceram 500 dólares para bater 61kg e fazer uma luta amadora em uma reserva de nativos a cerca de seis horas de onde eu morava em Long Island. Era uma luta amadora, mas eles me pagariam. Naquela época, eu pesava 69kg, então tive que fazer um corte drástico no peso.

Eu pensei que o juiz iria parar a luta porque ele me viu vomitar entre os rounds 4 e 5. Eu disse ao meu irmão, que estava no meu corner, para me dar o balde, mas ele não podia jogá-lo pela gaiola. Então ele colocou perto dos buracos da gaiola e eu comecei a vomitar. Eu pensei, espero não ser pressionado contra a gaiola aqui, porque isso foi nojento. Acabei ganhando. Na verdade, foi uma das minhas melhores lutas como amador.

Valentina Shevchenko, campeã peso mosca do UFC

Nunca esquecerei uma das minhas lutas desde 2003, quando eu tinha 15 anos. Foi no campeonato mundial de Muay Thai. Toda a minha família viajou do Quirguistão para a Europa para ver semifinais e finais, e eu fui para o vestiário para me preparar para a luta. Estávamos eu, minha irmã Antonina e mais uma garota. Logo antes de entrarmos para lutar, tentei abrir a porta - e percebi que estava trancada.

Estavam anunciando nossos nomes e não conseguíamos abrir a porta! Tentamos arrombar, mas não conseguimos. Comecei a pensar: "Como eu vou voltar ao meu país e dizer que perdi porque me tranquei em um vestiário?" Mas então a outra garota começou a gritar muito alto - tão alto que os seguranças escutaram. Eles finalmente chegaram e destrancaram a porta, e eu entrei no ringue. Não lembro muito bem da luta. Só lembro que lutei com pura adrenalina e venci - e depois fui campeã do torneio.

TJ Dillashaw, ex-campeão peso mosca do UFC

Na minha última luta antes do "The Ultimate Fighter", lutamos na academia de Urijah Faber, no centro de Sacramento, na Califórnia. Provavelmente não deveríamos fazer lutas ali. Não era muito grande. Era apenas um ringue de boxe. Mas foi bem legal.

Foi como o filme “Clube da Luta”. Não havia segurança. O amigo de Urijah estava anunciando a luta. Nós aquecíamos nos tatames em que treinávamos todos os dias. A única coisa que me separou do meu oponente durante os aquecimentos foi uma cortina de tecido fino. Não ficávamos em salas separadas [como acontece hoje]. Você podia ouvir todas as palavras sendo ditas.

Foi uma loucura, porque meus amigos e familiares podiam chegar bem perto do ringue e encostar em mim. As pessoas estavam quase no ringue enquanto estávamos lutando. Lembro de ver meus colegas do ensino médio na academia gritando o meu nome.

Era uma vibe diferente, com certeza. Depois que ganhei, corri ao redor do ringue e cumprimentei todos.

Michael Chiesa, peso meio-médio do UFC

Certa vez, lutei em um lugar sujo e feio em Spokane, Washington, com o menor ringue de todos os tempos. Sempre tinha mais gente lá do que o local capacitava. Foi a primeira luta que consegui convencer meus pais a irem ver. Meu pai tem 1,98m e é um cara polarizador - e ele realmente não sabia como tudo funcionava.

Meu oponente era um wrestler muito melhor e estava me derrotando. Sempre que eu ia parar nas cordas, meu pai - que estava no meu corner - aparecia e gritava comigo.

Então eu fui para cima e acabei indo parar perto do corner do meu oponente. O corner dele era o pai dele também. Meu pai correu para o corner do meu oponente e começou a gritar comigo. De repente, o pai do meu oponente deu um soco no meu pai. Eu nem sabia que isso estava acontecendo. Meu treinador não me contou até o dia seguinte. Dois pais estavam lutando enquanto seus filhos também estavam.

Joseph Benavidez, peso-mosca do UFC

Eu lutei na minha primeira luta amadora na minha cidade natal, Las Cruces, Novo México. Acabou sendo com um garoto que fez o ensino médio comigo. Ele era mais novo que eu, então foi estanho lutar contra um cara de uma classe abaixo da minha. Eu sabia que ele praticava karatê e lutava quando criança, mas não achei que ele fosse tão duro. Eu bati muito nele e o finalizei com cerca de dois minutos.

A parte legal da história é que, provavelmente cinco anos depois, ele entregou um pacote da UPS em minha casa. Tiramos uma foto juntos e relembramos. Ele disse: "Cara, é tão legal ver o que você está fazendo agora". Compartilhei a foto na internet. Mas fiquei chateado porque as pessoas pensavam "Ah, engraçado ... ele perdeu, você ganhou, agora olha onde ele está". Eu estava no WEC na época e eles pensaram que eu estava muito melhor que ele. Eu fiquei tipo, "Galera, os motoristas da UPS são os que têm benefícios. “

Carla Esparza, ex-campeã do peso palha do UFC

Um dos lugares mais estranhos em que lutei foi Clovis, Novo México. Era uma cidade pequena, no meio do nada. Nós não ficamos em um hotel. Ficamos em uma antiga casa de repouso mal-assombrada. Mais ou menos como um hospital. Eles transformaram um dos andares em um hotel. Foi muito assustador. Ventava muito. Todos tentavam se assustar, entrando de fininho nos quartos dos outros.

Foi maluco. Eu lutei com essa garota - "Yaya" Anzaldua - que tinha cabelos curtos pintados de vermelho, branco e verde. A torcida estava com ela. Ela entrou com uma banda de mariachi, e parecia um desfile. As pessoas estavam jogando confete. Eu venci essa luta em questão de segundos.