A única vez em que Nate Diaz esteve no Madison Square Garden para um evento do UFC, ele teve que ser colocado para dentro. O veterano do UFC estava no público que viu de perto o nocaute de Conor McGregor para cima de Eddie Alvarez.
"Eles não queriam me deixar entrar, lembra?" Diaz disse para Ariel Helwani, em uma recente conversa do lutador com o repórter e apresentador da ESPN. "Eu tive que entrar pelos fundos com a ajuda de uns amigos que trabalham aqui. Eles me colocaram para dentro".
Naquele tempo, segundo o próprio Nate Diaz, ele e o UFC estavam "batendo cabeças", então ele não havia sido convidado.
Nada como um dia após o outro.
Na próxima vez que Diaz assistir a uma luta no MSG, ele será um convidado de honra. Seu nome e imagem estarão espalhados pela arena e em pôsteres, enquanto Diaz enfrenta Jorge Masvidal pelo que o UFC está comercializando como título da BMF.
Nos três anos desde que Conor McGregor derrotou Eddie Alvarez para se tornar o primeiro lutador na história do UFC a ser campeão de duas categorias diferentes ao mesmo tempo, Diaz lutou apenas uma vez, contra Anthony Pettis em 17 de agosto - e venceu. Após a vitória, Nate chamou Jorge Masvidal para lutar. O mesmo Masvidal que nocauteara Ben Askren em cinco segundos um mês antes - um recorde do UFC.
O desempenho de Diaz contra Pettis reenergizou sua grande e leal base de fãs, e a reação do público à sua ideia fez com que Dana White não tivesse outra opção: a luta tinha que acontecer.
Enquanto Diaz e Helwani percorriam a arena, a conversa foi do relacionamento de Nate com seu irmão Nick até como ele deixou de ser um cara desrespeitado para o UFC para uma de suas maiores estrelas, entre outros assuntos.
| Nate Diaz fala sobre 'culpa' que seu irmão sentia por ter o colocado no MMA: 'Depois até me disse que fiz um bom trabalho' |
As respostas foram editadas quanto ao conteúdo, clareza e tamanho.
ESPN: Lutar no Madison Square Garden é algo especial para você? Como um sonho realizado?
DIAZ: Não, eu nem pensei nisso. Mas agora que está acontecendo, é muito legal. É muito legal, tipo, eu nem sei, mas tenho certeza que Muhammad Ali e Mike Tyson lutaram aqui, certo?
ESPN: Sim. Bem, Muhammad Ali x Joe Frazier, 8 de março de 1971, é como a luta de boxe mais famosa de todos os tempos.
DIAZ: E sempre que alguém faz um show aqui, é diferente. Então é bem legal, com certeza.
ESPN: Então, você será a atração principal deste card em 2 de novembro. O UFC normalmente não coloca eventos em pay-per-view sem que haja um título em jogo. Nos dois primeiros eventos aqui, tivemos três disputas por cinturão. Você percebe como isso é grande? Você se sente orgulhoso de ter 'forçado' o UFC a fazer isso?
DIAZ: Eu não os forcei a fazer nada. O que eu fiz foi pedir para lutar e eu disse que era o cara mais durão do UFC.
ESPN: Eu queria saber se você esperava que isso acontecesse tão cedo. Três meses depois.
DIAZ: Sim, quem sabe quanto tempo. Por que eu não luto há três anos? Se dava para fazer, por que não, sabe? Esse cara [Masvidal] teve uma luta do c****. É isso que estou procurando - o melhor lutador. E deu certo. Vou lutar contra ele no Madison Square Garden.
ESPN: Masvidal pareceu muito feliz com o seu desafio.
DIAZ: Bem, acho que eu também estaria, porque é um reconhecimento. E ninguém me reconheceu quando eu fiz.
ESPN: Você achou que isso se materializaria em um cinturão, coisa que o UFC está fazendo?
DIAZ: Não. Quem se importa com isso? Só o fato de estarmos no evento principal deste card já é muito especial.
ESPN: Você já tinha imaginado isso tudo? Você achou que isso era possível quando você entrou nisso há 15 anos?
DIAZ: Não. Eu estava dando um passo de cada vez.
ESPN: Qual era o seu grande objetivo?
DIAZ: Eu nem pensei em dinheiro. Eu nem estava pensando em ganhar dinheiro.
ESPN: Do que se tratava?
DIAZ: Eu não tinha um emprego. Não é bom ficar em casa o dia todo, sem fazer nada. Mas quando eu treinei, me senti bem Então isso estava me mantendo ocupado. Agora é só vencer todas as lutas pelo time. Representar o meu time. Foi bom ver meu irmão [Nick] vencer uma luta, e meus parceiros Gil [Melendez] e Jake [Shields] todos ganharem suas lutas. Para mim, é como fazer o meu trabalho, fazer a minha parte. Eu também tenho que vencer.

ESPN: Você tem falado muito sobre o seu irmão... Existe uma razão em particular para isso?
DIAZ: Sim, sempre foi assim, esse exército do Nick Diaz. Temos uma equipe inteira na academia, e todos somos irmãos. Mas ficaremos lá a noite toda e, assim que o treinamento começar, serão 25 pessoas lá todos os dias. E toda a equipe com trabalhos regulares fica lá até as 2 da manhã, 3 da manhã, treinando. Nick começou tudo isso também. Se alguém tivesse uma luta marcada, ele ficaria lá a noite toda. É legal que seja assim. ... Esse é o Nick Diaz Army.
ESPN: Existe alguma chance de ele estar no seu corner para essa luta?
DIAZ: Depende dele. Você teria que perguntar a ele. Não sei se ele quer se envolver. Eu sou irmão dele. Na verdade, também não quero estar no corner dele. Eu não quero vê-lo lutar.

ESPN: Em 2017, após ser suspenso, ele disse: "Estou chateado por não poder estar lá para o meu irmão agora, já que ele estará lutando em breve. É uma pena que ele tenha entrado nesse esporte; Eu nos envolvi nisso e, se não ganhar dinheiro, não tenho como nos tirar." Então ele sentiu responsabilidade por você. Você já tinha ouvido isso antes?
DIAZ: Não, mas eu entendo, com certeza. Porque, tipo, o que mais eu ia fazer? Foi isso que me prendeu, entende?
ESPN: Mas ele se sentiu mal por você ter recebido um soco e não estar ganhando dinheiro.
DIAZ: Ver a luta de parentes ou alguém da equipe não é legal. ... Mas está tudo bem agora, porque eu quis estar aqui.
ESPN: Você acha que ele se sente melhor agora que você ganhou dinheiro, que está no topo? Ou ainda acha que ele quer que você pare?
DIAZ: Eu não acho que ele é muito interessado nisso. Não posso falar por ele.
ESPN: Ele alguma vez diz, "Ei, estou orgulhoso de você" ou "Bom trabalho"?
DIAZ: Sim, ele fala essas coisas.
ESPN: Seu pai vai às lutas?
DIAZ: Ah, não, não mesmo.
ESPN: Você não gosta de ninguém lá, certo?
DIAZ: Eu simplesmente digo para ninguém vir.
ESPN: Por que isso?
DIAZ: Acho que as pessoas querem convites. Mas eu simplesmente não gosto da sensação disso - "Ei, venha me ver lutar! Venha aqui! Venha!" Todo mundo fala comigo como se fosse algo glorioso. Mas penso na parte negativa muito mais do que na parte positiva.
ESPN: Como ser massacrado?
DIAZ: Sim, como ser nocauteado, ter seus dentes quebrados, sua perna... Existem muitos lados negativos.
| Após pesagem, Nate Diaz sai resmungando e meio desorientado: 'Cadê minhas calças?!' |
ESPN: Lembro-me de uma vez, há dez anos, perguntei ao seu irmão: "Você está animado para esta próxima luta?" Ele ficou tão bravo comigo por usar o termo "animado". Disse que não dá para ficar feliz com esse tipo de coisa. Você sente o mesmo?
DIAZ: Sim, eu me sinto 100% assim, e ninguém admite. Tipo, você está feliz por entrar em uma briga? Que p*** é essa? É o que eu faço, e eu estou em paz com isso. Eu não vou ficar super feliz e empolgado por conta de uma luta. É trabalho. Eu fico feliz por um trabalho bem feito e o que me empolga é que todos vamos jantar depois.
ESPN: Você não gosta de lutar?
DIAZ: Eu não consigo explicar. Eu quero entrar lá e fazer tudo igual. Eu não estou reclamando. Não posso viver com isso, não posso viver sem isso. É esse tipo de coisa.
ESPN: Da mesma maneira que sabia que o Masvidal era o próximo depois da sua última luta, você já sabe quem será o adversário depois dessa?
DIAZ: [Risos] Eu não sei. Quando eu fizer isso, vai ser real, nada encenado. Eu vou defender esse cinturão do Madison Square Garden contra esse cara porque eu sou durão e ele também, e o melhor sairá vencedor.
