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Aldo conta como sentiu na pele as críticas por derrota para McGregor e 'quebra' tabu do UFC: 'Psicólogo é fundamental'

José Aldo esteve no topo do mundo por muito tempo. Invicto por 10 anos, campeão do UFC por cinco. Considerado um dos melhores lutadores de todos os tempos, ídolo brasileiro. Mas tudo isso foi desprezado em 13 segundos, o tempo que Conor McGregor precisou para derrotá-lo. O herói se transformou em vilão nas redes sociais, e uma enxurrada de críticas o abalou de uma forma que ele não esperava.

“Tenho uma aproximação com jogadores de futebol e via isso acontecendo com eles, mas não sentia na pele como é que era. Eu era o campeão dominante, todo mundo me colocava em um pedestal de ouro. Quando perdi, foi tanta mensagem que recebi falando que eu era um nada. A gente fica bem triste com isso”, conta Aldo em entrevista exclusiva ao ESPN.com.br.

“Aqui no Brasil, em geral, não separo nenhum esporte, você só é o cara quando está ganhando. A partir do momento que você conhece a derrota, todos aqueles que sempre te aplaudiram, vão te tacar pedra. E amanhã quando você ganhar de novo, esses que estão te tacando pedra, vão te aplaudir. É uma relação bem louca. Mas aí você fica bem cascudo, experiente, sabe como lidar com aquilo”, complementa.

Toda a situação fez com que Aldo revisse as próprias ideologias ao falar de um ‘tabu’ no MMA: a psicologia. Em 2015, quando enfrentou McGregor, ele dispensava a ajuda do psicólogo contratado pela Academia Nova União. Agora, olha a situação com olhos completamente diferentes.

“Eu particularmente sempre fui muito voltado para treino, acredito muito no treino, que quanto mais treinar você chega lá dentro, representa e vença. Não aceitava um psicólogo tratar pelo fato de estar sempre na academia treinando”, diz.

“Mas hoje em dia não, vejo com outros olhos. Não só a luta, mas qualquer esporte tem que ter um acompanhamento psicológico. Um psicólogo no dia a dia que possa conversar com você, possa te colocar para frente. É um complemento daquilo que você faz na semana treinando, até chegar no dia da prova. Eu vejo com bons olhos hoje em dia e espero que qualquer esporte possa contratar e ter um psicólogo acompanhando atleta. Acho que é fundamental e aos poucos a gente vai quebrando esse tabu, essa coisa de não entender. É de suma importância ter um cara como esse”, complementa.

Aldo enfrenta o australiano Alexander Volkanovski no UFC 237, no Rio de Janeiro, neste final de semana. O evento terá acompanhamento IN LOCO durante toda a semana e será contado em TEMPO REAL no ESPN.com.br/mma.

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