2 minutos, 2 segundos e 2 finalizações: quem é a sensação brasileira que chegou 'chutando a porta' no UFC

Gabriel Bonfim comemora vitória sobre Trevin Giles no UFC 291 Josh Hedges/Zuffa LLC via Getty Images

Em um card recheado do UFC 291 deste final de semana, muito se esperava dos diversos brasileiros espalhados entre as 11 lutas. Mas foi um dos menos conhecidos que roubou a cena.

Afinal de contas, ele segue invicto e nunca sequer deixou os juízes definirem o resultado de um combate - as vitórias são sempre por finalização ou nocaute.

Trata-se de Gabriel Bonfim, o Marretinha.

Agora, são 15 lutas de MMA no cartel, com 15 vitórias. São incríveis 12 finalizações e três nocautes para ele. Neste sábado (29), a vítima foi Trevin Giles, que tomou uma guilhotina ainda no 1º round.

Gabriel é de uma família de lutadores. Ele e o irmão Ismael Marreta entraram no UFC juntos, ao vencerem e convencerem em suas lutas no Contender Series.

Mas, na verdade, eles estão vivendo o sonho do irmão mais velho. Foi Odair Bonfim quem vislumbrou primeiro um futuro como lutador. Ele bem que tentou, mas uma lesão no joelho o impediu de seguir em frente. O sonho, porém, não morreu. Foi apenas transformado.

“Depois disso ele treinou outras pessoas, mas elas não acreditavam no sonho que ele tinha. Os dois irmãos mais novos dele acreditaram. E a gente chegou, graças a ele e ao sonho dele”, conta Gabriel.

“A gente nasceu praticamente dentro do tatame. Era a casa em cima e a academia embaixo. Foi meio difícil no começo, a gente não queria. A gente queria brincar, jogar bola e fazer essas coisas. Ele deu uma forçadinha no começo, até os 13 ou 14 anos quando a gente pegou gosto pelo esporte”, segue.

“O Odair sempre foi nosso pai, a gente não teve um pai presente e ele pegou esse papel para ele. Ele cuidava e educava. Sempre teve academia, uma base financeira um pouco melhor. Então ele sempre cuidou da gente, pagava os campeonatos e manteve a gente nesse caminho para a gente não precisar trabalhar. A gente ajudava ele ali na academia, mas ele sempre deu a base”, complementa.

Mas talvez nem os sonhos mais otimistas poderiam prever que Gabriel fosse tão bem na carreira. Ele chegou a ser campeão brasileiro de boxe antes de ir para o MMA. O que traz uma curiosidade: mesmo com o passado maior na luta em pé, o brasileiro se destaca mesmo nas finalizações.

São 11 no total. E foram com elas que ele entrou no UFC (um raro Von Fluke Choke contra Trey Water no Contender) e que ele estreou com uma vitória avassaladora em apenas 49 segundos (uma guilhotina contra Mounir Lazzez no UFC 283, em janeiro, no Rio).

E Gabriel ainda garante que a invencibilidade não é um peso a mais para ele carregar em seus ombros.

“Meu irmão (Ismael) perdeu a luta passada e fiquei pensativo nisso, mas depois vi que é o nosso trabalho. Perde agora e depois volta melhor. Peguei isso para mim, foi um aprendizado. Não tenho medo da derrota, o jogo é esse”, disse.

São essas as credenciais que o colocam como um grande candidato a fazer uma coisa inédita para o Brasil: se tornar campeão meio-médio do UFC. É a única categoria masculina do Ultimate que nunca teve um campeão brasileiro.

Isso ainda parece em um futuro um tanto distante. Mas o próximo passo é certo: neste sábado, no UFC 291, contra Trevin Gilles.

Veja o card completo do UFC 291:

CARD PRINCIPAL

Dustin Poirier (EUA) x Justin Gaethje (EUA) – leves (cinturão BMF)
Jan Blachowicz (POL) x Alex Poatan (BRA) – meio-pesados
Derrick Lewis (EUA) x Marcos Pezão (BRA) - pesados
Tony Ferguson (EUA) x Bobby Green (EUA) - leves
Kevin Holland (EUA) finalizou Michael Chiesa (EUA) com um triângulo de mão aos 2:39 do 1º round – meio-médios

CARD PRELIMINAR

Gabriel Bonfim (BRA) finalizou Trevin Giles (EUA) com uma guilhotina a 1:13 do 1º round – meio-médios
Vinicius Salvador (BRA) venceu CJ Vergara (EUA) na decisão unânime dos jurados (29-28, 29-28 e 29-28) - moscas
Roman Kopylov (RUS) nocauteou Cláudio Ribeiro (BRA) a 0:33 do 2º round - médios
Jake Matthews (AUS) finalizou Darrius Flowers (EUA) com um mata-leão aos 2:37 do 2º round – meio-médios
Uros Medic (SER) nocauteou Matthew Semelsberger (EUA) aos 2:36 do 3º round – meio-médios
Miranda Maverick (EUA) finalizou Priscila Pedrita (BRA) com uma chave de braço aos 2:11 do 3º round – moscas feminino

* Horários de Brasília