O fã brasileiro de MMA certamente estará atento a Alex Poatan no UFC 291 deste final de semana. Mas vale a pena prestar bastante atenção em outro atleta do país que entrará em ação. Afinal de contas, ele está invicto e nunca sequer deixou os juízes definirem o resultado de um combate. Afinal, as vitórias são sempre por finalização ou nocaute.
Trata-se de Gabriel Bonfim, o Marretinha.
Até agora, são 14 lutas de MMA no cartel, com 14 vitórias. São incríveis 11 finalizações e três nocautes para ele.
Gabriel é de uma família de lutadores. Ele e o irmão Ismael Marreta entraram no UFC juntos, ao vencerem e convencerem em suas lutas no Contender Series.
Mas, na verdade, eles estão vivendo o sonho do irmão mais velho. Foi Odair Bonfim quem vislumbrou primeiro um futuro como lutador. Ele bem que tentou, mas uma lesão no joelho o impediu de seguir em frente. O sonho, porém, não morreu. Foi apenas transformado.
“Depois disso ele treinou outras pessoas, mas elas não acreditavam no sonho que ele tinha. Os dois irmãos mais novos dele acreditaram. E a gente chegou, graças a ele e ao sonho dele”, conta Gabriel.
“A gente nasceu praticamente dentro do tatame. Era a casa em cima e a academia embaixo. Foi meio difícil no começo, a gente não queria. A gente queria brincar, jogar bola e fazer essas coisas. Ele deu uma forçadinha no começo, até os 13 ou 14 anos quando a gente pegou gosto pelo esporte”, segue.
“O Odair sempre foi nosso pai, a gente não teve um pai presente e ele pegou esse papel para ele. Ele cuidava e educava. Sempre teve academia, uma base financeira um pouco melhor. Então ele sempre cuidou da gente, pagava os campeonatos e manteve a gente nesse caminho para a gente não precisar trabalhar. A gente ajudava ele ali na academia, mas ele sempre deu a base”, complementa.
Mas talvez nem os sonhos mais otimistas poderiam prever que Gabriel fosse tão bem na carreira. Ele chegou a ser campeão brasileiro de boxe antes de ir para o MMA. O que traz uma curiosidade: mesmo com o passado maior na luta em pé, o brasileiro se destaca mesmo nas finalizações.
São 11 no total. E foram com elas que ele entrou no UFC (um raro Von Fluke Choke contra Trey Water no Contender) e que ele estreou com uma vitória avassaladora em apenas 49 segundos (uma guilhotina contra Mounir Lazzez no UFC 283, em janeiro, no Rio).
E Gabriel ainda garante que a invencibilidade não é um peso a mais para ele carregar em seus ombros.
“Meu irmão (Ismael) perdeu a luta passada e fiquei pensativo nisso, mas depois vi que é o nosso trabalho. Perde agora e depois volta melhor. Peguei isso para mim, foi um aprendizado. Não tenho medo da derrota, o jogo é esse”, disse.
São essas as credenciais que o colocam como um grande candidato a fazer uma coisa inédita para o Brasil: se tornar campeão meio-médio do UFC. É a única categoria masculina do Ultimate que nunca teve um campeão brasileiro.
Isso ainda parece em um futuro um tanto distante. Mas o próximo passo é certo: neste sábado, no UFC 291, contra Trevin Gilles.
Veja o card completo do UFC 291 e os horários das lutas:
CARD PRINCIPAL – 23h
Dustin Poirier (EUA) x Justin Gaethje (EUA) – leves (cinturão BMF) – por volta de 1h
Jan Blachowicz (POL) x Alex Poatan (BRA) – meio-pesados – por volta da 0h30
Stephen Thompson (EUA) x Michel Pereira (BRA) – meio-médios – por volta da 0h
Tony Ferguson (EUA) x Bobby Green (EUA) - leves
Michael Chiesa (EUA) x Kevin Holland (EUA) – meio-médios
CARD PRELIMINAR – 19h30
Gabriel Bonfim (BRA) x Trevin Giles (EUA) – meio-médios
Derrick Lewis (EUA) x Marcos Pezão (BRA) - pesados
Roman Kopylov (RUS) x Cláudio Ribeiro (BRA) - médios
Jake Matthews (AUS) x Darrius Flowers (EUA) – meio-médios
CJ Vergara (EUA) x Vinicius Salvador (BRA) - moscas
Matthew Semelsberger (EUA) x Uros Medic (SER) – meio-médios
Miranda Maverick (EUA) x Priscila Pedrita (BRA) – moscas feminino
* Horários de Brasília
