Nesta quarta-feira, o Liverpool visita o Bayern de Munique, às 17h (de Brasília), pelo jogo de volta das oitavas da Uefa Champions League.
Com o 0 a 0 na ida, em Anfield Road, os ingleses dependerão de uma boa atuação de sua defesa para conter o forte ataque dos bávaros e sair da Allianz Arena com a classificação para a próxima fase.
E foi para ter uma zaga sólida que os Reds pagaram, em janeiro de 2018, incríveis 78,8 milhões de euros (quase R$ 340 milhões, na conversão atual) para contratar o holandês Virgil van Dijk do Southampton.
O montante transformou o atleta simplesmente no zagueiro mais caro de toda a história do futebol. E, pelo menos até o momento, o investimento mais do que compensou.
Desde sua chegada, a defesa de Jurgen Klopp ganhou outra cara, e hoje é a melhor da Premier League, com apenas 17 tentos sofridos em 30 jogos (o líder Manchester City levou 21).
E se dentro de campo Van Dijk se impõe pela extrema seriedade, fora das quatro linhas sua personalidade é muito diferente do que se imagina.
É o que conta o ex-goleiro Luciano da Silva, que foi revelado pelo pequeno Tombense e fez praticamente toda a sua carreira no futebol europeu. Ele jogou com Virgil no Groningen, da Holanda, e viu de perto a ascensão meteórica do hoje astro do Inglês.
"Quando o conheci, eu era do time principal e tinha ganho o prêmio de 2º melhor jogador do Holandês. Desde aquela época, o Virgil já era grandão, com aquele cabelo feio, que ele passava cuidando o dia anterior inteiro (risos)", brincou, em entrevista à ESPN.
"No começo, ele era quietinho no vestiário, mas, como sou um cara de cidade do interior, tenho por hábito acolher todo mundo que chega. Ele ficava me olhando, comecei a puxar assunto aos poucos e ficamos amigos", lembrou.
Luciano diz que, assim como Klopp faz hoje, Van Dijk era tanto uma arma ofensiva quanto defensiva desde os primórdios.
"Eu sempre assistia aos jogos do time B do Groningen e ele sempre se destacava, pois era diferenciado. Nosso treinador o convocou para o time de cima e no começo ele ficou algumas partidas no banco. Aí o técnico gostava de usá-lo como atacante quando nossa equipe estava ruim. Tipo o que faziam com o Fellaini no Manchester United e na Bélgica, sabe? Ele ganhava todas as bolas pelo alto, era impressionante. Não lembro dele perder uma jogada de cabeça", exaltou.
Foi na temporada 2010/11 que ele se firmou como titular.
"Depois de uns três meses de adaptação, não teve jeito. A diretoria vendeu um zagueiro sueco [Fredrik Stenman foi para o Brugge-BEL], o Van Dijk virou titular e não saiu mais", rememorou.
Daí em diante, foi só sucesso: do Groningen, Virgil foi vendido para o Celtic, da Escócia, por 3 milhões de euros. Da equipe alvirrubra, foi negociado para o Southampton por 15,7 milhões de euros. E, finalmente, em 2018, foi para o Liverpool pelo valor que o transformou no defensor mais caro de toda a história.
"Ele é completo. Tem personalidade e nunca sente a pressão em campo. Mesmo quando era novo já comandava a defesa no grito, e taticamente sempre se achava, nunca estava perdido. Sabe sair jogando, não é lento e pelo alto raramente perde um lance. É hoje o melhor zagueiro do mundo, na minha opinião. Ninguém passa por ele no um contra um, e além de tudo tem muita força física", elogiou Luciano.
"E após sair da Holanda, ele melhorou ainda mais. Amadureceu muito na Escócia e depois no Southampton. Tanto é que o Klopp viu enorme potencial nele", completou.
"ELE É AXEZEIRO"
Luciano e Van Dijk fortaleceram a amizade jogando videogame na casa do brasileiro.
"Eu leveva o Virgil e outros colegas em casa para jogar Call of Duty. Fazíamos uns torneios de Playstation pegados lá, éramos viciados nesse jogo (risos)", divertiu-se.
"Além disso, ele sempre jantava em casa. Minha filha era pequena e tinha medo dele, porque a voz do cara é muito grossa (risos). Ela ouvia e saía correndo! Minha esposa preparava feijoada, picanha e outras coisas brasileiras. Ele adorava!", contou.
Com o tempo, Luciano ganhou tanto a confiança que logo o holandês abriu seu coração.
"Ele tem uma história de vida muito difícil no aspecto familiar, conforme ele me contou. O pai abandonou a casa quando o Virgil era criança, e a mãe criou os três filhos sozinhas", relatou.
Por conta disso, o defensor usa apenas seu nome de batismo (Virgil) na camisa, deixando o sobrenome do pai (Van Dijk) de fora, em uma situação semelhante ao do britânico Dele Alli, do Tottenham.
"Nunca me esqueço que o pai dele se aproximou novamente depois que o Virgil ficou famoso no Groningen. Ele não aceitou isso muito bem naquela época, ficou muito marcado para mim", relatou.
Luciano ainda descreve Van Dijk como um atleta exemplar e um cara tranquilo, por vezes fechado em alguns aspectos, mas extremamente alegre e solto quando está com os companheiros no vestiário.
"Ele é tranquilo, quietão e na dele. Mas com a gente, era um rapaz fenomenal, conversava e brincava muito. Ele se cuida pra caramba, não é de farra, e sempre foi muito humilde. Às vezes parecia um pouco tímido, mas tem uma presença fenomenal no vestiário. Ele é muito alto e tem aquele vozeirão, impõe respeito naturalmente (risos). Tem uma personalidade ótima", ressaltou.
Por fim, o ex-goleiro ainda revela que sua proximidade com Van Dijk fez o defensor se apaixonar pela música brasileira, especialmente pelo famoso axé da Bahia.
"Eu era o cara mais velho do clube nessa época e ficava responsável pelo som do vestiário. A gente adorava ouvir música brasileira, e de cara ele curtiu samba e axé. Eu mostrei Ivete Sangalo e Chiclete com Banana e ele adorou, gostava muito. É axezeiro (risos)!", gargalhou.
"É capaz dele lembrar das músicas ainda hoje, porque nós ouvíamos direto! Muitas vezes a gente ficava dançando no vestiário depois de uma vitória. Foi um tempo muito bom", encerrou.
