Neste sábado, o Palmeiras recebe o Santos, às 19h (de Brasília), no Allianz Parque, pela 8ª rodada do Campeonato Paulista.
Além de opor os dois times de melhor campanha no Estadual, o confronto terá um duelo de treinadores de peso: Luiz Felipe Scolari, do Alviverde, e Jorge Sampaoli, da equipe praiana.
Será a 4ª vez que eles se encontrarão em casamatas opostas, com todos os duelos anteriores tendo ocorrido no momento em que Felipão comandava a seleção brasileira e o argentino estava à frente do Chile.
O retrospecto é de uma vitória para Scolari e dois empates, em partidas que tiveram momentos marcantes.
Um dos embates, inclusive, valeu vaga em mata-mata de Copa do Mundo!
Relembre como elas foram:
BRASIL 2 x 2 CHILE - 24/04/2013
O amistoso foi a última partida do Brasil antes da divulgação da lista para a Copa das Confederações 2013, em que a equipe canarinho terminaria campeã. No entanto, o clima não foi nada bom naquela quarta-feira, no Mineirão lotado - o estádio estava sendo reaberto após as reformas para deixá-lo no "padrão Fifa".
Durante o duelo, a torcida se irritou muito com o desempenho da equipe de Felipão e vaiou muito o time (Neymar, chamado de "pipoqueiro", acabou sendo o principal alvo). Também foram ouvidos vários gritos irônicos de "olé" enquanto os chilenos tocavam a bola.
Em campo, Marcos González (à época, zagueiro do Flamengo) abriu o placar para a Roja, logo aos 7 do primeiro tempo, e Réver empatou 20 minutos depois.
Na volta do intervalo, Neymar virou para o Brasil, mas Vargas igualou pouco depois para os estrangeiros, decretando o resultado final.
O Brasil formou sua equipe naquele dia com vários nomes conhecidos dos torcedores nacionais, e até alguns atletas mais "alternativos", como o atacante Osvaldo, hoje no Fortaleza, que à época jogava no São Paulo e era chamado carinhosamente de "Cristiano Osvaldo".
A escalação foi Diego Cavalieri; Jean (Marcos Rocha), Dedé (Henrique), Réver e André Santos; Ralf (Fernando), Paulinho, Jadson (Osvaldo) e Ronaldinho Gaúhco; Neymar (Leandro Damião) e Alexandre Pato.
Em entrevista à ESPN, André Santos falou sobre a partida.
"Foi um prazer ser treinador pelo Felipão, um cara vitorioso e campeão brasileiro. É técnico de qualidade enorme e sou grato por ter me chamado para seleção. Jogamos na reabertura do Mineirão e foi um prazer. Estar vestido a camisa do Brasil é sempre muito bacana. Lembro que foi um jogo muito truncado, que o Felipão falou bastante na preleção que (o Sampaoli) era um treinador que gostava de ir para cima, agredir e que não tinha medo de atacar. Além disso, ele ressaltou que o time sempre saía tocando a bola, sem chutão", recordou.
"Foi um amistoso muito difícil, eles saíram ganhando, nós viramos para 2 a 1 e seguramos um pouco, mas eles empataram no fim com um chute do Vargas, que jogava comigo no Grêmio. A equipe do Chile jogava muito com a bola no pé, e quando não estava com ela, eles marcavam muito, numa intensidade absurda. Era um elenco bem aguerrido, corriam e muito e pareciam incansáveis (risos)! Sampaoli tem muita qualidade também e está implantando agora no Santos a cara dele e o ritmo dele. Será muito proveitoso para o clube", opinou.
BRASIL 2 x 1 CHILE - 19/11/2013
Meses depois do jogo no Mineirão e do título da Copa das Confederações, o Brasil de Felipão voltou a enfrentar o Chile de Sampaoli em amistoso, desta vez no Rogers Centre, em Toronto, no Canadá.
Diferentemente da partida em Belo Horizonte, na qual muitos atletas que atuavam em solo nacional jogaram, desta vez Scolari optou por fazer testes já visando a Copa do Mundo 2014, e montou a equipe praticamente só com "europeus".
A formação foi Júlio César; Maicon, David Luiz, Thiago Silva (Dante) e Maxwell; Luiz Gustavo, Paulinho (Hernanes) e Oscar (Willian); Neymar (Lucas Leiva), Hulk (Ramires) e Jô (Robinho).
A Roja, por sua vez, foi de Bravo; Medel, González e Carmona; Fuenzalida (Valdivia) (Matias Fernández), Jara, Díaz (Beausejour) e Mena; Vargas, Gutierrez (Muñoz) e Alexis Sánchez.
Em Toronto, o Chile vinha em uma série de 10 partidas sem perder, que incluíam um empate com a Espanha e uma vitória sobre a Inglaterra. No entanto, o Brasil vivia um de seus melhores momentos com Felipão, e Hulk abriu o placar logo no início.
Jogando com sua forte intensidade habitual de Sampaoli, a Roja buscou a igualdade com Vargas (que também havia marcado no jogo do Mineirão). Porém, Robinho, tradicional carrasco dos chilenos, marcou de cabeça e decretou a vitória canarinho.
Vale citar que os estrangeiros tiveram vários desfalques naquele dia por conta de lesões. Arturo Vidal, por exemplo, sequer foi a campo. Fuenzalida e Díaz, por sua vez, se lesionaram no primeiro tempo, enquanto o "Mago" Valdivia se machucou na etapa complementar.
BRASIL 1 (3) x (2) CHILE - 28/06/2014
Naquele que foi certamente o mais importante (e emocionante) encontro entre Felipão e Sampaoli, o Brasil eliminou o Chile nas oitavas de final da Copa do Mundo 2014 ao vencer por 3 a 2 nos pênaltis, depois de um sofrido empate por 1 a 1 no tempo regulamentar.
David Luiz abriu o placar para o time canarinho, enquanto Alexis Sánchez empatou para os gringos. Nas penalidades, Willian e Hulk perderam para o Brasil, mas Júlio César se agigantou contra Pinilla, Alexis Sánchez e Jara e garantiu o triunfo brasileiro.
O lance mais lembrado desse jogo, porém, foi o chute de Pinilla no travessão, no último minuto do segundo tempo da prorrogação. O estádio inteiro se calou durante a viagem da bola, e foi possível escutar claramente o barulho do choque entre a bola e a trave em meio ao silêncio dos 57.714 torcedores que foram ao Mineirão.
O chileno ficou tão marcado por este lance que inclusive tatuou em suas costas a imagem da bola acertando o travessão adversário, escrevendo a seguinte frase: "A um centímetro da glória".
Outro momento bastante recordado do duelo foi o choro copioso do zagueiro Thiago Silva antes da disputa de pênaltis.
Ele era o capitão da equipe, e foi bastante criticado por perder completamente o controle emocional em um momento em que deveria tentar acalmar os companheiros de equipes. No fim das contas, acabou não sendo colocado entre os cobradores.
Também houve confusão e pancadaria entre jogadores e comissões técnicas no intervalo da partida. O então diretor de comunicação da CBF, Rodrigo Paiva, chegou a ser suspenso por um jogo pela Fifa por ter sido flagrado em vídeo dando um soco no chileno Pinilla.
Naquele dia, o Brasil jogou com Júlio César; Daniel Alves, David Luiz, Thiago Silva e Marcelo; Luiz Gustavo, Fernandinho (Ramires) e Oscar (Willian); Hulk, Fred (Jô) e Neymar.
A Roja formou com Bravo; Silva, Medel (Rojas) e Jara; Isla, Aránguiz, Díaz, Vidal (Pinilla) e Mena; Alexis Sánchez e Vargas (Gutierrez).
Presente naquele jogo, o atacante Jô relembrou a experiência em entrevista à ESPN.
"Para mim, foi especial, porque tive esse prazer de jogar uma partida de oitavas de final de Copa do Mundo. Foi maravilhoso! Um jogo difícil e bem estudado desde o começo, de duas seleções sul-americanas de muita vontade e qualidade", exaltou.
"O Sampaoli com seu time que toca bem a bola e muito técnico, ele não tinha medo de sair jogando. Nossa equipe estava bem montada com o Felipão e cada jogador cumprindo bem a função. Foi um duelo tático e muito equilibrado, por isso foi para os pênaltis. São dois treinadores que estudam muito o jogo. O Felipão sempre arma sistemas defensivos muito sólidos. Talvez um dos mais difíceis da Copa em termos de qualidade tática, foi bem disputado", observou.
Jô também falou sobre as principais diferenças entre Scolari e Sampaoli.
"São os conceitos básicos. O Sampaoli é um treinador que prioriza muito a pose de bola e joga bastante no ataque. O Felipão já priorizar taticamente a defesa, gosta de explorar bem os contra-ataques e cruzamentos. Mas são dois excelentes técnicos", finalizou.
