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Corinthians: Herói da Copinha hoje brilha no Bragantino pela Série C e sonha com retorno

Herói da décima conquista do Corinthians na Copa São Paulo de futebol júnior, Marquinhos apareceu para o Brasil em 2017 depois de anotar um gol e dar uma assistência na vitória por 2 a 1 sobre o Batatais na final da competição.

Depois de brilhar no Pacaembu lotado, o meia esperava seguir os mesmos passos de seu amigo Pedrinho, que pouco depois foi efetivado para o elenco principal do clube alvinegro.

Só que não foi bem isso que aconteceu...

Mesmo com propostas para ser emprestado para times da Série B do Brasileiro, ele permaneceu no time Sub-20 do Corinthians e viu sua carreira estagnar no último ano de juniores.

"Sinceramente, eu não sei por que não fui aproveitado. Meu nome era muito falado na imprensa, em programas de TV, mas acabei não sendo aproveitado. Tinha mais um ano de Sub-20 e propostas para sair para times de Série B como Paysandu e Oeste, mas acabaram não me liberando. Eu fique no Sub-20 e não entendi muito, mas não tinha o que fazer. Às vezes eu subia para treinar quando faltava alguém para completar o treino. Teve uma vez que eu fiquei uma semana e aproveitei muito bem. Achava que ia subir de vez, mas acabou que não aconteceu nada", desabafou Marquinhos, ao ESPN.com.br.

Em 2018, ele foi emprestado ao Bangu jogar o Campeonato Carioca. Fez apenas quatro partidas, mas chamou atenção do Bragantino, que o contratou para a Série C do Campeonato Brasileiro.

Na equipe do interior, ele virou titular e se destacou. O jovem de 21 anos fez um gol na vitória por 3 a 1 sobre o Náutico em Bragança Paulista, no jogo de ida válido pelas quartas de final da competição. O confronto de volta, que será em Recife, definirá um dos quatro times que irá subir para a Série B.

Com um contrato até 2019, o jovem sonha em voltar ao Corinthians para jogar pelo profissional.

Veja a entrevista com Marquinhos:

ESPN - Como foram os primeiros passos na bola?
M -
Comecei a jogar futebol com 10 anos e com 11 já já ganhava um dinheirinho que dava para ajudar em casa. Desde moleque já tive que ajudar em casa. Os primeiros passos foram lá no Brasiliense-PA, um time da minha região lá de Santa Izabel do Pará do meu amigo Alex. Fui me destacando e passei pelo Castanhal até chegar ao Paysandu.

ESPN - Você conhecia o Giovanni Augusto desta época?
M -
O Giovanni Augusto era meu vizinho, acho que morávamos uns 15 minutos de distância. Meu pai sempre levava ele para para jogar futebol na minha cidade quando era mais novo.

ESPN - Quais as maiores dificuldades que passou nessa época?
M -
Aparecer, né? Porque em Belém, querendo ou não, é muito difícil conseguir uma oportunidade para vir para cá. Graças a Deus, com passado tempo, fui me destacando e em uma Copa 2 de Julho chamei atenção do Santos. Recebi uma proposta para fazer fazer testes lá durante um mês e na primeira semana já passei. Fiquei lá por um ano. No começo foi complicado sair de Belém, é muito distante de São Paulo.

ESPN - Como foi na Vila? Por que não ficou no Santos?
M -
Foi uma passagem legal e deu para aparecer bem. Joguei com Arthur Gomes, Bambu e o Thiago Maia. Aproveitei bastante o tempo que fiquei lá. Saí de lá porque teve problemas do Manoel Maria, que me levou para lá, com a diretoria do clube. Todos os jogadores que ele tinha levado para lá tiveram que ser mandados embora. Eu voltei para Belém, mas já tinha feito um papel legal aqui e disputado campeonatos. Fui chamado pela Portuguesa antes de chegar ao Corinthians.

ESPN - E o começo no Corinthians? Você demorou para vingar...
M
- Foi complicado porque cheguei lá no Sub-17 e eu tive poucas oportunidades. Fiz poucos jogos e não deu para mostrar tanta coisa. No primeiro ano de Sub-20 fui para o Flamengo de Guarulhos, que era meio que o time B do Corinthians. Os garotos que não eram aproveitados iam para lá. Eu fiquei meio desmotivado e não queria mais saber de bola. Queria voltar para casa, mas minha mãe foi essencial porque continuava me dando força. Ela não me deixava voltar para casa e falava que eu iria vencer no Corinthians.

ESPN - Como conseguiu a virada?
M -
No primeiro ano não joguei, mas no segundo eu botei na minha cabeça que tinha que fazer alguma coisa diferente para voltar para o Corinthians ou para ir para outro lugar. Comecei a me desdobrar nos treino e jogos, sendo um dos artilheiros do Paulista pelo Flamengo de Guarulhos. Chegamos à semifinal e o Osmar Loss me me chamou de novo para fazer parte do elenco do sub-20 do Corinthians. Foram cinco meses antes da Copa São Paulo de 2017.

ESPN - Você fez bons amigos que te ajudaram no Corinthians...
M -
Quando eu voltei reencontrei os meus parceiros, né? Foi só bênção, graças a Deus. O Pedrinho, Carlinhos, Fabrício e Renan Areias, que eram meus irmãos mesmo. Foi um grupo excepcional muito bom mesmo. Foi onde eu conseguir estourar e aparecer bem. A gente teve a oportunidade de ser campeão da Taça de 2017.

ESPN - Como foi aquela Copa São Paulo para sua vida?
M -
Foi a melhor coisa que aconteceu comigo. Cheguei a um time que estava desacreditado porque tínhamos feito um Brasileiro sub-20 mediano. São Paulo era o favorito e ninguém falava da gente, mas fomos trabalhando. Mas nós sabíamos que poderíamos ir longe.

ESPN - Você deslanchou na fase final da Copinha.
M -
Na primeira fase lembro que só fiz um gol. Estava conversando até com o Renan e eu me cobrando. Eu disse que sempre quando quando rola um jogo decisivo eu costumo fazer gol. Marquei contra o Coritiba [nas oitavas de final], na semifinal contra o Juventus e na final. Me considero uma pessoa muito muito iluminada.

ESPN - Você foi o grande nome da final da Copinha, fez um gol e deu uma assistência. Quais as melhores lembranças daquele jogo?
M -
Foi inesquecível porque foi muito importante para a gente. Foi décimo título do Corinthians. É legal porque a final sempre cai no dia 25 de janeiro meu aniversário é dia 26. Eu ficava brincando que seria campeão e ia chegar em casa para comemorar junto com meu aniversário. Era um dos meus maiores sonhos tanto que até fiz uma tatuagem da taça na minha perna para relembrar o momento. Jogar no Pacaembu lotado foi extraordinário. É um dos melhores palcos que eu já joguei, a torcida empurrando.

ESPN - Por que você não foi aproveitado no profissional do Corinthians?
M -
Sinceramente, eu não sei porque não fui aproveitado. Meu nome era muito falado na imprensa, em programas de TV, mas acabei não sendo aproveitado. Tinha mais um ano de Sub-20 e propostas para sair para time de Série B como Paysandu e Oeste, mas acabaram não me liberando. Eu fique no Sub-20 e não entendi muito, mas não tinha o que fazer. Às vezes eu subia para treinar quando faltava alguém para completar o treino. Teve uma vez que eu fiquei uma semana e aproveitei muito bem. Achava que ia subir de vez, mas acabou que não aconteceu nada.

ESPN - Como foi logo depois da Copinha?
M -
Foi criada toda aquela expectativa de subir ou ir para outra equipe profissional. Então, foi um ano que não agregou nada depois da Taça. Fiquei no Sub 20 e não foi proveitoso, muito pelo contrário. Poderia ter sido bem mais proveitoso. Já era para ter me destacado em um time profissional no ano passado, mas como sempre minha mãe fala é tudo no tempo de Deus. Foi bom manter a calma e continuar trabalhando como eu sempre trabalhei caladinho. Agora só colhi coisas boas que eu fiz trabalhando e mantendo o foco.

ESPN - Neste ano você passou pelo Bangu no Carioca antes de ir ao Bragantino.
M -
A antiga presidência do Corinthians não queria me liberar e cheguei um pouco depois ao Bangu. Cheguei no 2º turno do Carioca, fiz quatro jogos e fui bem. Logo depois, voltei ao Corinthians e fiquei ainda um mês treinando separado fazendo academia junto com outros jogadores. Nisso, o professor Marcelo Veiga ligou para o Corinthians pedindo para eu ser emprestado para jogar a Série C do Brasileiro. Graças a Deus deu certo e estou bem feliz.

ESPN - Como está a briga pelo acesso na Série C do Brasileiro?
M -
Estou muito tranquilo, joguei quase todos os jogos bem e me destacando. O acesso é o objetivo principal. Ganhamos a primeira batalha contra o Náutico e fui feliz em poder ajudar minha equipe com um gol. O primeiro passo foi dado e agora é manter. Queremos deixar o Bragantino na Série B. Vamos continuar trabalhando essa semana para isso.

ESPN - Os torcedores do Corinthians ainda lembram de você? Pedem a a sua volta?
M -
Às vezes dá uma lembrancinha. De vez em quando, mas só que nesse final de semana lembraram muito por causa do jogo. Vários torcedores perguntaram de mim e me mandaram bastante mensagens me pedindo para voltar e parabenizando.

ESPN - Quais seu principais objetivos? ainda sonha em voltar ao Corinthians?
M -
Eu renovei meu contrato com o Corinthians até o final de 2019, se não me engano. Meu objetivo é voltar e não escondo de ninguém. Mas caso não aconteça, estou muito feliz aqui. É um bom clube que me abriu as portas. O que vier agora com certeza vai ser lucro. Lógico que meu sonho é estar jogando no profissional do Corinthians, mas caso não aconteça agora eu vou trabalhar um pouco mais aqui para acontecer mais lá na frente.