Fundado de maneira oficial em 2016, o cenário de Rainbow Six brasileiro foi ganhando notoriedade logo na sua criação, com representantes brasileiros alcançando o topo dos campeonatos mundiais realizados na época, como o duplo vice-campeonato mundial da Pro League pela Black Dragons em 2017.
Com talentos de nível internacional em território brasileiro, não demorou muito para que organizações internacionais, como FaZe, Team Liquid, Immortals e Ninjas in Pyjamas chegassem no circuito regional da modalidade e dominassem o campeonato com todo o aporte financeiro disponível.
CEO da Black Dragons, principal representante brasileiro naquela ocasião, Nicolle ‘Cherrygumms’ contou em entrevista exclusiva ao ESPN Esports Brasil como foi viver o ‘boom’ das equipes estrangeiras em território nacional no Rainbow Six Siege, a venda da escalação principal para a Ninjas in Pyjamas em 2018 e os desafios em competir com essas organizações no Brasil.
‘É difícil competir, a gente era a melhor equipe do Brasil na época, vendemos nossa equipe para a Ninjas in Pyjamas e desde então, você precisa dar essa estrutura e não perder talentos para outras organizações. [...] Sobrevivemos, muita coisa mudou, da mesma forma que é difícil competir, trouxe muito investimento pro Brasil, muitos olhos pro Brasil. Tivemos muitos ônus e bônus e agora é conseguir caminhar e fazer o melhor trabalho possível’, afirmou Cherrygumms sobre a chegada das equipes internacionais no Brasil.
Após o investimento inicial das organizações estrangeiras no Brasil, outras equipes brasileiras precisaram se reinventar e buscar soluções práticas com prodígios e outros nomes menos ‘visados’ durante as janelas de transferência nacional. Seguindo esse exemplo, equipes como a Team One, em 2021, e a W7M, ainda este ano, conseguiram alcançar o topo de campeonatos mundiais. Cherrygumms respondeu sobre as dificuldades de montar equipes competitivas e ‘segurar’ talentos em caso de propostas ‘internacionais’.
‘Team One pegou uma equipe muito boa do zero. A Black Dragons sempre teve um talento saindo, então tinha que colocar outro, e não era no período que a gente colocou uma equipe toda do zero, era sempre perde um e não podia trocar tudo, isso tudo aos poucos, o tempo vai passando. É muito difícil você conseguir manter o jogador, mesmo que você coloque uma proposta igual, ele não vai querer ficar se você não tiver um bom relacionamento ou se ele quiser ir para uma organização internacional, essa é a realidade. Acho que o principal dessas equipes que foram campeãs é que os atletas tinham um propósito e todos eles eram prodígios’, completou.
Cherrygumms também falou sobre o futuro da Black Dragons no Rainbow Six para a próxima etapa da Brazilian League, campeonato nacional que dá quatro vagas para o Major de Atlanta e pontos importantes para a classificação do Six Invitational 2024, que será disputado no Brasil.
“A BD nunca teve essa oportunidade de formar tudo novo, a gente sempre trocou peças, mas agora a gente está para anunciar uma equipe que acredito que vai vir muito bem, com dois atletas que são bons e tem uma bagagem. Existe a capacidade de você ser campeão, montando uma equipe, concorrendo com as grandes, é só você entender o timing”, finalizou.
