O palco da Copa do Mundo de Fortnite já está montado e, em poucos dias, conheceremos os campeões do primeiro mundial do game, que premiará 30 milhões de dólares entre os competidores. Entre os 13 brasileiros classificados para a final em Nova York, apenas um classificou-se para as categorias solo e duplas: trata-se de Nicks.
Com 14 anos recém-completos, Nicollas Polonio é considerado um dos melhores do Brasil no battle-royale, tendo ficado em segundo na primeira classificatória solo e vencendo a primeira classificatória em duplas ao lado de pfzin. Ex-W7M, Nicks foi recentemente anunciado pela Cloud9, e jogará o Mundial com a bandeira do time norte-americano.
Após um período de treinamento em Los Angeles, o jogador já está em Nova York preparando-se para o torneio, que acontece entre os dias 26 e 28 de julho e será transmitido ao vivo nos canais ESPN. Em entrevista ao ESPN Esports Brasil, Nicks, tímido em suas falas e confiante em seu trabalho, confidenciou suas expectativas e seu trajeto até o cenário profissional de Fortnite.
INSPIRADO NO VERDADEIRO
Natural de Itapetininga, cidade no interior de São Paulo, Nicks é conterrâneo de FalleN, maior figura dos esports no Brasil e bicampeão mundial de Counter-Strike. O jogador de Fortnite não hesita em afirmar que ser um jogador profissional “sempre foi um sonho” — e que ter o Verdadeiro como exemplo tornou sua trajetória mais clara.
“Eu acompanhava e gostava bastante dele. Isso deu confiança para os meus pais, por ele ser da minha cidade”, conta. Nicks deixa escapar uma risada de nostalgia ao contar o episódio em que conheceu o profissional do FPS, bem antes de seu início no Fortnite:
“Uma vez, eu fui jogar um campeonato de futebol e ele foi fazer uma mini palestra antes do campeonato”, relembra. No meio dos esports, no entanto, o profissional do battle-royale ainda não teve a chance de conhecer o Verdadeiro pessoalmente.
PERITO NOS JOGOS DE TIRO
Antes da explosão de jogos do estilo battle-royale, Nicks se divertia no Counter-Strike, game em que já tinha bons resultados. “Eu baixei o Fortnite porque eu queria testar o battle-royale antes de comprar PUBG. Comprei, fiz umas 400 horas, voltei para o Fortnite para me divertir e me apaixonei pelo jogo”, confessa.
Conforme ia evoluindo no jogo, Nicks conheceu o servidor do Discord em que os jogadores se reuniam para treinar, e afirma que começou a se destacar ali. Após a entrada de DrakonZ na W7M, a ponte foi realizada pelos amigos para que o mais novo do grupo também entrasse para a organização, aos 13 anos.
Os pais do adolescente se assustaram com o rumo de seu hobby. “Eles não acreditavam muito”, conta. “Depois, eles foram visitar a sede do time e viram o que era”, comenta Nicks, que não chegou a morar no QG do time, em São Paulo, mas treinava diariamente de sua casa.
Na W7M, Nicks não podia participar de muitos torneios de Fortnite — tanto pela escassez de campeonatos do jogo, quanto por sua pouca idade. O anúncio da Copa do Mundo, em dezembro de 2018, mudou suas perspectivas: “Vi que era uma oportunidade única. Fiquei muito feliz”, afirma.
CLASSIFICATÓRIAS E CLOUD9
Ao longo das 10 semanas de torneios que precederam a final da Copa do Mundo de Fortnite, Nicks afirma que “tinha certeza” de que se classificaria. Na primeira chance, durante a classificatória solo, o jogador ficou atrás apenas de Leleo, que derrotou-o precocemente em uma das últimas quedas. Na semana seguinte, sua primeira classificação veio em um 1º lugar suado ao lado do companheiro pfzin.
A classificação na competição individual só veio na sétima semana do torneio — o que não preocupou o jogador. “Eu sabia que ia me classificar. Eu estava indo muito bem e estava muito motivado”, relata. Após ficar em 2º lugar na primeira semana e em 3º na quinta, Nicks se classificou em 1º lugar na sétima semana ao lado do argentino KING, da 9z.
Semanas após o resultado, o jogador foi convidado para fazer parte da Cloud9, que contratava atletas brasileiros para o Fortnite após seu investimento em Jukes, no League of Legends, e no trio Ninext, Isnoul e Noted em Apex Legends. Nicks, então, entraria para a organização norte-americana ao lado da dupla pfzin e dos companheiro de time Drakonz e Blackoutz.
“Representar a Cloud9 era um sonho”, conta o jogador, que teve a experiência de ver o time de Counter-Strike da organização pessoalmente na série em que os norte-americanos derrotaram a SK nas finais da ESL Pro League 2016, em São Paulo. “Entre os grandes times, a Cloud9 sempre foi o maior sonho, e hoje eu ‘tô’ realizando”, confessa.
COPA DO MUNDO DE FORTNITE
Às vésperas da Copa do Mundo, Nicks não esconde que está “ansioso e muito confiante” para a disputa. Nos Estados Unidos desde o dia 15 de julho, o menino-prodígio foi acompanhado de seus pais, que assistirão o filho jogar contra os melhores do mundo no Arthur Ashe Stadium, em Nova York.
Apesar da pouca idade, Nicks não aparenta sentir-se pressionado ou confuso em seus objetivos. “Não é difícil para mim, porque sempre foi um sonho. Sempre quis, sempre acompanhei e sempre foi meu sonho ser profissional nisso”, crava. “Fico feliz que consegui minha classificação. É um peso maior por serem poucos [brasileiros], você tem que dar seu máximo e poder representar seu país”, avalia.
Sobre o cenário mundial, o jogador é realista ao afirmar que o Brasil está “um pouco abaixo” da Europa e dos Estados Unidos, mas afirma que os treinos farão com que a evolução aconteça e que seus conterrâneos cheguem ao nível dos outros jogadores.
Além disso, ele diz que podemos esperar “um bom resultado” por parte dos brasileiros: “É difícil, porque é battle-royale, tudo pode acontecer. Mas eu acredito que vamos muito bem, que vamos conseguir destacar o cenário e crescer”, prevê.
RIVALIDADE E MOTIVAÇÃO
Com relação aos outros 7 brasileiros na disputa, Nicks não enxerga rivalidades a mais entre eles, mas afirma que, dentro de jogo, “todo mundo vai ser inimigo”. Sobre os estrangeiros, no entanto, o jogador aponta estar ansioso para enfrentar um norte-americano em específico: Danny Walsh, conhecido como Dubs, jogador da FaZe Clan.
“Ele me deu umas farpas no privado”, brinca. “Vamos cair no mesmo drop, então ele me desejou boa sorte, disse que eu vou precisar. Coisas assim”, comenta Nicks. “A maioria das pessoas aqui querem dar medo uma na outra, mas comigo é o inverso. Eu fico mais motivado quando me desafiam”, crava o jogador, deixando um riso baixo escapar.
“Quando o pessoal me desafia ou fala mal de mim, até mesmo no meu chat, eu vejo e fico mais hypado para ganhar o campeonato. Assim, eu mostro que eles estão errados”, finaliza Nicks, favorito pelo Brasil na Copa do Mundo de Fortnite.
A Copa do Mundo de Fortnite tem início nesta sexta-feira (26), em Nova York, nos EUA. O torneio do battle-royale terá premiação de 30 milhões de dólares e será transmitido ao vivo nos canais ESPN e ESPN Extra.
