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Após estreia pela Cloud9 Academy, Jukes promete: "Vou me esforçar para orgulhar geral"

Divulgação/Cloud9

Nas últimas semanas, a comunidade brasileira de League of Legends ganhou mais uma oportunidade de ser representada internacionalmente. Sem a formalidade dos campeonatos internacionais, o streamer Jukes tornou-se top laner da Cloud9 Academy, e estreou pelo time na LCS Academy na última quinta-feira (30).

O jogo contra a Flyquest Academy foi protagonizado pela Riven de Jukes, campeão já popular nas mãos do criador de conteúdo. Atingindo a marca de 50 mil espectadores, a md1 terminou em uma vitória comemorada pelos fãs do brasileiro.

Em entrevista ao ESPN Esports Brasil, Jukes confessou que a presença massiva do público brasileiro em sua estreia no competitivo norte-americano “hypou muito mais”. “Eu estava aqui com um motivo mais pessoal, pra evoluir no jogo e, querendo ou não, orgulhar meu público. Mas agora o pessoal tá levando isso pra além do meu público: como um brasileiro no exterior. Vou me esforçar mais pra orgulhar geral”, promete.

“Estamos precisando de um pouquinho de motivação pra continuar torcendo pelos brasileiros no exterior”, comenta Jukes sobre representar o Brasil, mesmo que não na esfera competitiva mundial como em torneios internacionais. “Vou achar que representei meu país, sim. Querendo ou não, nosso nível está bem abaixo do mundial”, assume.

CHEGADA NA CLOUD9

Antes do convite para fazer parte da escalação da Cloud9, Jukes teve poucas experiências no competitivo. O top laner foi inscrito pela então Keyd Stars na segunda etapa do CBLoL 2016, e atuou no torneio de acesso ao Circuito Desafiante pela Submarino Stars em 2018, ao lado de YoDa, Pimpimenta, Blury, Juzinho e Gratis150ml.

O top laner conta que, antes do convite da organização norte-americana, não tinha vontade de voltar ao competitivo. “Estava super suave só streamando”, brinca. Seu manager, Lucas Braga, já estava em contato com a Cloud9 na época da negociação, e Jukes só teve de decidir se aceitaria ou não.

“Eu achava que era brincadeira no início”, afirma o jogador sobre a proposta. ”Mas depois falaram que era sério. Fiquei pensativo, porque eu tinha que ficar três meses longe dos meus amigos e da minha família. Mas, para o futuro, é uma oportunidade única. Não tinha como falar não”, diz.

A ATUAÇÃO COMO PRO PLAYER

Jukes comenta que a primeira ideia do time foi que ele atuasse como streamer. “A ideia não era que eu jogasse tantos jogos, não estava escrito que eu acompanharia o ritmo dos caras. Então foi uma surpresa tanto pra mim quanto pro time eu ter conseguido acompanhar. Vou jogar mais e, querendo ou não, streamar menos. Focar no papel de pro player”, esclarece.

Para o top laner, a mecânica apurada já demonstrada por ele ajudou para que a adaptação ao time fosse mais fácil, e que o aprendizado rápido foi decisivo. “O coach, Westrice, me ensinou tudo, ficava revendo o jogo e falava o que eu tinha que fazer de diferente. Ele disse que eu aprendo rápido”, conta, dizendo ainda que o técnico é “muito bom no que faz”.

“Ele falou que eu sou o melhor Yasuo que eles já tiveram”, Jukes revela, acrescentando a forma como sua mecânica tem sido trabalhada. “Eles dizem que se um pick é melhor para a equipe, mas eu tenho mais confiança com outro, ‘vai no que você tem mais confiança’. Levam como base sua opinião para o pick. Então vai ter muita Riven e muito Yasuo, o pessoal vai ter que banir mesmo”, brinca.

ESTREIA NA LCS ACADEMY

Em seu primeiro jogo competitivo no NA, Jukes conta que estava muito nervoso: “Aquele pause foi porque eu derrubei água no meu teclado, travou e eu fiquei meio desesperado”, conta, aos risos. “Falei com meus companheiros de time e eles me tranquilizaram. Retomamos o jogo e deu bom.”

O jogador estreou usando um de seus principais campeões, Riven, com vitória contra a Flyquest Academy, que finalizou a primeira rodada na lanterna do campeonato. No segundo jogo da C9 Academy, o time não conseguiu vencer a Clutch Gaming Academy de Cody Sun — mas o top laner arrancou dois banimentos de seus adversários..

“Eu fiquei surpreso, porque eu estava querendo jogar de Riven de novo”, conta Jukes. “Esava muito confiante nela. Mas o meu próprio time ficou rindo, dizendo ‘ó, te respeitaram’. Ai só levei na esportiva mesmo e fui de Gnarzinho. O segundo Rumble que eu enfrentei elogiou meu Gnarzinho”, brinca.

Treinando na América do Norte, Jukes enfrentou times e jogadores experientes no servidor, e destaca: “Hauntzer e Licorice são os melhores jogadores que já enfrentei na vida”. “Para mim, é todo mundo melhor que eu e muito bom no jogo. É muito legal jogar com os caras, porque sei que se eu fizer minha parte, meu time vai me carregar”, confessa, e afirma ainda que a Cloud9 Academy tem chance de brigar pelo título.

HORIZONTES NA CLOUD9

Apesar de ser o primeiro a estrear em uma organização americana (Baiano e SirT jogaram a antiga Challenger Series pela Big Gods Jackals), Jukes não é o primeiro brasileiro a ser contratado por uma organização profissional da região — Rakin foi anunciado pela Team Liquid em dezembro de 2018.

O top laner concorda que as contratações podem se tornar tendência, e afirma que já conversou com Rakin sobre a ideia de enfrentá-lo. “Acho que seria muito legal! Um evento bem único, todo mundo assistiria. Imagina se fosse no estúdio da LCS? Eu ia matar o Rakin e ficar gritando, tá maluco”, brinca Jukes.

O jogador conta que se impressionou com a estrutura da Cloud9 — que dispõe de estabelecimentos separados para a administração, o time da LCS e o time Academy — e com o servidor norte-americano. “Ainda não estou no high elo (...), mas posso dizer com certeza que o Master 200pdl é o Challenger brasileiro”, afirma, sobre a diferença entre os jogadores nos servidores.

Apesar de sonhar com uma possível estreia na LCS, Jukes não mira voos mais altos no competitivo após a experiência na Cloud9 — quando a “aventura” for concluída, também não tem grandes pretensões de continuar na carreira de jogador profissional. “Sendo bem sincero, eu não iria pra nenhuma [organização] do Brasil, não. Talvez alguma aqui do NA, mas acho que, depois dessa aventura na C9, meu foco vai ser mais stream, mesmo. Ficar em casa tranquilinho”, revela.

Jukes declara que ficará nos Estados Unidos até o fim desta etapa da LCS, contando as eliminatórias do campeonato. Depois, continuará na Cloud9, mas pretende voltar ao Brasil. “[Meus objetivos são] ficar bom no LoLzinho, fazer minha parte e orgulhar a organização, meu público e a mim mesmo. Só isso. Cumprir minha missão aqui e voltar pra casa”, finaliza.


Jukes é jogador de League of Legends e Streamer pela Cloud9. O time retorna à LCS Academy na próxima sexta-feira (7), contra a Golden Guardians Academy, às 22h. Em seguida, jogará no domingo (9) contra a Echo Fox Academy, no mesmo horário. A LCS Academy é a segunda divisão da LCS, liga norte-americana de LoL.