Se tem uma equipe que, atualmente, faz toda a comunidade brasileira parar quando está prestes a competir no Counter-Strike: Global Offensive, com certeza, essa é a Furia. Com a audaciosa proposta de “propor mudança de atitude no cenário”, em dois anos, a organização saiu do anonimato para os holofotes do cenário internacional. Relembre a trajetória do time.
INÍCIO FURIOSO
Os primeiros capítulos da história da Furia no Counter-Strike começaram a ser escritos em 2017. A organização iniciou na modalidade com uma formação, majoritariamente, constituída por veteranos da “Era 1.6”. Uma jogada um tanto conservadora, mas que se mostrou certeira pelos resultados iniciais obtidos.
Com spacca, prd, guerri, caike1 e VINI sendo liderados por Sllayer, a Furia mostrou logo cedo potencial para alçar vôos maiores. Logo nos dois primeiros meses, dobradinha do quinteto na Liga Pro.
Mesmo com a surpreendente mudança no elenco, que resultou na entrada de bld V no lugar de caike1, a Furia não deixou a peteca cair. A equipe continuou marcando presença em finais, conseguindo assim fechar a temporada com mais três vice-campeonatos - sendo a última a edição de dezembro da Liga Pro já com yuurih substituindo prd.
LIBERTANDO A FURIA
A Furia iniciou 2018 realizando mais mudanças na formação, movimento este que deixou a torcida um pouco temerosa porque a organização estava abrindo mão de jogadores renomados e até com experiência internacional para apostar em jovens talentos.
Mas não demorou muito para o novo quinteto transformar as dúvidas em certezas. Foi em março que, enfim, a Furia conseguiu subir no degrau mais alto do pódio. Já com arT, yuurih, kscerato, VINI e spacca, a equipe conquistou a primeira temporada da Aorus League após bater a YeaH Gaming na decisão.
Ainda neste mês o time venceu as seletivas para a quinta edição da Brasil Premier League (BPL) e a temporada inaugural da LA League.
O bom desempenho no mês de março serviu para mostrar que a Furia já tinha se tornado uma realidade no Brasil e que a possibilidade da equipe virar a melhor do País era real. Mas a caminhada até o topo do cenário foi recheada de percalços.
As derrotas sofridas na 27ª temporada da ESEA Brazil Open, na seletiva para a sétima edição da ESL Pro League (EPL) e no classificatório para o ESL One Belo Horizonte, segundo Guerri, serviram para deixar a Furia ainda mais forte.
"Se você me perguntar: 'Guerri, porque perderam'? Eu vou te dizer: 'Por que tínhamos que perder para nos tornarmos mais fortes ainda. Foi nosso segundo grande tombo com essa line. Quando estávamos mais fortes e confiantes, caímos. Porém, aquilo não seria o suficiente para nos fazer cair e não levantar", escreveu o treinador se referindo a derrota para a Sharks no confronto que valia vaga para a EPL.
Realmente. O ato de dar a volta por cima após os tropeços não ficou somente no discurso. Prova disso foram as conquistas nas seletiva sul-americana para Zotac Cup Masters, na edição de abril da Liga Pro e na GG.BET Ascensão.
E foi no GG.BET que a Furia sentiu, pela primeira vez, o deslumbre de ser considerada a melhor equipe do Brasil. Mas a confirmação veio mesmo com a equipe disputando as finais das duas seletivas e conseguindo se classificar para Americas Minor válido para o Faceit Major.
HELLO AMERICA, I’M FURIA
A classificação para o Americas Minor deu a certeza que o clube procurava de que o “Brasil já era pequeno para a Furia”. Com isso, a organização decidiu levar a formação para disputar alguns campeonatos nos Estados Unidos e, no primeiro contato com o cenário norte-americano, a equipe já mostrou o cartão de visita.
Antes de jogar a seletiva para o Faceit Major, a Furia marcou presença na final americana do Zotac Cup Masters. Nesse torneio a equipe teve a oportunidade de degustar o ‘Tier 2’ da América do Norte e, apesar de não ter ficado com a vaga, o time brasileiro chegou até a final, sendo parado somente pelo Ghost Gaming.
A competição serviu para dar confiança ao time para o Minor, mas na seletiva para o Major a Furia viu que nos Estados Unidos o “buraco é mais embaixo”. Os brasileiros fecharam a seletiva sem a vaga, mesmo resultado do time em classificatórios disputados nos meses seguintes.
Há um bom tempo sem mexer no elenco, a Furia vislumbrou na troca de jogador a solução para dar um passo a diante no cenário norte-americano. Com isso, o veterano spacca acabou sendo sacado do time, abrindo espaço para ableJ - mais um talento captado pela organização via Furia Inagame, o “time de base”.
Logo no primeiro compromisso importante com o novo reforço a Furia conseguiu chegar na semifinal de uma seletiva destinada à America do Norte - algo que não havia acontecido anteriormente. Aos poucos, outros bons resultados foram acontecendo como o vice-campeonato na 29ª temporada do ESEA Advanced, torneio equivalente a terceira divisão da EPL e a classificação para o Americas Minor válido para o IEM Major.
A Furia não desperdiçou a segunda chance em conquistar a tão sonhada vaga para o Major. No Americas Minor, o time não tomou conhecimento dos oponentes e conseguiu se classificar para o IEM vencendo eUnited, Envy (2 vezes) e INTZ. A classificação foi um feito para o cenário brasileiro, que voltava a ter dois times do País no mais importante torneio de CS após duas edições.
Olhando friamente para o histórico de uma vitória em quatro séries, o certo seria dizer que o desempenho da Furia foi desastroso. Mas trata-se de uma análise errônea. Com exceção ao confronto da estreia, contra Ninjas in Pyjamas (NiP) - onde realmente foi dominado -, em todas as outras derrotas o time brasileiro teve boas exibições, conseguindo, inclusive, tirar um mapa da cloud9.
O Major fez muito bem à Furia, sendo responsável por mostrar à equipe o nível que precisa atingir para bater de frente contra os principais times do cenário internacional. Os brasileiros aprenderam a lição. Prova disso é que, semanas após o IEM, os Panteras garantiram vaga nas finais do Esports Championship Series (ECS) ao vencerem a segunda etapa da divisão norte-americana, com direito a vitória sobre INTZ.
Os bons resultados não pararam por aí e a Furia emendou classificação para a DreamHack Masters Dallas, o título da 30ª temporada do ESEA Premier - a 2ª divisão da EPL -, o vice-campeonato da DreamHack Rio e a vaga para o ESL One Cologne.
TESTANDO A FURIA
A disputa pelo título do torneio realizado no Rio de Janeiro colocou a Furia na vitrine e transformou a equipe brasileira numa postulante a elite do Counter-Strike mundial. Mas será que os comandados por Guerri evoluíram tanto para figurar no alto escalão do cenário internacional?
Tomando por base o resultado em Dallas, podemos dizer que sim. Na sexta edição da DreamHack Masters, a Furia terminou em 3º/4º lugar num torneio que contou com 16 participantes. Mas o desempenho dos brasileiros não foi emocionante somente por isso. No torneio, em todas as séries, a equipe enfrentou um figurante do 'Top 10' do HLTV.org. E o retrospecto foi positivo: vitórias sobre NRG (10º), fnatic (7º) e Vitality (5º), enquanto as derrotas foram para Ence (3º) e Liquid (2º).
Esse resultado impulsionou a equipe brasileira no ranking que é referência do cenário, como mostra a tabela abaixo.
Nesta semana a Furia será colocada a prova novamente, agora nas finais da ECS. A equipe brasileira está no Grupo A e, mais uma vez, terá como adversários times que estão no ‘Top 10’ do HLTV.org: Astralis (2º), NiP (9º) e NRG Esports (10º). Levando em consideração a última apresentação, podemos dizer que a Furia tem reais chances de chegar, no mínimo, numa semifinal, enquanto a decisão do título é um sonho real.
Tirando a Astralis, que chega em Londres motivada em retomar o “topo do mundo”, as outras adversárias da Furia ou estão no mesmo nível ou abaixo. O desenho no mata-mata também não é desfavorável se olharmos para o Grupo B, sendo que nesta chave a grande ameaça para os Panteras é o MIBR.
O terceiro e último grande teste da Furia será em Colônia, onde terá a oportunidade de participar de uma edição do ESL One. Trata-se de mais um torneio que contará com a participação da nata do Counter-Strike, como Astralis, Ence, Na`Vi, MIBR e outros.
Caso saia desses dois últimos compromissos com resultados satisfatórios, a certeza que teremos é a Furia não só se tornou a segunda força do Brasil, mas sim mais uma equipe que pode levar o País ao topo do Counter-Strike.
A TRAJETÓRIA NA VISÃO DE UM FURIOSO
Não há uma melhor pessoa para falar sobre os passos dados pela Furia no Counter-Strike do que um próprio integrante do clube. Ao ESPN Esports Brasil, o diretor-executivo, Jaime Pádua, analisou a trajetória do time afirmando que tudo na "Furia foi um processo de evolução. A gente passou por vários campeonatos, testou alguns jogadores até encontrar a formação ideial. De fato, não esperávamos ter evoluído tão rápido"
De acordo com o executivo, a "nossa evolução surpreende não só a gente como todos aqueles que acompanham a modalidade. Por outro lado, sabíamos do potencial dos jogadores e, pela idade deles, sabíamos que era questão de tempo de começarem a se destacar. Estou muito feliz de estar curtindo esse momento único".
Sobre os objetivos da organização no Counter-Strike, Jaime fala que o clube "sempre quis quebrar paradigmas. O cenário de CS sempre foi de apostar nos mesmos jogadores e a gente quis dar oportunidade para novos nomes. Com o tempo. o time foi evoluindo e o clube encontrando as pessoas certas. Encaixando os jogadores e as pessoas nas funções corretas a gente conseguiu montar um time muito competitivo, que começa por um treinador muito forte, que é o Guerri, além de jogadores muito talentosos.
O comandante da Furia fala ainda que acredita que a organização rompeu "uma barreira, que é chegar no 'Top 15' do CS:GO e, com isso, a gente se torna apto e capacitado para torneios, estar jogando os principais campeonatos e de igual para igual contra grandes equipes". Jaime é assertivo com relação os próximos objetivos do time na modalidade: "Agora é permanecer entre os 15 melhores times do mundo e, quem sabe, no segundo semestre permanecer no 'Top 10' e até buscar um 'Top 5'".
"A gente sabe que o nivel e muito alto e qualquer detalhe faz muita diferença, só que estamos com muita garra e disposição para conquistar esse lugar e ficar de vez entre as melhores equipes do mundo", aponta diretor-executivo da Furia
