Carol Oliveira, ou Tawna, é um dos rostos conhecidos do público brasileiro de League of Legends. A repórter foi contratada pela Riot Games em 2017 e, desde então, realiza entrevistas e matérias especiais para o Campeonato Brasileiro de League of Legends. No entanto, o caminho de Tawna até o CBLoL foi repleto de curvas e surpresas.
Em conversa com o ESPN Esports Brasil, Tawna conta que sua história com os videogames começou bem nova por conta do irmão. “Meu irmão é cinco anos mais velho que, e aí tudo que ele fazia, eu queria fazer junto. Eu era parceira dele de videogame, e a gente começou a jogar criança mesmo. Eu curtia muito jogar Bomberman com ele, jogos do Super Nintendo e alguns do Game Boy, e começou por lá essa paixão pelos games”, lembra.
Porém, se engana quem pensa que League of Legends foi o primeiro grande amor de Tawna nos games. Segundo a apresentadora, o jogo que a fez perceber o quanto ela gostava de videogames foi o MMORPG Runescape. “Comecei a jogar quando eu tinha uns 9 anos e parei por uns para ser adolescente, sair com os amigos. Daí, com uns 14 ou 15 anos, voltei a jogar e não parei mais”, afirma.
Enquanto ainda jogava Runescape, Tawna foi convidada por amigos para jogar League of Legends, mas confessa que sentiu um preconceito inicial com o jogo. “Tinha muito preconceito com League naquela época, por volta de 2012. Joguei com um amigo, que também jogava Runescape, mas não gostei muito e voltei pro MMO”, conta.
Entretanto, chegou uma hora que não havia mais nada a ser feito em Runescape. “Eu fiz tudo o que tinha para fazer no jogo e até tinha uma capa chamada Completionist, que é a melhor capa do jogo e só quem tem nível máximo e já fez de tudo consegue. Então resolvi ir pro League of Legends e não parei mais desde então”, diz.
VIRANDO JOGADORA PROFISSIONAL
Em seu relato, Tawna demonstra muito carinho pela época em que começou a jogar LoL. Segundo ela, era uma época em que era muito fácil conhecer alguém jogando e depois trocar contatos para jogar junto no Skype, por exemplo. “Acho que todo mundo já passou por essa fase, e foi uma época muito gostosa”, afirma.
Foi nessa época, também, que a futura repórter começou a prestar atenção no competitivo do jogo. “Eu gosto de competir. Sempre fui muito dedicada em tudo na minha vida - e até por isso era ‘maxed’ no Runescape. Eu penso que se é pra fazer alguma coisa na minha vida, eu vou fazer direito. Então eu decidi que seria jogadora profissional”, conta.
Tawna ri ao lembrar que ainda era “unranked” quando decidiu ser jogadora profissional, mas que passou a acompanhar lives e conhecia os principais jogadores da época, como Kami e brTT. Foi então que percebeu uma onda de campeonatos femininos e pensou que seria incrível ser jogadora em um time só de mulheres.
“Procurei alguns times femininos, sabia que existiam alguns campeonatos, então ia em grupos postar em busca de times”, conta. “Quando joguei ranqueada, caí no Bronze I primeiro, mas o cara de um time que pedi para entrar disse que era muito fácil subir para o Prata I, e foi mesmo. Depois disso, continuei ‘upando’ de elo até o Ouro V e vi que a RMA Girls estava fazendo testes em buscas de jogadoras”.
Na ocasião, Tawna fez um teste para a possível de suporte porque o time já tinha uma atiradora - a Natália 'naat1' Franco. “Eles gostaram muito de mim porque eu era uma suporte bem agressiva, e joguei pela RMA por mais ou menos um ano até o time dar disband”.
A repórter comenta que chegou a jogar um torneio presencial com a equipe da RMA e vários onlines - incluindo os famosos Go4LoL na época. “Lembro que teve no campeonato presencial tinha um outro time feminino, e a gente ganhou delas, mas acho que perdemos de um masculino”, conta.
Quando perguntei sobre a famosa foto do time que roda pela internet toda vez que pesquisamos sobre equipes femininas de LoL, Tawna explica que o clique foi feito quando o time foi assinar o contrato com a RMA, mas que a escalação passou por várias mudanças e estava bem diferente quando a equipe acabou.
E, com o fim da equipe, o que fazer? A resposta foi: STREAMS!
DAS STREAMS PARA O CBLOL
Tawna começou a fazer streams enquanto ainda estava na RMA, em meados de 2014. Desde então, não parou - nem mesmo quando os pais começaram a pegar no pé para que ela decidisse o que cursar de faculdade. “Depois da escola, eu tirei um tempo sabático dos estudos, mas sempre trabalhei. Já fiz parte da administração de uma empresa e fui vendedora em uma loja de jogos, mas sempre tinha uma briga constante porque meus pais queriam que eu estudasse e eu só queria ficar jogando”, lembra.
“Foi uma época difícil para mim, porque sofri de depressão por alguns anos. Inclusive, antes de entrar na Riot eu estava me redescobrindo com a música. Eu gosto muito de trance (música eletrônica), e estava soltando alguns sets para o pessoal ouvir e pensando em fazer algum curso para virar DJ quando apareceu a oportunidade de entrar na Riot”, conta.
A repórter explica que seu diferencial sempre foi seu vasto conhecimento no League of Legends, que demonstrava sempre em suas transmissões. “Eu sabia muito sobre o competitivo e sobre o jogo mesmo, sobre atualizações e o meta”, afirma. “Então, pensei: ‘será que a Riot não tem uma vaga?’”.
Era o fim de 2016, e Tawna entrou em contato com amigos que trabalhavam na Riot para ver se havia alguma vaga aberta na empresa. Foi assim que descobriu a existência de um processo de seleção para repórter, no qual mergulhou de cabeça. “Mandei meu melhor material, fiz um teste e depois fui chamada pra uma entrevista”, conta. “Lembro que voltei pra casa (em Campinas) chorando porque achei que não tinha passado na entrevista, mas depois de um mês eles me chamaram pra mais um teste e deu tudo certo”.
Tawna revela que ser contratada pela Riot foi uma “grande reviravolta” em sua vida. A jovem deixou a casa dos pais em Campinas para se mudar sozinha para São Paulo para cuidar não só da vida profissional, mas também de si mesma. “Foi um ano difícil, porque eu não tinha ninguém para conversar, para ir no médico junto. Eu chegava na minha fono e começava a chorar”, desabafa. “Mas foi bom para eu amadurecer”.
Quando perguntamos se, em algum momento da vida, ela já tinha pensado em trabalhar nessa área, Tawna diz que sempre admirou os apresentadores tanto do CBLoL quanto das ligas internacionais. No entanto, nunca tinha pensado trabalhar como repórter ou com jornalismo, e afirma que foi um grande desafio assumir a responsabilidade.
“A Riot disse ‘vamos transformar vocë em uma repórter. Você já sabe do jogo, então vamos te ensinar a parte jornalística’, e eu respondi: ‘vambora!’”, conta.
2018: UM ANO DE SUPERAÇÃO
Se 2017 foi um ano de mudanças e aprendizado para Tawna, 2018 foi um de superação. Por conta própria, a repórter decidiu fazer um curso de apresentadora para ter uma base ainda mais completa para seu trabalho no CBLoL e até conseguiu alguns trabalhos durante a BGS, por exemplo.
“No CBLoL, eu não faço só as entrevistas. Eu também escrevo as matérias e penso nelas como um todo, de um modo técnico, desde o texto até quando entra ou sai a música”, conta.
Tawna acredita que as funções de repórter e apresentadora são complementares e que todo seu esforço foi recompensado em um grande momento marcante do ano passado para ela: sua entrada ao vivo durante o Prêmio CBLoL.
“Desde que eu entrei na Riot, eu tinha vontade de fazer o ao vivo, de participar das transmissões”, confessa. “Entrar ao vivo com o Melão foi uma realização. Muita gente me elogiou e achei que me saí muito bem. Mostrei a mim mesma que sou capaz de fazer o que eu quiser se eu tiver a oportunidade”.
A repórter também abriu o coração e falou sobre outra superação importante que teve em 2018: a depressão. Tawna conta que, no ano passado, por meio de terapia, conseguiu se sentir bem o suficiente para deixar de tomar remédios psiquiátricos.
“Me descobri muito como pessoa com terapias holísticas”, revela. “Não é legal ficar tomando remédio, e quando me senti bem o suficiente, fui ao psiquiatra e disse que não precisava mais ser medicada, que estava com a consciência boa. Foi bonito, ele até me deu um abraço e eu chorei”.
[Aproveitamos o texto para alertar que a depressão é uma doença grave e que é importante procurar ajuda para você, amigos ou familiares. É possível tentar ajuda pelo governo nos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), enquanto o Centro de Valorização da Vida ampara aqueles que estão com tendências suicidas].
PLANOS PARA 2019
Se uma coisa ficou clara em nossa conversa com Tawna, é que ela nunca está parada.
Segundo ela, os planos para 2019 seriam fazer uma faculdade, mas a repórter decidiu focar no estudo dos idiomas Inglês e Espanhol primeiro. “Entrevisto muita gente em inglês. Eu sei falar, mas quero deixar mais afiado. E não só com a chegada do Whitelotus [para a INTZ], mas para os falantes de espanhol que podem estar por vir, quero aprender a língua também”, explica.
Ao mesmo tempo, Tawna continua com suas transmissões ao vivo e recentemente decidiu voltar com seu canal no YouTube.
“Estou empenhada com meu canal no YouTube. Tive ideias para conteúdos diferentes, não só vídeos de gameplays, e quero investir nele para ficar mais próxima dos meus viewers”, explica.
“A ideia da Tawna é que sempre quero me aprimorar, que nunca estou parada. Quero estar em constante evolução e criatividade”, garante.
