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Do teatro para os esports: Camilota fala sobre carreira e vontade de ter seu próprio programa

Camilota no palco da Superliga ABCDE 2018 de League of Legends. Leonardo Sang/BBL

Pense na pessoa mais carismática, engraçada e sem papas na língua entre os apresentadores de League of Legends no Brasil hoje em dia. Se pensou em Camila “Camilota” Silveira, existe um bom motivo para isso.

Atriz de formação, a carioca foi uma das forças que ajudou a alavancar o Circuito Desafiante ao mesmo patamar - ou até um degrau acima - do CBLoL, e hoje é vista como um dos grandes nomes do cenário quando o assunto é entretenimento. Mas como Camilota foi parar nos esportes eletrônicos?

Em conversa com o ESPN Esports Brasil, a carioca conta que sempre foi fã de games desde de criança e que jogou muitas e muitas horas de Ragnarök, mas que largou tudo aos 16 anos para seguir o sonho de ser atriz.

“Quando eu fiz 16 anos, decidi parar de jogar [Ragnarök] porque eu já sabia o que queria fazer, que era ser atriz. Comecei a me dedicar 100% à minha carreira e parei de jogar todas as coisas possíveis”, lembra ela.

Deu certo. Apesar de ter tido problema iniciais em convencer os pais - principalmente o pai - de que seu destino era ser atriz, Camilota participou de diversas peças de teatro e de companhias teatrais em seus anos de estudo, chegando a ser premiada como Melhor Atriz e Melhor Atriz Coadjuvante em alguns festivais. Além dos palcos, também participou de novelas, programas de TV, comerciais e ações para grandes empresas.

Foi então que, em 2017, recebeu uma proposta para algo totalmente diferente: ser apresentadora de um torneio de esporte eletrônico. “Na época [do convite], eu estava quase decidindo me mudar para São Paulo porque estava fazendo muita publicidade e propaganda, mas acabei passando no teste e decidi continuar no Rio de Janeiro”, conta.

Depois de ser contratada pela PromoArena para participar do Circuito Desafiante, Camilota diz que voltou a jogar tudo que jogava antes - inclusive League of Legends. “Eu já tinha jogado um pouco em 2012, mas nunca foi meu foco. Minha conta em 2017 ainda era nível 24, então comecei a ‘upar’ em fevereiro/março e me dedicar 100% aos esports”, explica.

SKILL E XP

“Toda a minha carreira de esports eu tirei da minha carreira de atriz”, crava Camilota quando perguntamos a ligação entre os dois trabalhos. “O desenvolvimento que eu tenho com câmera, com palco, eu ganhei no teatro, eu ganhei fazendo TV”.

A carioca confessa, no entanto, que ser apresentadora nem sempre foi algo orgânico. “No começo, tentei criar um personagem para entrar na história, mas fui me achando aos poucos e agora tenho a Camila Apresentadora, a Camila Streamer, a Camila Youtuber, a Camila que está falando sério, mas também tem um pouco de brincadeirinha. Então, hoje em dia, eu consigo andar de forma mais tranquila em todos esses espaços”, revela.

Outro momento em que a experiência da atriz apareceu foi na decisão de ser streamer e youtuber nas horas vagas. Camilota conta que sempre quis ser youtuber, mas que a oportunidade só surgiu depois que ela começou a fazer transmissões ao vivo “para muita pouca gente no começo”, em agosto de 2017.

“Na época, conheci o Melted, que é meu editor de vídeo, e ele se ofereceu para editar para o meu canal no YouTube. O canal foi ao ar em 1º de dezembro e já temos um ano”, diz. “Meu objetivo era juntar essas três funções para crescer profissionalmente, para que a minha imagem estivesse vinculada em vários lugares, e está dando certo”.

SEGUINDO CARREIRA

Na conversa, Camilota contou que soube que queria continuar no caminho dos esports quando subiu no palco da Comic Con Experience em dezembro de 2017 para apresentar o Desafio PromoArena. “Subi no palco na frente de um público muito grande e ali eu tirei a conclusão de que queria ser apresentadora. Não era mais uma segunda opção”, lembra.

“Eu entrei nos esports, sendo bem sincera, por conta dinheiro”, continua. “A instabilidade que eu tinha como atriz era muito grande, então na época eu pensei: ‘cara, não custa nada tentar’. Depois que eu me apresentei, vi que realmente servia pra isso”.

Mas, como nem tudo na vida são flores, a decisão de continuar no esporte eletrônico não veio sem algumas perdas. Com o fim da PromoArena em 2018, Camilota precisou se mudar do Rio de Janeiro para São Paulo e ficar longe de toda sua família. “Claro que meus pais estão muito felizes vendo minha dedicação, mas também ficam preocupados porque estou sozinha aqui. Toda a minha família é do Rio de Janeiro, e aqui em São Paulo eu tenho apenas os amigos de trabalho”, conta.

A carioca também revelou que passou por momentos pessoais difíceis nos últimos tempos, como o término de um relacionamento e crises de depressão em meio à sua mudança para São Paulo. No entanto, está orgulhosa de tudo que conquistou. “Todo esse tumulto que aconteceu na minha vida, hoje, me vendo onde estou e o que conquistei em menos de um ano e meio, é algo muito gratificante”, afirma.

“DEIXA A VIDA ME LEVAR”

Apresentadora do Circuito Desafiante de League of Legends tanto na antiga PromoArena quanto na Riot Games durante a última etapa, Camilota deve continuar no torneio no próximo ano, quando este será operado pela Bad Boy Leroy (BBL). Além disso, colocou suas habilidades e criatividade em ação durante a segunda temporada da Superliga ABCDE neste final de ano.

Mas o que a atriz planeja para o futuro? Bom, isso ficará à cargo da própria vida.

“Vou deixar a vida me levar”, diz Camilota em referência ao famoso samba. “Quando atriz, eu colocava uma pressão muito grande em mim mesma, do que devia alcançar e conquistar. Já como apresentadora, não coloquei essa pressão e as coisas fluíram de uma forma muito tranquila. Por isso, prefiro não ficar pensando no futuro e ir um dia de cada vez”.

No entanto, isso não impede a carioca de pensar no que gostaria de fazer. Mesmo exercendo seus talentos em esquetes divertidas na Superliga, Camilota sente falta da vida de teatro e quer fazer algo em relação a isso. “Quando me tornei apresentadora, coloquei um fim no meu ciclo de atriz e professora de teatro para me focar 100% no esport, mas estou pensando no ano que vem em voltar a fazer e dar aula e, quem sabe, abrir um grupo aqui na BBL”, revelou.

Também não é incomum que atores e atrizes entrem no mundo da dublagem, e a carioca se mostrou empolgada com a ideia. “Eu já tenho facilidade em fazer personagens e tenho o DRT (registro de ator) que é necessário. Tenho até uma história engraçada porque tentei fazer um curso de dublagem em 2016, no Rio de Janeiro, mas o professor parou de dar aula bem quando eu ia começar, então deixei quieto por um tempo”, lembra. “Mas é algo que eu quero muito botar meu pé, sim”. (Fica a dica, Riot).

Por fim, quando perguntamos se a apresentadora tem vontade de participar de outras modalidades além de League of Legends, ela afirma que está entrando no mundo de PUBG, mas que quer mesmo é expandir outros horizontes.

“Quero experimentar outras coisas como apresentadora. Quero apresentar TV, ter um programa meu. Um sonho meu, hoje, acho que é ter um programa meu”, revela. “Eu me vejo muito no futuro tendo um programa, porque acho que consigo levar um show desses, sabe? Eu consigo me ver tendo isso, ‘real oficial’. Acho que seria onde as pessoas poderiam aproveitar mais ‘meu jeitinho’”.

E, com base no sucesso da carioca como atriz, apresentadora, streamer e youtuber, a ideia não parece nem um pouco absurda.