É difícil crescer no mundo “nerd e geek” sem ter ouvido falar de Magic: The Gathering, um dos mais famosos - se não “o” mais famoso - cardgames do mundo. Apesar da contínua fama de Magic em sua versão física, a Wizards of the Coast sabe da importância do mundo online nos dias de hoje, e por isso preparou uma nova versão digital do jogo, a Magic: The Gathering Arena (MTGA).
Ao contrário da primeira versão digital do jogo, que se chamava apenas Magic: The Gathering Online, o Arena foi feito de um modo “muito mais bonito” e que “trabalha muito mais o entretenimento”, segundo Carolina Moraes, gerente de comunidade da Wizards.
Em conversa com o ESPN Esports Brasil durante a BGS 2018, que contou com um estande do jogo para que o público experimentasse a novidade, Carolina explicou que o jogo “foi cuidadosamente programado para ser fácil de ser transmitido, tem mais animações, uma trilha sonora muito bonita, e as cartas até falam suas ‘punchlines’ quanto utilizadas”.
Atualmente em fase de testes aberta para o público, o Arena tem como objetivo ser extremamente fiel ao jogo físico para atrair antigos jogadores. “A coisa mais bonita do Arena é que ele é exatamente como o Magic físico, só que digital. São as mesmas regras, as mesmas cartas, as coleções são lançadas simultaneamente. A experiência é idêntica e o jogador não perde em nada, afirma Carolina.
Ao mesmo tempo, a Wizards sabe que não pode viver apenas de veteranos em um mercado competitivo como o de cardgame, então preparou uma experiência acolhedora aos novatos em MTGA com “um tutorial, simples, intuitivo e muito didático”.
Mas e para os jogadores competitivos? A gerente de comunidades lembrou que o beta aberto de MGTA permite que os participantes subam de ranking. “Ele ainda não tem um ranking aberto, ou seja, não dá pra você saber o quão bom você é em comparação às outras pessoas, mas ele já trabalha essa coisa de nivelamento”, explicou.
Já sobre campeonatos oficiais do jogo, Carolina garante que até o final do ano a empresa deve anunciar algo especial dedicado ao competitivo do jogo, mas que vão “esperar até o lançamento oficial do jogo para introduzir toda essa coisa de campeonatos e competições”.
Enquanto isso, Carolina comenta que MGTA está recebendo feedback tanto de jogadores novatos quanto de jogadores experientes e do competitivo físico. “Desde o momento em que a Wizards of the Coast criou um departamento de jogos digitais, a gente entrou em contato com jogadores competitivos super engajados e envolvidos com a comunidade, e a gente trabalhou esse feedback da maneira mais precisa e dedicada possível”, contou.
O beta aberto de Magic: The Gathering Arena está disponível para PC desde 27 de setembro e pode ser baixado aqui. O jogo possui opção de idioma em português.
LIGA DAS GAROTAS MÁGICAS
No estande de Magic na BGS 2018, o ESPN Esports Brasil também teve a oportunidade de conhecer uma iniciativa muito legal da comunidade do jogo: A Liga das Garotas Mágicas.
A iniciativa surgiu em 2015, quando uma das fundadoras, Akei Uehara, decidiu criar um grupo para encontrar outras meninas para jogar Magic. Uma das fundadoras e membro da administração e moderação, Lu Couto explicou à ESPN que o grupo está em constante contato com organizadores de eventos e a própria Wizards of Coast para dar visibilidade às garotas e criar um ambiente seguro para elas.
Lu conta que a Liga possui uma página oficial no Facebook, assim como um grupo fechado no qual as jogadoras novatas podem aprender “sem preconceitos” tirar dúvidas, ou as veteranas podem descobrir como subir de nível, virarem juízas e participarem de torneios. Segundo a administradora, é importante que outras jogadoras conheçam o trabalho do grupo para saberem que há muitas mulheres no Magic e, assim, possam se sentir mais acolhidas.
“Aqui mesmo [na BGS] é possível conhecer algumas de nós que estão ali ensinando, tanto o Arena, quanto o jogo físico, e você vai encontrar a gente em vários torneios competitivos”, afirma. “Nossa representatividade aumenta cada vez mais, e você vai encontrar a gente jogando, apitando, e na staff”.
Sobre o MGTA, Lu diz ter achado o tutorial incrível e que o jogo “é muito rico no que diz respeito às ilustrações, às animações. “Sempre que joguei uma carta desde que eu aprendi, em 2000 – faz 18 anos que eu jogo –, eu sempre olhava pra carta e imaginava ela tomando vida, imaginava ela atacando meu oponente, imaginava elas brigando, sabe? E por trás de cada carta, existe uma história, e ver isso no Arena é concretizar toda essa minha imaginação. É como se você lesse um livro e assistisse ao filme dele”, revela.
No fim, ela aproveitou para deixar uma dica significativa para as meninas que desejam começar no Magic: “De tempos em tempos tem novas edições, e a última edição se chama Guildas de Ravnica. Nós fomos contempladas com um spoiler desta edição sobre a Guilda Selesnya, que é composta por elfos, entidades da natureza que se colaboram e se juntam, e elas tem uma habilidade chamada ‘Convocar’. Então, essa guilda que é feita do deck de cores verde e branca, é o que eu indicaria agora, porque nós garotas estamos nos convocando para jogar”.
