Não é novidade que o público feminino é maioria no mercado de games no Brasil e nem que as mulheres costumam participar de grupos exclusivos e seguros para encontrarem parceiras de jogos. No entanto, a Nvidia deu um passo adiante nessa questão com a iniciativa Play Like a Girl (ou Jogue como uma garota), na qual separou algumas horas durante a BGS 2018 para que mulheres pudessem jogar juntas no estande da empresa.
Coordenadora de conteúdo da Nvidiano Brasil, Larissa Machado contou ao ESPN Esports Brasil que a ideia surgiu da própria comunidade. “Perguntei no Twitter o que as pessoas no geral gostariam de ver no estande da Nvidia, e a Sakura, que é uma menina da nossa comunidade, respondeu que queria ver coisas voltadas para a comunidade feminina”, lembra.
Ao ver a ideia, Larissa confessa que rolou uma dúvida inicial sobre a probabilidade de 32 meninas aparecerem para jogar ao mesmo tempo no estande, mas o resultado foi bem acima do esperado. “Acabou que foram mais de 160 meninas confirmadas, e o que era a ideia de fechar 32 pessoas em um dia virou dois dias, 64 pessoas no total e meninas tendo que esperar para jogar. Acho que isso foi uma resposta super positiva da nossa comunidade e eu terminei a noite agradecendo imensamente à Sakura por ter sugerido a ideia”.
Durante o sábado (13), tive a oportunidade de participar do segundo dia da iniciativa, e tudo que posso dizer é que jogar apenas com mulheres é sempre uma sensação indescritível. Para completar, a disputa foi realizada no multiplayer de Battlefield V, jogo que ainda será lançado em 20 de novembro pela Electronic Arts, e em computadores montados com a mais nova e mais potente placa de vídeo da empresa, a RTX 2080 TI.
Sentada ao meu lado estava Lara Argento, gerente de mídias sociais da organização Stormtiger, que possui uma equipe de Battlefield 4. Informada pelos amigos sobre a “jogatina feminina”, Lara aproveitou a oportunidade para ter seu primeiro contato com o novo título da franquia.
Além disso, comentou a importância da iniciativa para o público feminino: “Acho que toda a indústria de games ficou voltada muito tempo mais para os homens, mas estou vendo que tem muito mais menina se interessando agora. Sempre teve, mas agora eu sinto que o pessoal está abrindo mais espaço até para aumentar essa visibilidade. Antes era uma coisa ‘nossa, você é gamer girl’, e agora a gente só joga e se diverte, e é isso que importa”
Depois de ser carregada pelas minhas companheiras de time e finalmente conseguir três abates na última partida, também conversei com as MVPs da disputa, as streamers Milena Esquierdo e Luana Auler. No papo, as duas também defenderam a importância da iniciativa.
“Acho que é uma oportunidade muito boa, até pra mostrar pra galera e cortar um pouco o preconceito de mulher jogando”, afirma Milena.
Luana complementa: “É muito bom reunir as meninas para a gente se conhecer, jogar junto e fortalecer a comunidade feminina”.
Para a sorte dos adversários que jogam Battlefield profissionalmente, nenhuma das duas pretende seguir uma carreira competitiva no jogo. Ambas garantiram que jogam apenas por diversão e como hobby. “Acho que quando fica competitivo, perde um pouco a graça”, disse Luana.
Após o sucesso da iniciativa, Larissa reiterou que a Nvidia busca sempre apoiar o cenário feminino e citou a premiação de placas RTX 1060 para as vencedoras do Circuito Feminino de Rainbow Six. “O que estiver ao nosso alcance a gente vai fazer, e quanto mais mulher, melhor”, cravou.
Você pode conferir mais imagens do Play Like a Girl aqui.
NVIDIA, ESPORTS E AMÉRICA LATINA
Minha passagem pelo estande da Nvidia na BGS 2018 também rendeu uma conversa com executivos da empresa para saber um pouco sobre a visão da empresa em relação aos esportes eletrônicos e a América Latina.
Tim Bender, vice-presidente de consumo global e desenvolvimento de negócios da Nvidia, garantiu que o mercado latino-americano é uma grande oportunidade para a empresa e que a presença da marca dobrou nos últimos anos. “Jogos populares por aqui, como Counter-Strike e League of Legends, foram algumas das forças motrizes que ajudaram a popularizar a GeForce Gaming”, comenta.
O executivo citou iniciativas especiais da empresa para o Brasil e a América Latina, como a parceria com empresas como Dell e Acer, que têm capacidade de fabricação por aqui, para levar gráficos melhores a preços mais acessíveis e em computadores e notebooks também mais acessíveis ao poder de compra brasileiro. “Acreditamos que nosso trabalho é ativar o ecossistema”, explica.
Na questão de esportes eletrônicos, Richard Cameron, diretor da Nvidia no Brasil, lembrou que a empresa está no Brasil há 15 anos e que desde sempre se preocupou em patrocinar times e campeonatos - como o apoio dado à MIBR em seu início.
“Esse ano tiramos um pouco o pé do patrocínio de times porque tem muita mudança acontecendo no mercado, então o que decidimos fazer é apoiar os campeonatos com equipamentos”, afirma. “Assim como uma Copa, na qual você precisa ter o melhor campo de futebol, a melhor bola, a melhor chuteira, em um campeonato de esports você precisa ter equipamento de primeiríssima linha, e este ano decidimos tomar essa postura de apoiar todos os campeonatos com os equipamentos que eles precisam para que sejam o melhor possível”.
Richard diz que a resposta dos jogadores e patrocinadores têm sido excelentes, o que “mostra que todos os campeonatos de esports que hoje acontecem no Brasil acontecem com a Nvidia”. O executivo, no entanto, revela que a empresa está reavaliando o investimento em times para o próximo ano.
