Dois títulos de Campeonato Brasileiro de League of Legends (CBLoL) e participação em todos os torneios internacionais da modalidade. Assim podemos resumir o 2018 da KaBuM. Para muitos, uma temporada perfeita. Mas não para o suporte Marcelo "Riyev" Carrara.
"Esse ano de 2018 tem sido intenso para nós. Não diria que foi a temporada perfeita porque erramos em muitos aspectos", avaliou o jogador em entrevista ao ESPN Esports Brasil. De acordo com Riyev, a KaBuM acabou que conseguiu "tirar o melhor de nossos erros e os resultados foram surgidos"
Apesar de ter terminado o ano no topo do cenário brasileiro, Riyev acredita "que tenha faltado experiência e maturidade com tudo o que iria acontecer. A maioria desses momentos foi surpreendente para nós, visto que ninguém tinha passado por eles antes". O caçador Filipe "Ranger" Brombilla completa o companheiro: "na minha opinião, faltou preparação para os eventos internacionais". Categórico, o jogador afirma que, "no final das contas, um atleta nunca está satisfeito e, ganhar apenas no Brasil, não é mais o suficiente".
EVOLUÇÃO DO TIME
A KaBuM entrou em 2018 com um só pensamento: reconquistar o espaço perdido na elite brasileira. Mas a equipe fez mais. Evoluindo constantemente durante a temporada, o time não só conseguiu apagar a mancha do rebaixamento, como também voltar a sentir o gosto de conquistar um título importante e representar o Brasil fora do País.
Para Ranger, a KaBuM "da primeira etapa é muito semelhante a do segunda tanto em estilo de jogo, quanto em atitude". O caçador acredita que "o que tenha mudado um pouco seja a maturidade dos jogadores" e que "o time melhorou em pequenos aspectos dentro do jogo". Questionado sobre em que aspecto os Alaranjados ainda precisam evoluir para o Mundial, o jogador destaca, mais uma vez, a maturidade.
Já Riyev vê que "a evolução do time foi bem significativa, afinal, nossos resultados foram bons e todos sabiam quais os pontos que precisavam ser melhorados". O suporte afirma que a diferença do time entre as duas etapas da liga brasileira está na "maturidade": "todo mundo cresceu muito e juntos conseguimos alcançar nossos objetivos". Quanto a participação da KaBuM no Mundial, Riyev aponta que “ainda precisamos melhorar muito, afinal, aqui estão as melhores equipes do planeta”.
PREPARAÇÃO
A preparação da KaBuM para o Mundial começou logo após o título da segunda etapa. Pouco tempo após bater o Flamengo na decisão, a equipe pegou um voo rumo a Coreia do Sul, país que sediará a maior e mais importante competição da modalidade.
De acordo com Ranger, a preparação da equipe "está sendo a melhor possível" já que "todos os jogadores estão muito empenhados em evoluir individualmente e em time". Faltando uma semana para a estreia, o foco, aponta o caçador, será "aperfeiçoar os detalhes porque é o que mais nos tem custado jogos nos treinos".
Riyev revela que "nessa última semana nosso trabalho vai dobrar". "Nosso time tem evoluído bastante com esse bootcamp tanto individualmente, quanto no coletivo. O foco é continuar melhorando, obviamente porque não vai ser nada fácil", afirma o suporte.
A expectativa de Ranger é que o Mundial será um campeonato muito díficil. "Até as equipes que receberam seed 3 na Fase de Entradas são um desafio para nós. Portanto, temos que ter uma preparação para todos", avalia o jogador. O caçador aponta que o objetivo da KaBuM "é chegar na Fase de Grupos do Mundial e acredito que qualquer coisa a mais do que isso seja muito difícil com o nível do Brasil, no momento".
APRENDENDO COM O PASSADO
Neste ano a KaBuM teve outras duas oportunidades de disputar torneios internacionais: o Rift Rivals e o Mid-Season Invitational (MSI), o qual tem nível semelhante ao Mundial
Se na competição voltada à América Latina, junto com a Vivo Keyd, os Alaranjados saíram comemorando o título, no torneio de meio de temporada o resultado foi bem diferente. Apesar da campanha positiva, com quatro vitórias em seis séries, a equipe acabou sendo eliminada ainda na Fase de Entrada.
Riyev e Ranger têm opiniões diferentes sobre as lições aprendidas no Mid-Season. Para o suporte, "as lições que o MSI nos deu estão sendo de muita valia aqui no Mundial. Se não tivesse acontecido tudo aquilo poderíamos ser pegos de surpresa novamente aqui na Coreia. Talvez não responderíamos da melhor forma, afinal não tem muito tempo para pensar nas respostas. Mas, com toda certeza, a gente veio para o Mundial bem mais preparado".
Já de acordo com o caçador "não teve muito o que absorver no MSI, além da experiência para nós jogadores já que nunca havíamos participado de um campeonato internacional". Ranger aponta que pelo nível da Coreia ser "bem diferente" do encontrado na Europa - onde foi disputado o MSI -, a KaBuM está "evoluindo muito mais graças ao bootcamp".
PRESSÃO DA TORCIDA
O Brasil sempre foi considerado uma das potências entre as regiões emergentes. Mas nas últimas duas temporadas as equipes do País não têm conseguido avançar para o evento principal tanto no MSI, quanto no Mundial. Retrospecto este que é bastante criticado pela comunidade. Os jogadores da KaBuM, inclusive , sentiram um pouco da “ira” dos torcedores após não conseguirem avançar na edição deste ano no torneio de meio de temporada.
Riyev acredita que "cobrança de desempenho" por parte da torcida "sempre vai existir, principalmente porque estamos representando um país inteiro e não apenas nossa organização". O suporte afirmar acha "válida toda essa cobrança, se ela for saudável obviamente. Do contrário, cobrar demais não vai resultar em nenhum milagre por aqui. Por isso, o apoio da torcida é essencial para nós e, com certeza, dá um gás a mais para que nosso time se saia melhor na competição".
O desempenho aquém do esperado do Brasil nas últimas competições internacionais não coloca uma pressão a mais na KaBuM na visão de Ranger. O caçador diz que, "apesar das expectativas da comunidade, nós somos muito 'pés no chão' em relação ao nosso nível e ao nível internacional, além de termos ainda mais certeza sobre quão boas são as outras equipes participantes". Categórico, o jogador afirma que "não sentimos obrigação de ganhar e sabemos que somos underdogs".
FASE DE ENTRADA: O GRANDE DESAFIO
A KaBuM é uma das três equipes que estão no Grupo C da Fase de Entrada. A norte-americana Cloud9 e a japonesa DetonatioN FocusMe serão as adversárias da brasileira na Rodada 1 da Fase de Entrada.
Quanto ao sorteio de grupos, lúcido, Riyev afirma que “tenho o mesmo pensamento com qualquer que seja o rival: vai ser difícil e, por isso, teremos que dar mais do que o nosso melhor”. “Todos eles são muito bons e, de qualquer forma, não seria fácil. Portanto, o rival em específico não importa tanto”, avalia o suporte.
Está também é a linha de raciocínio de Ranger: “como é a competição de mais alto nível do mundo, não há adversários fáceis”. Para o caçador, a Cloud9 “é o segundo adversário mais forte que poderíamos enfrentar na Fase de Entrada. Portanto, cair no grupo deles e não pegá-los na Rodada 2 pode ser algo bom”.
O sorteio dos grupos foi bastante aguardado pela torcida brasileira. Muitos torciam para, além da KaBuM ficar numa chave fácil, a equipe ter como uma das adversárias iniciais a chinesa Edward Gaming (EDG). Enfrentar essa equipe na Rodada 1 significava não ter de duelar contra ela na série melhor de cinco (md5) valendo vaga no evento principal.
Ao ESPN Esports Brasil, Riyev revela que torceu "um pouquinho" para a possibilidade de KaBuM e EDG iniciarem a Fase de Entrada no mesmo grupo. Ranger também aponta que esse seria o “melhor cenário” para a equipe brasileira.
Questionados pela reportagem sobre quais seriam os melhores e piores adversários para a KaBuM num possível confronto valendo vaga na Fase de Grupos, Riyev e Ranger apontam EDG sendo a mais difícil e a taiwanesa G-Rex, como “mais fácil”.
"Acredito que os times com menor dificuldade para enfrentarmos na md5 seriam a europeia G2 Esports e G-Rex. Mas ambas são equipes muito fortes e seriam um grande desafio", analisa Ranger.
