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Para Zantins, rebaixamento em 2017 foi "essencial" para sucesso da KaBuM nesse ano

KaBuM com o troféu após a conquista da Segunda Etapa do CBLoL 2018 Riot Games

A KaBuM fez história no League of Legends brasileiro neste último final de semana. Após vencer o Flamengo por 3 a 2 na grande final da Segunda Etapa do CBLoL, o time será o primeiro a representar o país duas vezes no Mundial do jogo.

A jornada até essa conquista, no entanto, não foi fácil para a KaBuM. Depois do Mundial de 2014, a organização perdeu jogadores e não conseguiu fazer suas novas iterações chegarem a outra final. Em 2017, a KaBuM ainda passou por problemas estruturais que deixaram seus integrantes descontentes e derrubaram o desempenho do time, que acabou rebaixado para o Circuito Desafiante.

Eis que, como uma fênix, o time venceu a Segunda Etapa do Desafiante de 2017 para subir novamente ao CBLoL com uma nova estrutura, uma escalação mais consistente e a ajuda do técnico estrangeiro Jean-Francois "Nuddle" Caron. Em seguida, a KaBuM fez uma ótima campanha para levar a primeira etapa do CBLoL deste ano e representar o Brasil no Mid-Season Invitational.

O resultado não foi o esperado, e o time se despediu de Nuddle e sofreu um pouco no início da segunda etapa até a chegada do técnico de Lee “Hiro” Woo Seok. No Brasil, o sul-coreano “botou ordem na casa” e provou o potencial da KaBuM ao ajudá-la a vencer o CBLoL pela segunda vez no ano.

Dois integrantes que estavam na KaBuM na época difícil da organização, Luccas "Zantins" Martins Zanqueta Silva e Marcelo "Riyev" Carrara contaram ao ESPN Esports Brasil como foi a fase de superação.

“‘Inacreditável’. Acho que essa é a palavra que descreve melhor 2018”, afirma o topo Zantins. “Se alguém me falasse no ano passado que iríamos ganhar os dois próximos splits, eu daria risada e acharia que isso não iria acontecer”.

Para o jogador, “o rebaixamento e todos os outros momentos difíceis que passamos foram essenciais para que conseguíssemos alcançar nossos objetivos. Então, não acho que o passado tenha que ser esquecido”.

Por sua vez, o suporte Riyev dá ênfase ao seu crescimento como jogador. “Esse ano [de 2018] foi muito importante porque deixou bem claro que, se eu fizer as coisas da melhor maneira, não tem como elas darem errado”, explica. “Com essa motivação, eu amadureci e cresci bastante, tanto como pessoa e jogador. Portanto, agora é só continuar trabalhando duro e trazer resultado para o time”.

A diretoria da KaBuM também conversou com o ESPN Esports Brasil sobre a trajetória do time no League of Legends. Fernando Noé, diretor de Marketing da empresa, garante que o objetivo da KaBuM sempre foi “fomentar a evolução do cenário nacional”, e que o período após 2014 foi considerado um de aprendizado.

“Modificamos a equipe envolvida, tanto dos jogadores e comissão técnica como staff administrativo e o modus operandi, a fim de atender à rotina do time. Dentro das mudanças, algumas decisões nos levaram a um caminho - já indicado pela organização e jogadores em 2017 – não considerado ideal”, afirma o diretor. Noé conta que a KaBuM fez muitos estudos antes da queda para o Desafiante e passou a agir com mais união junto aos jogadores. Além disso, decidiu por apostar em novos talentos e manter jogadores experientes para uma melhor sinergia. “A partir disso, o resultado foi a conquista de títulos consecutivos e um time sólido”, diz.

O diretor também garante que, mesmo nos momentos de dificuldades, a KaBuM nunca cogitou desistir do League of Legends, e que acredita que a confiança e comunicação, estabelecidas entre a organização e equipe foram cruciais para a recuperação - assim como a sinergia entre os jogadores e o investimento em uma comissão técnica experiente.

BOOTCAMP, PRESSÃO E EXPECTATIVAS

Os jogadores da KaBuM não tiveram muito tempo para comemorar o título e descansar. Todos embarcaram na noite desta terça-feira (11) para a Coreia do Sul, país que hospedará o Mundial deste ano e local onde realizarão um bootcamp até o início da fase de entrada do torneio. Tanto Zantins quanto Riyev demonstraram empolgação pela oportunidade de treinar na melhor região de League of Legends do mundo. “A SoloQ da Coreia é muito melhor que a do Brasil em termos de nível. Então, a motivação para jogar e ver até onde eu posso chegar lá é enorme”, diz Zantins.

Riyev também lembra que a KaBuM é o primeiro time a ter a oportunidade de viajar antes do campeonato “e poder treinar, se adaptar, etc. Então, só tem a acrescentar essa oportunidade”. Mesmo com a chegada antecipada à Coreia, os jogadores sabem que a cobrança da torcida será alta - principalmente após o desempenho abaixo do esperado durante o MSI. Para isso, prometem “trabalhar duro” para levar o resultado desejado aos torcedores.

Por sua vez, o técnico Hiro afirmou na coletiva de imprensa após a grande final que já está preparando o time para o Mundial desde sua chegada. O sul-coreano voltou a dizer o mesmo em entrevista ESPN Esports Brasil: “Eu já deixei os playoffs preparados e, além disso, já tenho em mente informações sobre os times do Mundial. Portanto, não importa o time que iremos enfrentar, estaremos preparados”.

Para Hiro, o Brasil tem dificuldades de passar da fase de entrada dos torneios internacionais da Riot Games por uma diferença de como a região enxerga o jogo e o competitivo. “Sinto que há uma diferença de visão entre o LoL coreano e chinês com o do Brasil. Entre os times brasileiros, vejo um nível de certa forma semelhante, ou seja, não existe uma diferença tão grande entre o campeão do CBLoL e os demais times”, explica. “Eu sinto que as equipes nacionais não sentem tanto a necessidade de melhorar a ponto de se tornarem as melhores do mundo”.

O técnico, no entanto, acredita que essa situação pode ser revertida “se todos os times do Brasil se empenharem para serem melhores do que todos - e não focar apenas em sua região”.

Ele finaliza: “Quanto à KaBuM!, sei que os jogadores não estão satisfeitos somente com a conquista do CBLOL. Por isso, eles jogarão com desempenho máximo e estaremos concentrados na conquista do Mundial”.

O Mundial de League of Legends acontece de 1 de outubro a 3 de novembro e passará por quatro cidades da Coreia do Sul. A fase de entrada, da qual a KaBuM participará, será realizada de 1 a 7 de outubro em Seul, capital do país.