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Torneio feminino Rainha de Copas é homenageado no The International

Equipe da Minas Club, vencedora da segunda edição do Rainha de Copas. Reprodução

É inegável que o prato principal do The International 2018 são os confrontos e a disputa pelo Aegis. Entretanto, a Valve se empenha sempre em oferecer muitos acompanhamentos aos espectadores do torneio.

Além de partidas entre profissionais e a inteligência artificial OpenAI Five, o jogo das estrelas e anúncios como o vencedor da votação para Arcana, o Mundial de Dota 2 conta também com vídeos sobre personalidades e comunidades do cenário. Um desses vídeos apresentou ao mundo a comunidade feminina sul-americana do jogo.

Entre junho e julho, as jogadoras de Dota 2 da América do Sul puderam participar da segunda edição da Rainha de Copas, torneio feminino que busca reforçar e estimular o cenário feminino e fazer com que as jogadoras se interessem pelo competitivo.

Ao todo, 20 equipes disputaram uma premiação de R$ 1 mil e a chance de subir ao palco na primeira final presencial de um torneio feminino de Dota 2 da região. A competição, no entanto, não correu de vento em polpa.

Nas semifinais, a vitória da equipe peruana Elite Diosas Guerreras causou desconfiança em parte das jogadoras do time adversário, o Rebirth, que as acusou de utilizar outras pessoas jogando no lugar das integrantes. Nada conseguiu ser comprovado, e o time peruano manteve sua classificação para a grande final presencial.

Entretanto, as jogadoras da Elite Diosas perderam o vôo do Peru para o Brasil, o que rendeu à finalista Minas Club uma vitória por W.O. Mesmo já tendo uma equipe vencedora, as organizadoras do Rainha de Copas já haviam garantido uma final presencial, e por isso correram para realizar um showmatch entre a Minas Club e um time misto que contou com jogadoras da equipe 2Kill. Tudo deu certo ao fim, e a sensação foi de dever cumprido com o objetivo de unir as jogadoras da região para um gostinho do competitivo.

E foi exatamente a sensação de união e o desejo em comum de crescer o cenário que foram mostrados no vídeo apresentado durante o The International 2018. Em passagem pelo Brasil para fazer filmagens com a paiN Gaming, a equipe da Valve e a entrevistadora Jorien "Sheever" van der Heijden conversaram com as organizadoras e participantes do Rainha de Copas para mostrar como o empenho de uma comunidade pode fazer diferença.

Para Marcela “Kami” Furlan, uma das organizadoras da Rainha de Copas, foi muito emocionante ver o vídeo do torneio sendo transmitido no The International 2018. “Eu revi o vídeo muitas muitas vezes, e acho que chorei todas vezes que o revi”, brincou ela. “Para mim é como um marco na história do Dota em dois aspectos, na verdade, tanto da apresentação do cenário feminino, quanto ter a Valve olhando para o cenário sul-americano”.

Kami confessa que ainda não digeriu muito bem toda a situação, mas revela que a apresentação já trouxe resultados. “Ontem mesmo vi que muitas meninas se juntaram ao nosso grupo de meninas, assim como acompanhei um longo tópico no reddit falando sobre o assunto das mulheres no Dota (e em esports em geral)”, afirma.

A organizadora cita que já viu a comunidade peruana falando de organizar um torneio presencial feminino, e que “é muito louco pensar que ‘apenas um vídeo no TI’ pode movimentar uma comunidade inteira, e criar algo até mesmo global”.

“Eu sou muito agradecida por essa oportunidade que a Valve nos deu”, garante Kami. “Esse projeto de incentivo às diferentes comunidades é muito bonito, e é algo muito bom para agregar ao jogo e à comunidade”.

Ela complementa: “Acredito que o vídeo deu muito incentivo para várias meninas que gostam do jogo, mas tinham um pouco de receio de levar mais a sério. E acredito que não só as meninas, mas todas as ‘minorias’ que sofrem nesse mundo do Dota e jogos em geral, viram que as coisas estão mudando”.

Confira abaixo o vídeo na íntegra (em inglês):