A pressão faz parte do pacote quando se defende uma organização do tamanho da FaZe Clan. Potência nos esports e no YouTube, estampar a o símbolo no peito já traz um peso aos seus jogadores - ainda mais se eles estiverem entre os melhores do mundo no Tom Clancy’s Rainbow Six Siege.
“A gente sempre, pelo que vejo, está entre os favoritos. Pelo nosso desempenho no Brasil e pelos jogos que a gente faz lá fora”, adicionou Leonardo “Astro” Buzzachera, em entrevista ao ESPN Esports Brasil.
“O que atrapalha a gente não é essa pressão, mas sim a nossa cobrança própria. Aquela que cada um tem consigo mesmo”, completou o jogador.
Campeão latino e brasileiro, Astro não conseguiu ajudar a FaZe a finalmente conquistar um título de escalada mundial. Ele e seus companheiros acabaram eliminados na primeira fase do Six Major Paris.
“Vontade de ganhar todos têm, a gente já venceu todos os títulos aqui no Brasil e queremos mesmo conquistar algo lá fora. [Final da] Pro League, major, [Six] Invitational. Acho que o nervosismo vem diminuindo muito, por conta da experiência que estamos ganhando lá fora”, contou.
“Querendo ou não, toda vez que a gente viaja é um aprendizado novo. Estamos cada vez mais lidando melhor com as derrotas e aprendendo com elas”, completou o jogador.
FALHAS NA COMUNICAÇÃO DURANTE O SIX MAJOR
Uma das integrantes do grupo D ao lado de Rogue, Team Secret e OrgLess, a FaZe acabou eliminada na partida decisiva da chave. O único triunfo da equipe foi na estreia, contra a OrgLess.
“Pelos treinos na Dinamarca, vimos que estávamos muito encaixados em alguns mapas e em outros nem tanto. Eu, pelo menos não, esperava muito do jogos. Entrei tentando dar o meu melhor e ganhamos a primeira partida”, lembrou Astro.
“Então a gente meio que foi confiante para o segundo jogo, mas algumas coisas acabaram não dando certo e Rogue e Secret tiveram uma atuação melhor que a nossa e ganharam”, completou.
Para Astro, não houve uma relaxada da equipe após vencer o primeiro confronto.
“Essa relaxada vem conforme você ganha muito. Com sete, oito partidas seguidas vencidas, é normal você relaxar e achar que é imbatível. Mas, ganhando um jogo ou um mapa, não tem essa”, contou.
De acordo com o jogador, o que atrapalhou a FaZe foi a comunicação, que ele definiu como “a pior de todos os tempos”.
“A nossa comunicação foi uma das piores que a gente já teve. Acabou desconcentrando o time e perdemos. A nossa dependência de improviso e as falhas táticas também pesaram”, completou.
DESABAFO DE GOHAN
Após a eliminação, Guilherme “gohaN” Alf escancarou os problemas na comunicação. O jogador foi ao Twitter para desabafar e dizer que “deve ser horrível como capitão”, já que o time não o escutava.
Questionado sobre o acontecido, Astro minimizou: “Foi no calor do momento, na tristeza da derrota. A gente não conversou sobre o ele ter dito isso, mas é o que aconteceu. Nossa comunicação não foi das melhores”.
Segundo o jogador, esses ruídos durante a partida são recentes. “A nossa comunicação sempre foi muito boa nos campeonatos, tudo tranquilo. Nesse que foi diferente, foi pior do que nos outros. A gente não conversou nada sobre a comunicação. Acho que vamos ver se podemos mudar algo para melhorar. Todos estão em casa com a família, não nos reunimos ainda”, explicou.
DISTANCIAMENTO ENTRE BRASIL E OUTRAS REGIÕES
Questionado sobre o desempenho ruim em relação aos Estados Unidos e a Europa, Astro destacou a diferença tática entre as duas regiões e o Brasil.
“Acho que o brasileiro é um dos melhores do mundo, mas perde muito taticamente e psicologicamente lá fora. Os times europeus e americanos têm uma vantagem tática muito boa. O primeiro time brasileiro que conseguir essa disciplina tática vai ganhar muitos títulos”, afirmou o jogador.
“Falta uma visão mais coletiva, que nenhum time daqui faz de maneira eficiente. Quando conseguirem ter essa visão, tudo vai dar certo”, completou.
ANALISTA É MAIS IMPORTANTE QUE TREINADOR
Sobre o auxílio de profissionais para conseguir essa aproximação tática, Astro concorda que o Brasil está atrás no quesito de treinadores e analistas. Para ele, o problema é a falta de experiência desses profissionais.
“Por ser um jogo competitivo muito novo, é difícil o treinador ter uma visão diferente. No CS, o treinador funciona mais porque os jogadores que se aposentaram, como por exemplo o RobbaN [treinador de CS da FaZe], tem essa experiência. Como o R6 é muito novo, acho que nenhum treinador por aqui tem essa visão de jogo diferenciada”, contou.
Por essas e outras coisas, Astro disse acreditar que um analista - que trabalha com dados brutos e análises individuais de desempenho - é mais proveitoso para o time que um treinador durante os jogos.
“Na minha visão, o analista é mais importante. Por exemplo, se vamos jogar contra a Liquid, vemos o mapa que eles ganham mais, qual perdem mais, qual bomb defendem melhor, números de derrotas e vitórias em cada bomb. Acho que isso ajuda”, explicou.
De acordo com Astro, os jogadores e o treinador Thiago "Bor" Borinelli fazem esse papel atualmente.
DECISÃO DO BRASILEIRÃO E CONTINUAÇÃO DA PRO LEAGUE
Com a Pro League para trás, a FaZe foca nas disputas locais. No próximo dia 9 de setembro, Astro e seus companheiros irão decidir a segunda temporada do Brasileirão contra Team One, paiN Gaming ou Ninjas in Pyjamas.
Questionado sobre quem acha que enfrentará na final, o jogador foi de NiP: “A gente viu que no presencial eles resolvem da maneira deles e dão resultado”.
Na Pro League, Astro afirmou que o foco é ir para a decisão, que acontece em novembro, no Rio de Janeiro. Para isso, o jogador aposta e confia em uma recuperação rápida.
“Vamos ter uma mudança muito bruta na parte tática e na comunicação. Vamos conversar sobre e melhorar para os próximos campeonatos”, contou. E o curto período de tempo até o recomeço da temporada não será problema.
“Vai dar tempo, vamos conseguir, pois não são coisas tão complexas de se trabalhar. A gente consegue com uma conversa bem feita mudar o que tem que ser mudado. Ficaremos melhores e mais tranquilos”, finalizou.
