Jogador de PUBG e cadeirante, Matheus "Hannizisk" afirma que o esporte eletrônico é para todos

Nem mesmo a limitação tirou o sonho do jogador em disputar um grande torneio presencial Dino R. / Versus

Estamos sempre falando sobre como o esporte eletrônico é uma modalidade que abraça as diferenças, mas ainda é raro nos depararmos com portadores de necessidades especiais em torneios. Um desses momentos raros aconteceu durante a qualificatória sul-americana para o PUBG Global Invitational, transmitida nos canais ESPN.

Entre os 80 jogadores de 20 equipes, Matheus "Hannizisk" Albuquerque acabou se destacando não apenas pelas balas que acertou dentro das partidas, mas também por sua condição de cadeirante.

Sem poder se locomover com as pernas após ser derrubado aos quase dois anos de idade, Matheus nunca deixou sua condição atrapalhar sua vida – e muito menos seu gosto pelo videogame.

Filho de dono de uma lan house, o jogador contou ao ESPN Esports Brasil que se apaixonou por jogos desde pequeno, mas seu “primeiro amor online” aconteceu entre 2005 e 2006 com Counter-Strike 1.6. Em seguida, passou por títulos como Hero Online e Perfect World até chegar ao PUBG por meio de convite de amigos.

Apesar de nunca ter participado ativamente do competitivo destes títulos, o pai Edvaldo Tavares afirma que o filho costumava montar equipes e disputar entre amigos, mas que foi só recentemente que Matheus decidiu se dedicar ao battle-royale. Para o jogador, as coisas foram acontecendo.

“Basicamente, eu, o ActiiioN e o HiT [companheiros na equipe Zenzory] resolvemos começar a disputar algumas scrims e o ranking do PUBG e, a partir daí, resolvemos tentar alguns outros campeonatos”, conta Matheus.

A classificação para a qualificatória veio de surpresa, quando um time foi desclassificado por descumprir as regras e abriu espaço para o Zenzory. O pai conta que não esquece do rosto de felicidade do filho ao saber que havia sido classificado e que se sente “agraciado com essa vitória dele”.

Falando em vitória, a classificação não foi a única de Matheus e sua equipe. Apesar de não conseguir a vaga para representar a região sul-americana em Berlim e terminar na 13ª colocação, o time conseguiu surpreender favoritos e terminar em primeiro lugar na nona partida com 15 eliminações.

Para Matheus, a sensação de vencer uma partida “foi a melhor possível”. “Éramos uma equipe desconhecida e recém-criada, e poder participar do presencial com nomes já conhecidos e equipes fortes foi super gratificante. Nossa vitória mostrou a nós mesmos que podemos, sim, alçar voos mais altos”, crava.

Citando como lado positivo do esporte eletrônico “a diversão, a união e o trabalho em equipe”, Matheus afirma que chegou ao competitivo para ficar. “Pretendemos continuar com nossa equipe e quero dar continuidade a minha carreira como jogador profissional”, diz.

Esse desejo é importante para a carreira de Matheus, mas sua condição também o faz importante para outros portadores de necessidades especiais. Sobre isso, o jogador concorda que sua jornada ajudará a “mostrar que não há restrições para aqueles que possuem deficiência e que o esport é aberto a todos, independentemente da condição física de cada um”.

Orgulhoso do filho, Edvaldo acredita que só o fato de Matheus participar do torneio “favoreceu bastante a classe” e que ele pode “ser um ótimo espelho” para outros cadeirantes. Além disso, diz esperar que o filho “consiga alcançar o objetivo dele de continuar jogando” e que “seja reconhecido”.