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Como o comissário da NBA deixou sua marca nos esports na América do Norte

O comissário Adam Silver da NBA não levará todo o crédito, mas foi importante em trazer oportunidades nos esports aos proprietários da NBA Epa/Rolex Dela Pena

Adam Silver viu algumas das maiores estrelas da NBA apresentarem desempenhos épicos e acompanhou alguns dos maiores músicos do mundo brilharem no Madison Square Garden.

Mas há três verões, numa noite quente de agosto, Silver sentiu o impulso de ir ao Garden, sozinho, para ver alguns novos artistas que lotaram a arena mais famosa do mundo. Os “oohs” e os “ahhs” ecoando em toda a arena naquela noite eram do tipo que Michael Jordan e Kobe Bryant costumavam provocar ao apresentarem um espetáculo na capital do basquete.

O som que Silver ouviu, a energia que sentiu no ar, tudo isso era familiar. No entanto, o comissário da NBA nunca havia visto o Madison Square Garden desse jeito, nem atletas como aqueles sacudirem esse espaço histórico.

Por duas noites seguidas em agosto de 2015, a única coisa mais quente do que o concreto escaldante de Manhattan era a ação dos esports que encheu a arena de Jim Dolan. A rodada final da LCS NA de League of Legends atraiu um total de 22.000 fãs fervorosos, incluindo um comissário da NBA de olhos arregalados que apurou tudo. Milhões assistiram e conversaram sobre o torneio na transmissão ao vivo.

Se esse é o futuro de como o esporte será consumido, assim como muitos têm sugerido a Silver, então o mais progressivo entre os comissários de esportes precisava ver com os próprios olhos o motivo de todo aquele alvoroço.

“Me lembro que era uma noite quente de verão em agosto, quem no mundo estaria no Madison Square Garden para essa competição?” Silver disse à ESPN. “Eu soube que os ingressos haviam esgotado, mas não tinha certeza do que esperar em termos de público”.

Ele viu o suficiente naquela noite para começar um processo minucioso que levou à criação do que Silver se refere como a “quarta liga” da NBA. Menos de três anos depois de ter sua primeira experiência de esports ao vivo, Silver voltou ao Madison Square Garden em 04 de abril de 2018 para anunciar a primeira rodada do draft da liga NBA 2K na Arena MSG. Dezessete franquias da NBA estão participando, e provavelmente outras se juntarão no futuro.

“TEM ALGUMA COISA ESPECIAL ACONTECENDO AQUI”

Dois meses depois de assistir a League of Legends pela primeira vez, Silver e a NBA deram seus primeiros passos em direção a sua própria liga de esports. Em outubro de 2015, o comissário mais progressivo dos esportes profissionais – aquele que tem constantemente seus olhos e dedos na tecnologia e no futuro – entregou uma apresentação crucial dos esports junto a alguns de seus colegas em um encontro de conselho de reguladores.

Silver informou todo grupo de proprietários da NBA e seus reguladores sobre os planos da NBA, como uma liga, que vem estudando e examinando os esports intensivamente com um grupo contratado para examinar todos os ângulos. Ele compartilhou o que o grupo havia aprendido e que alguns proprietários já estavam fazendo investimentos individuais, posteriormente lançando as bases para uma parceria extraoficial que conduziria a dezenas de milhões em dólares gastos e a uma sinergia incontestável entre os e-Sports e o basquete profissional.

Silver exibiu uma apresentação comparando o número de espectadores do mundial de League of Legends com os espectadores do jogo do campeonato nacional de futebol americano universitário.

“Foi então que trocamos um olhar e dissemos, ‘Isso é algo que merece nossa atenção’”, disse Scott O’Neil, CEO do Philadelphia 76ers. “Quando você atrai ou é capaz de agregar esse tipo de audiência, penso que há grande potencial para um negócio. Em suma, temos uma organização que procura ser inovadora e progressista. Nosso grupo de acionistas sempre gosta de explorar oportunidades novas e empolgantes. Então você tem um negócio em seus estágios embrionários com números incríveis de espectadores e, ao que tudo indica, um negócio já em curso”.

O primeiro proprietário da NBA a mergulhar na aquisição de uma equipe de esportes eletrônicos foi Stephen Kaplan, de Memphis, que fazia parte de um grupo de investimentos que ajudou na compra de uma vaga em League of Legends para a Immortals em setembro de 2015, um mês antes do conselho de reguladores em outubro.

Silver disse aos outros proprietários que a NBA ajudaria quaisquer proprietários e franquias interessadas em entrar para os esports e estava explorando o papel que poderia desempenhar no negócio de jogos eletrônicos.

“Não houve chamada para ação", disse Silver sobre a apresentação. “Eu acho que estava fervoroso ao dizer que havia algo acontecendo aqui e também encantado em afirmar aos nossos proprietários que isso era algo para eles que administravam equipes - e muitos dos nossos proprietários possuem múltiplas equipes, administram arenas e são, para mim, os melhores administradores no negócio dos esportes - eu estava lhes dizendo, reafirmando, que nós devíamos operar em vias paralelas, para não me deixarem impedi-los de fazer investimentos individuais, lembrando que a liga pode agir como um recurso, mas também disse que estamos estudando incansavelmente se há uma oportunidade no nível de divisão.”

Durante intervalos na apresentação, havia um burburinho nos corredores do hotel. A conversa sobre os esports era “consideravelmente robusta” entre proprietários e reguladores.

“A reunião era muito poderosa e muito impactante, assim como a apresentação”, disse O'Neil. “E então, rapidamente, diversas equipes estavam buscando informações no mercado”.

Desde essa reunião, 13 grupos de proprietários de equipes da NBA adquiriram ou investiram em negócios relacionados aos esports. A LCS NA deu boas-vindas a três novas equipes afiliadas da NBA em sua liga em outubro; a liga de dez equipes tem oito times cuja posse parcial ou completa pertence ou já pertenceu a grupos afiliados com a NBA. A Overwatch League, uma liga de 12 equipes que se transformou na mais cara dos esports, tem cinco equipes com algum tipo de investimento de proprietários da NBA.

Comparativamente, seis equipes da MLB (beisebol) e outras três da NFL (futebol americano) possuem quotas de propriedade nos esports. A NBA, mais do que qualquer outra liga profissional, marca seu território em uma indústria florescente com 1 bilhão de dólares em projeções do rendimento nos próximos três anos, de acordo com avaliações atuais de equipes e diversos estudos na indústria.

“MAS QUE DIABOS É ISSO?”

Na noite em que Silver esteve no Garden, o comissário da NBA descobriu rapidamente que não estava sozinho. Sócios estimados tais como o presidente da Turner, David Levy, proprietários da NBA como o Wes Edens, de Milwaukee, e antigos jogadores como Rick Fox estavam lá. Edens e o proprietário da Washington Wizards, Ted Leonsis, estavam entre os primeiros, mesmo antes do encontro do conselho de reguladores de outubro de 2015, para compartilhar suas visões sobre esports com seus colegas.

“O entusiasmo daqueles fãs... Eu fiquei muito impressionado”, disse Silver sobre o que viu. “Eu estive lá uma vez para assistir a uma partida de xadrez, quando eu era mais jovem, e pensei que os espectadores seriam quietos e mais introspectivos. Mas havia muito mais ‘uhull’, um entusiasmo tempestuoso, muito além do que esperava”.

E está acontecendo em todas as partes do mundo.

“Quando você vê mais de 200 milhões de espectadores de esports do mundo todo, se aquilo não chamar sua atenção, você devia considerar mudar de negócio; talvez o Exército da Salvação ou Papai Noel tocando uma campainha numa esquina”, disse Peter Guber, coproprietário dos Gold State Warriors à ESPN.

Os Warriors começaram uma equipe de League of Legends em outubro de 2017, além do investimento pessoal de Guber na endêmica organização de esports Team Liquid. “Porque esse não é só um sinal alarmante, mas sim um chamado estridente para reconhecer um público profundamente envolvido com esports, e uma parcela grande desse público são pessoas que estão interessadas no basquete, interesse que é potencialmente recíproco”.

De Magic Johnson a Shaquille O'Neal, passando por Mark Cuban, alguns dos maiores nomes da NBA investiram nos esportes eletrônicos, com outros proprietários que planejam fazer o mesmo.

“Eu levei meu filho [a uma competição de e-Sports], acho que foi no Staples Center, nós estávamos sentados no chão, perto do palco, e o barulho era similar ao jogo final de uma “melhor de 7” do basquete”, Shaquille O'Neal disse à ESPN sobre sua primeira experiência com esports. “Foi alucinante... Eu pensei, 'que diabos é isso?'”

Muitos podem ainda não conhecer tanto os esports, mas Silver está empenhado em mudar isso com seu público da NBA por meio da NBA 2K League. Esports é uma indústria que gerou mais de 655 milhões de dólares em rendimentos com um público global de 335 milhões em 2017. Analistas estimam que o negócio gerará mais de 1 bilhão de dólares em rendimento global e dobrará sua audiência em 2020, de acordo com a companhia de consultoria Newzoo.

“Eu estava tão impressionado comigo por ser um pioneiro no investimento [esports], mas então percebi que todos aqui também eram”, disse Silver.

Entretanto, Silver estava olhando para a frente, para talvez um novo futuro para a NBA e seus fãs.

E se a NBA pudesse de algum modo duplicar isso algum dia e atrair a próxima geração de fãs com sua própria liga de esportes eletrônicos? O comissário, que não pode viver sem seu iPhone, e é mais ligado à geração dos esports do que muitos esperariam, decidiu tentar.

Os esports podem ser um divisor de águas, não somente para Silver e seus proprietários, mas também para esportes tradicionais ao redor do mundo. A NBA está entrando no jogo no primeiro trimestre.

Strauss Zelnick, presidente do conselho e CEO da Take-Two Interactive, desenvolvedor de NBA 2K, disse sobre onde o jogo competitivo está agora. “É o início. Como você chamaria 100 advogados num poço em chamas? Um bom começo. E eu sou um advogado. Apenas arranhando a superfície. Apenas o começo”.

“Não é como simplesmente apanhar os frutos da árvore que estão ao nosso alcance”, disse Guber. “Estamos plantando as árvores agora. Nós ainda nem estamos colhendo frutos”.

“EU AMO COISAS COMO ESSAS”

Ted e Zach Leonsis entraram em um café dentro do luxuoso Roosevelt Hotel em Nova Orleans e o bilionário de 61 anos e seu filho pediram cappuccinos. Um dia longo estava se estendendo, com mais trabalho de networking para acontecer naquela noite.

“Cafeína… como esports”, Ted Leonsis disse.

O proprietário do Wizards e do Washington Capitals ainda não tinha dado seu primeiro gole e já estava tonto. Ted queria compartilhar como entrou nos esports.

“Você vai realmente contar essa história?” Zach Leonsis, o VP e GM da Monumental Sports Network que teve um papel fundamental no empreendimento de Leonsis em esports, perguntou naquele tom que um filho usa quando um pai orgulhoso está a ponto de revelar uma história que poderá envergonhá-lo.

Sim, ele ia contar a história.

O pai e o filho estavam na conferência de tecnologia da NBA durante o All-Star Weekend há dois anos em Toronto. A conferência foi iniciada por Silver há 18 anos. Ela atrai holofotes não somente da comunidade do basquete, mas também do mundo dos negócios, da imprensa, da tecnologia e do entretenimento. Os palestrantes na conferência de 2017 incluíram os integrantes do Instagram e do Twitter, Martin Dempsey e o rapper DJ Khaled.

Nas duas últimas conferências, os esports foram um grande tema de discussão com seu próprio painel.

Ted já pensava no assunto em 2016. Estava falando ao Levy, presidente da Turner, sobre a “ELeague” da rede, uma transmissão profissional da liga dos esports no canal TBS que estreou mais cedo naquele verão.

“Dá muito trabalho pensar nisso com cuidado”, disse Ted Leonsis. “E isso tem assustado muitas pessoas, que basicamente dizem, ‘Isso faz minha cabeça doer’.

“Mas eu amo coisas assim. Gosto do início mais do que gosto das coisas grandes e já estabelecidas”.

Seis meses antes da conferência, a dupla Leonsis recebeu o coproprietário da Team Liquid, Steve “Liquid112” Arhancet, em uma visita em Washington. Eles acertaram e fizeram uma oferta. Mas não muito tempo depois, Arhancet parou de responder aos emails e às chamadas.

Perplexo e abandonado, o bem-apessoado proprietário do Wizards estava no escuro. Isso é, até se encontrar com Guber na conferência de tecnologia em Toronto.

“Essa história é verdadeira”, o filho interrompeu. “Eu juro por Deus, essa história é verdadeira”.

Naquele momento, seu pai teve uma epifania. Olhou para Guber e sussurrou, “Fredo, eu sabia que era você. Você partiu meu coração”.

“É uma fala famosa de ‘O Poderoso Chefão’”, disse Ted. “E ele olhou e disse, ‘Do que você está falando?’ E eu disse, 'Foi você. Você comprou a Team Liquid’.

“Eu li seus pensamentos. Juro por Deus! Eu li seus pensamentos. E algumas horas depois ele me ligou e disse, ‘Aquilo foi a coisa mais assustadora que já vi. Como você sabia?’ Eu disse, ‘Não! Eu não sabia. Eu juro, Peter, olhei para suas orelhas e vi a resposta”.

Os dois mais tarde juntaram forças e investiram na Team Liquid juntos, criando um grupo de investimento em esports nos dois lados dos Estados Unidos que inclui agora Magic Johnson, o co-fundador da AOL, Steve Case, o proprietário do Tampa Bay Lightning, Jeff Vinik, e Disney Accelerator, entre outros. Disney é a empresa matriz da ESPN.

Mas como Guber e Leonsis descobriram, o que há de melhor em esports na América do Norte é altamente competitivo. Os 11 outros proprietários da NBA que investiram nos últimos anos fugiram devido à abordagem “pagar para ver” de outros proprietários de esportes profissionais.

Nos jogos do Sacramento Kings em casa, os coproprietários Mark Mastrov e Andy Miller viram suas conversas se voltarem mais e mais para os esports. Mesmo antes de criarem a NRG Esports - que recebeu mais tarde o investimento de O’Neal, da antiga estrela do New York Yankees Alex Rodriguez e da premiada cantora e atriz Jennifer Lopez - o tema veio à tona.

“Nossos filhos são pequenos. Todos eles estão jogando”, disse Mastrov, que é o fundador da 24 Hour Fitness. “Eu comecei a perceber que esse negócio estava realmente atingindo a Geração Y em grande escala. Andy e eu começamos a conversar ... Ele disse, ‘Sabe, eu acho que isso pode ser algo legal para investirmos’. Nós começamos a observar um pouco, quando você se dá conta, uma coisa leva a outra, e nós juntamos dinheiro e atraímos alguns dos nossos amigos, e lá fomos nós”.

No outro lado do país, o coproprietário do Sixers, David Blitzer, levou seus filhos a uma competição de esports e ficou admirado com o que viu, da mesma maneira como Silver e Shaquille O’Neal ficaram. O Sixers se tornou a primeira equipe de esportes profissionais norte-americana a possuir uma equipe de esports, adquirindo a Team Dignitas e a Apex em setembro de 2016.

O proprietário do Dallas Mavericks, Mark Cuban, ouviu sobre os esports anos atrás, quando viu o esporte na AXS TV, uma das suas propriedades. Ele até competiu numa partida de League of Legends em San Jose em 2015. Embora Cuban não tenha investido numa equipe de esports, ele participa do grupo que aplicou um total de 38 milhões de dólares numa startup de aposta de Seattle, chamada “Unikrn”.

“Eu queria ser dono de todo o alicerce, uma empresa que cobriria o espectro dos esports globalmente”, Cuban disse via e-mail. “Um time precisa vencer para fazer dinheiro. Com Unikrn, a casa sempre vence”.

Zelnick, que esteve na indústria de videogames desde 1993, acreditou com tanta convicção que os videogames seriam “o próximo grande negócio de entretenimento” que deixou a 20th Century Fox, onde era presidente, para fundar a Crystal Dynamics.

“Eu estava errado sobre várias coisas em minha vida”, disse Zelnick, que trabalhou nas indústrias da TV e da música. “Mas eu estava certo quanto a isso. Eu fiz uma aposta há muito tempo que isso seria negócio grande para agora saber que é um negócio de vários bilhões de dólares. O tamanho do mercado de videogames é maior do que o de filmes e é a parte dos negócios de entretenimento que mais cresce”.

Zelnick também salientou ano passado que pessoas assistindo aos jogos competitivos não necessariamente significa pessoas comprando mais jogos, no lugar de micro transações dentro de jogos, e que o volume do rendimento vem dos eventos ao vivo e dos patrocinadores. Enquanto o desafio para investidores tem sido tentar encontrar onde eles podem lucrar no que parece ser uma nova corrida do ouro, Zelnick não está preocupado com isso. Proprietários da NBA que investiram fizeram mais na premissa e na promessa dos esports.

“Bem, este é o faroeste sem armas”, Zelnick disse sobre a indústria, algumas das quais tem pouca estrutura. “E eu aceito isso. Espero que seja a corrida do ouro, com ouro”.

O INGREDIENTE SECRETO DA NBA

Para compreender como e por que a NBA mergulhou de cabeça nos esportes eletrônicos como nenhuma outra grande liga profissional de esportes na América, você tem de entender o homem que supervisiona o esporte.

Silver orgulha-se em estar preparado e informado sobre cada tópico que cerca sua liga, seja o clima político atual e como isso pode impactar apostas em esportes profissionais ou questões sociais que alguns dos seus jogadores e treinadores estão tentando ativamente impactar. Ele ainda se mantém informado sobre o tempo e se a próxima tempestade impactará os jogos ou se dissipará. Ele leva anotações para suas reuniões, incluindo nossa entrevista em março de 2017 no 15º andar da matriz da NBA no coração de Manhattan, mesmo que quase nunca precise delas.

Permanecer conectado é um dos maiores atributos de Silver, mas é assumidamente também seu vício. Seu iPhone não saiu do bolso durante nossa entrevista, e pode ter sido um dos raros momentos do dia em que Silver não estava grudado nele.

“É vergonhoso”, disse ele. “Eu penso que quando as pessoas me elogiam por como sou receptivo num email, fico envergonhado porque estou continuamente determinado a gastar mais tempo lendo e menos tempo respondendo a emails”.

Antigamente, a visão de David Stern era expandir para a Europa, Ásia e África, e tornar o jogo global. Agora, o próximo horizonte é tão claro e vibrante como uma tela 4K: uma das missões de Silver é trazer o jogo às pontas dos dedos de cada fã através dos smartphones, dos consoles e dos computadores e alcançar tão facilmente cada canto do planeta como o astro da NBA Giannis Antetokounmpo alcança o aro com um passo da linha do lance livre.

A NBA não está pronta para começar uma franquia na Europa sabendo o quanto viagens internacionais impactariam negativamente o descanso e a saúde dos jogadores. Mas talvez possa trazer o jogo - e mais importante, a experiência de estar em um jogo - virtualmente para fãs ao redor do mundo.

“Ele não é apenas progressista, mas é instrutivo para a liga de um ponto de vista de operação de negócios”, disse Zach Leonsis. “E eu acho que o ensinamento para muitos dos proprietários individuais é que nós nunca podemos ficar muito tempo na zona de conforto. Precisamos nos preparar para o que está por vir”.

Silver desviou o crédito, no entanto, e apontou para uma nova onda de proprietários da NBA.

“O ingrediente secreto aqui são os proprietários da NBA”, disse Silver sobre a habilidade da NBA de identificar previamente e investir nas tendências. “Nós temos uma espécie de proprietários da próxima geração que são progressistas, passionais sobre o negócio dos esportes, apreciam ser administradores e amam encontrar novas oportunidades”.

Como falou Cuban, “nós temos muitos geeks e amamos a tecnologia”. E como ele bem sabe - uma vez instalou uma TV e um PlayStation na cabine de cada um dos Mavericks - a liga está cheia de jogadores que cresceram com videogames.

“Quando eu entrei na liga pela primeira vez, era tudo o que fazíamos. Nós jogávamos videogame”, disse O'Neal, que estreou em 1992. “Eu entrava em um quarto durante os intervalos e os caras estavam lá competindo em torneios de Madden. Eu não sei sobre o beisebol ou hóquei, não sei o que eles fazem em seu tempo livre, mas sei que muitos dos jogadores da NBA gostam bastante de videogames. Esports é parte da indústria de videogames, então estou certo de que os caras que investem são realmente fãs de jogos”.

O’Neal e Fox, que ganharam três campeonatos consecutivos da NBA junto com o Lakers no início dos anos 2000, estão entre os jogadores que investiram em esports. Fox e seu grupo compraram uma vaga na LCS da Gravity Gaming por um valor estimado de 1 milhão de dólares. Entre os jogadores atuais, o Jonas Jerebko do Utah Jazz comprou a Renegades, uma franquia de esports que era dona de uma equipe de LoL, e no momento da compra em setembro de 2016 tinham uma equipe de Counter-Strike: Global Offensive, os dois jogos mais populares nos esports.

Gordon Hayward, do Boston, e Jeremy Lin, do Brooklyn, são jogadores ávidos e entusiastas de e-Sports, ambos fazendo acordos de publicidade com IGN, Vici Gaming e HyperX, respectivamente. Agora Fortnite é o jogo mais recente a tirar o sono de diversos jogadores da NBA, tais como Karl-Anthony Towns, de Minnesota. Poderia ser mais um esport grande em um campo já aglomerado.

Silver disse que a NBA não estava considerando inicialmente começar uma liga envolvendo seu jogo NBA 2K. Mas conforme ele e Zelnick falavam mais sobre uma maneira para a NBA entrar para o reino dos esports, a ideia de uma liga de NBA 2K ficou mais atraente.

Fez sentido que a NBA promova o esporte com o seu jogo mais popular. NBA 2K17 é o melhor avaliado entre os jogos de esportes anuais da geração atual de consoles, vendendo nove milhões de cópias globalmente, com NBA 2K18 no ritmo de transformar-se na edição mais vendida na história da franquia, de acordo com a NBA.

A NBA já possui organizações que conseguem gerenciar e operar equipes, assim como um modelo já estabelecido para a estrutura da liga.

“Eu direi que o que tenho aprendido é que esse é um público incrivelmente entusiasmado”, falou Silver sobre consumidores de esports. “Se você olhar para os números que a Amazon compartilhou conosco sobre sua audiência no Twitch, os números que o YouTube tem compartilhado conosco sobre a enorme quantidade de tráfego que é devido aos jogadores, é de centenas de milhões em uma escala global. Eu penso que há uma razão, consequentemente, para todos nós estarmos focados nessa audiência potencial.

“Eu percebo que só porque nós temos uma marca global popular de esportes não significa que aquelas centenas de milhões de fãs de videogames vão estar automaticamente interessadas em uma liga da NBA. Mas certamente [isso] cria uma oportunidade enorme”.

“EU NÃO ACHO QUE ALGUÉM SAIBA COMO ISSO VAI FUNCIONAR”

Numa noite de sexta-feira durante o All-Star Weekend 2017 em Nova Orleans, Kevin Durant, Paul George, Kyrie Irving, CJ McCollum e Aaron Gordon estavam frustrados.

Quando eles deveriam estar pela cidade se divertindo, os cinco craques da NBA estavam levando uma surra de outros cinco craques no jogo NBA 2K17. Após a equipe STILL TRILL ganhar o All-Star Tournament de NBA 2K em Nova Orleans, os jogadores receberam seu prêmio de 250 mil dólares e uma recompensa surpresa - a possibilidade de jogar com Durant, George, Irving, McCollum e Gordon no palco.

Os jogadores da NBA, usando seus perfis virtuais no jogo, enfrentaram os vencedores, que estavam jogando com seus personagens criados e desenvolvidos. O jogo foi desigual, com Durant, George, Irving, McCollum e Gordon sendo ultrapassados nos monitores de tela plana.

Segundos após o começo do jogo, STILL TRILL bombardeou os jogadores da NBA, bateu 3 pontos e roubou o campo antes de marcar outros 3.

“Eles foram incríveis”, disse Gordon. “Eles não erravam. Estavam todos trabalhando em equipe. Eles eram gigantes. Eles eram talentosos. Eles tinham muito a seu favor”.

Os jogadores da NBA tentaram -- de verdade. De repente, se tornaram competitivos. Em momentos durante a competição do no-contest, os cinco jogadores da NBA estavam conversando entre si em seus headsets tentando desesperadamente descobrir como se defender do STILL TRILL.

“É engraçado”, Gordon disse. Nós estávamos falando como se estivéssemos na quadra de basquete: onde colocar a defesa, o que nós tentaríamos fazer para voltar para o jogo. Apenas provérbios estereotipados da NBA.

“Ofensivamente, era impossível ir atrás deles. Só a habilidade de lançamento deles, um dos caras [teve] 21 assistências, 21 pontos e porcentagem do objetivo do campo de 100%”.

Durante o placar de 95-52, Durant, sempre competitivo, agitou sua cabeça e murmurou para si. O tempo todo, quase 2 milhões de fãs acessaram a transmissão ao vivo do evento em múltiplos canais digitais, com 1 milhão assistindo no Twitter.

“Eu me sinto confortável que esse será um investimento bom para nós, que podemos agregar algum valor, ter muita diversão, e que é um jogo longo, de longo prazo”, Ted Leonsis falou dos e-Sports. Lembro-me rapidamente que na NBA, o primeiro ano de Magic Johnson [1979-80], o jogo [6] da NBA estava com atraso no áudio. Agora jogos de futebol americano, jogos de basquete, jogos de playoff, são o programa líder de audiência na televisão semanalmente.

“A razão é que ele reúne as pessoas. Possui aspirações. Em todo jogo poderia acontecer algo para você falar a respeito”.

Silver quer certificar-se de que a NBA também não perca este grande momento. Ele não sabe se a NBA encontrará o ouro com seu investimento nos esports. Mas ele e diversos dos seus proprietários estão dispostos a descobrir, mesmo que não saibam o que exatamente está acontecendo e tenham que perguntar aos fãs pelo que estão gritando, como na noite em que Silver viu os esports pela primeira vez no Madison Square Garden.

De alguma maneira, as coisas têm apresentado um ciclo completo desde então. Counter Logic Gaming, que venceu a League Championship Series da temporada de verão em 2015, que Silver assistiu, vendeu a maioria das suas ações a Dolan e sua Madison Square Garden Company em julho. Sem falar de Dolan, um dos proprietários da NBA, que se converteu aos e-Sports.

“Eu não posso levar o crédito por ter uma espécie de bola de cristal aqui”, disse Silver mais de um ano antes da liga NBA 2K fazer seu primeiro draft. “E o júri ainda está de fora. [Mas] estou incrivelmente entusiasmado - Quero dizer, você pode dizer isso agora - sobre nós termos entrado nesse negócio. Nós veremos logo a mistura entre entusiastas tradicionais da NBA de um lado e gamers do outro. Mesmo aqueles gamers que estão jogando NBA 2K podem ser em sua grande parte um público diferente daqueles que jogam basquete ou comparecem e assistem a jogos da NBA.

“Não há nenhuma certeza, e eu não quero assegurar nada, mas penso que nossas intuições nos dizem que há uma oportunidade aqui e que o mercado está pronto para uma estrutura de liga”.