Após escapar do rebaixamento do Brasileirão 2023 na última rodada, o Vasco passa por uma grande reformulação para a atual temporada. Muitos reforços estão chegando, mas talvez o mais impactante deles seja de alguém fora dos campos. Alexandre Mattos, com história em Cruzeiro, Atlético-MG, Palmeiras e Athletico-PR, chegou para ser o diretor executivo de futebol.
E ele, que tem a fama de ser um dirigente bastante atuante no mercado, fazendo sempre inúmeras contratações para os clubes em que trabalha, teve que adaptar o seu trabalho por causa da 777 Partners.
"Eu vim para o Vasco sabendo que há uma nova ordem no futebol, uma SAF, que é uma empresa. E a empresa toca o clube como uma empresa. Obviamente futebol tem algumas particularidades que precisam ser ajustadas com o tempo, principal delas talvez seja a tomada decisão com risco. É uma empresa que ainda está conhecendo o futebol brasileiro. Você vê a mudança que foi do início para o meio do ano. Essa empresa ainda está absorvendo bastante o perfil dos jogadores que são daqui para de outros mercados do mundo", iniciou ele, na apresentação de Victor Luiz e Adson como reforços.
"No futebol brasileiro o risco faz parte de tudo, a gente trabalha com seres humanos, não máquinas. O risco faz você recuar ou não. No caso de uma empresa, ela quer o menor risco possível. No futebol às vezes você arrisca um pouco mais, o resultado pode vir ou não vir. Você tem que ter saídas e organização para que isso não cause problemas."
De acordo com Mattos, apesar dele estar à frente do projeto, ele sempre precisa consultar a 777 Partners, empresa que comanda a SAF vascaína: "Tenho que entender que a palavra final não é minha. Eu direciono alguns caminhos que eu faria. Alguns são aceitos e outros não. Às vezes coloco algumas necessidades, e eles dizem 'não'. Tenho que compreender isso e bola para frente. Eu estou no Vasco há 30 dias, não vou conseguir resolver o Vasco em 30 dias. De novo: entendo a crítica e a cobrança. Mas precisa entender o objetivo. O Adson foi um montante importante, jogador de 23, 24 anos. Talvez se tivesse outro perfil, talvez esse dinheiro iria em dois, três jogadores de 30, 31 anos. Se não vai sempre achar ruim, vai sempre estar sofrendo. Precisamos definitivamente dessa compreensão do que é uma empresa dentro do futebol. Organização, gestão, planos de médio a longo prazo. Não quer ganhar para ontem, querem ganhar organizado. Outra coisa que sei que incomoda: às vezes rivais que não têm essa mentalidade de gestão fazem movimentos diferentes. Sim, cada um tem que analisar o seu umbigo. O Vasco tem um projeto que ainda vai se solidificar, e isso vai levar um tempo."
Se habituando a esse organograma, o diretor disse que conta com a paciência da torcida e definiu seus três grandes desafios no Vasco.
"Primeiro: comunicação correta para o torcedor. Sei que o torcedor vem de 20 anos sofrendo com essa situação, querendo o Vasco protagonista, o Vasco na página dos campeões. Tenho que comunicar com muita transparência o que é o objetivo. Ele compreender isso não significa que não vai pressionar, querer títulos e criticar. Mas quando ele sabe o projeto, compreende às vezes algumas tomadas de decisões que pareciam incompreensíveis. Segundo desafio: a ansiedade que tem da comissão técnica. Nosso treinador é extremamente vitorioso. Eu preciso estar ali no meio tentando apaziguar, às vezes vejo as comunicações de que precisamos contratar e precisamos mesmo. Acabamos de perder dois jogadores. Essa ansiedade é de todos, minha também. E terceiro ponto: a minha ansiedade. Sou conhecido no mercado pela agilidade, agressividade, por montagem de elencos que foram quatro vezes campeões brasileiros, vice-campeão da Libertadores."
Próximos jogos do Vasco:
Audax Rio (C) - 08/02, 21h15 (de Brasília) - Campeonato Carioca
Fluminense (F) - 14/02, 21h30 (de Brasília) - Campeonato Carioca
Botafogo (F) - 18/02, 16h (de Brasília) - Campeonato Carioca
