Obras no CT, Maracanã, contratações e mais: CEO do Vasco conta tudo de 'nova era' no clube

Luiz Mello falou sobre o planejamento para 2023 e garantiu que haverá uma 'nova era' no Vasco


De volta à Série A do Campeonato Brasileiro após a vitória apertada contra o Ituano, o Vasco já começou o planejamento para 2023. Nesta terça-feira (8), foi apresentada a nova estrutura do clube carioca, que terá o futebol gerido por uma SAF (Sociedade Anônima do Futebol) sob o comando da empresa norte-americana 777 Partners.

Durante uma entrevista coletiva no CT Moacyr Barbosa, Luiz Mello, CEO da Vasco SAF, apresentou os diretores Lúcio Barbosa (financeiro) e Gisele Cabrera (jurídica) e alguns funcionários de outras áreas. Além disso, ele prometeu que o clube carioca terá uma "nova era" e voltará a ser protagonista em 2023.

"Depois do que passamos no domingo, estamos ao mesmo tempo aliviados, porque subimos, mas empolgados para o ano que vem. É um ano que começa com a expectativa alta por parte da torcida, é um ano que a 777 pode realmente fazer alguns investimentos diretos no futebol do Vasco da Gama... Esse ano foi complicado, tivemos alguns percalços pelo meio do caminho, mas o objetivo foi cumprido. O Vasco, hoje, está de volta à Série A, e com base nisso, uma nova era vai começar. Durante essa nova era, não vamos deixar para trás o que é o Vasco da Gama, os 124 anos de história. Acho que o Josh (Wander) foi muito feliz quando comunicou que a SAF vai atuar como guardiã da história do Vasco da Gama. A gente continua sendo importante, o torcedor, a quem eu agradeço por realmente ter auxiliado neste processo, eu estava aqui no ano passado, então sei a frustração que foi quando não subimos, e sei que o torcedor está aliviado de estar na Série A e com uma perspectiva grande, com uma ambição de ser protagonista, que acho que é o que o torcedor quer", disse.

Luiz Mello falou também sobre como está a situação das obras do Centro de Treinamentos do clube da Colina.

"Temos orçamento, vai ser aprovado no Conselho Fiscal, que vai ser formado em três semanas. O que o Josh (Wander, proprietário da 777) disse é que vai colocar à disposição mais recursos. Temos estatísticas para analisar atletas e auxiliar Paulo Bracks e equipe para buscar os melhores. Vamos ter especialistas para pegar informações do nosso torcedor e potencializar o programa de Socio-torcedor. Vamos qualificar o nosso elenco. Considerando os investimentos, desde que a 777 entrou colocamos os salários em dia. Isso é uma primeira utilização dos recursos, há mais de oito meses não há atrasos. Conseguimos trazer profissionais de outros clubes que hoje querem trabalhar no Vasco. O investimento vai ser revestido no futebol, melhorando também a infraestrutura. Começamos a fazer obras no CT. Chegamos no domingo e na segunda já tinham caminhões pra melhorar os campos. Aí que serão usados os recursos pra melhora técnica e de estrutura".

Veja outro tópicos da entrevista de Luiz Mello:

Função no Vasco

"Sei que muita gente pergunta o que um CEO faz no clube. O meu papel é certificar que todos consigam trabalhar. Sou o maestro e todos tocam o piano da melhor forma possível, sem política envolvida. A gente está acostumado com um presidente que tem grupos políticos que o apoiam e você tem que dividir o clube. Eu estive dos dois lados. Antes cada VP tinha um executivo que se reportava a mim. Hoje cada diretoria e responsável por suas metas, tem seus objetivos, meu papel é certificar que isso aconteça. Futebol é uma das caixas, o carro-chefe, e vamos ter que andar em conjunto. Não adianta fazer como antes, trazer um jogador não será uma decisão de uma pessoa apenas. O Vasco tem que voltar a ser protagonista nos campeonatos que disputar."

Centros de Treinamento

"Temos dois CTs, duas concessões públicas. O CT Moacyr Barbosa é da Prefeitura, existe uma transição em sair da associação para a SAF e estamos em conversa com a Prefeitura para fazer essas obras. Os dois campos estão em obras e a ideia é que nos próximos 45 dias aconteçam as melhorias. Em Caxias (CT da base) é uma concessão federal, estamos no trâmite para transferir para a SAF e, quando tivermos segurança jurídica, vamos investir. Entendemos que investimento no futebol não é só em atletas, mas em estrutura. Por isso até ficamos quatro dias em um resort em Itu para que todos tivessem com a cabeça só no jogo."

Aporte financeiro

"Na negociação com a 777 a gente tem que R$ 700 milhões são para investimento, R$ 700 milhões são para o pagamento de dívidas. Isso gera um valor total de R$ 1,4 bilhão e foi esse número que nós usamos. Com base nos R$ 700 milhões de investimento, a gente tem que realmente fazer os aportes necessários para que o Vasco consiga voltar ao protagonismo e ter ao mesmo tempo a estrutura necessária para desenvolver os seus talentos porque uma grande parte, que o Vasco entende, e até no final (da Série B) fez bastante diferença foram os 'crias', a nossa divisão de base. Não vou entrar no mérito dos números de quanto vai entrar de aporte agora e depois, e aí foi falado na época os R$ 700 milhões que vão ser nos próximos três anos, de investimento, é uma discussão de quando é que vamos precisar, eu vou deixar isso de lado. O importante para o torcedor é que hoje temos investimento, digamos que só usamos um pote só, a gente tem um caixa único, que paga todas as dívidas, o operacional do Vasco. Hoje em dia temos dois potes: um pote a gente vai pagar as dívidas e no outro vamos investir. Não necessariamente eu vou pegar o dinheiro do investimento para pagar a dívida, isso facilita o nosso trabalho, facilita a busca de novos atletas. Tenho certeza que o fato de estarmos com o salário em dia, premiação em dia, toda a estrutura e potencial que o Vasco possui, porque afinal de contas o Vasco tem o seu potencial extremamente reconhecido, o Vasco teve quase 8 jogos em TV aberta, o Vasco levou para São Januário mais de 430 mil pessoas em jogo em casa, todos sabem do potencial do Vasco, a gente quer que esse portencial se realize. A melhor forma de fazer isso é através de investimentos, é trazer a torcida para dentro, explicar o que estamos fazendo, mostrar que é um crescimento sustentável, ao longo do tempo, a gente não vai conseguir fazer uma cesta de 10 pontos. O Vasco quer ser protagonista desde o primeiro ano e vamos fazer de tudo para que isso aconteça a partir do ano que vem."

São Januário e Maracanã

"Entendemos que temos duas casas, São Januário e Maracanã. O potencial construtivo de São Januário é um processo político, vamos fazer de tudo para que o estádio seja ampliado com dinheiro privado, a reforma que São Januário."

"E vamos precisar do Maracanã. A WTorre tem arenas importantes no Brasil. O Maracanã é rentável sim, podemos fazer eventos também, e isso será bom para o estado do Rio. A Legends é operadora dos maiores estádios do mundo e eles querem colocar o Maracanã no portfólio deles. Estamos trazendo profissionalismo, pessoas certas para o lugar certo. A junção Legends, WTorre e Vasco potencializa a utilização do Maracanã. Temos interesse na concessão e até mesmo numa concessão precária. Mandamos um ofício ao governador. Entendemos que podemos atuar nessa concessão precária, já queremos que a próxima renovação já leve isso em consideração. Estamos conversando para poder utilizar o Maracanã o mais breve possível."

"Não existe razão para que o Vasco não seja chamado para a conversa sobre Maracanã, então não pensamos em judicializar ainda. Nos colocamos à disposição, estamos falando publicamente sobre nosso interesse, íamos participar da licitação, que não aconteceu."

Situação de Jorginho

"O trabalho continua, não começa amanhã nem começou semana passada. O Paulo Bracks está aqui vendo com o pessoal de análise quais atletas podem continuar e quais vão sair. A partir do momento que definimos qual campeonato vamos disputar isso afunilou, começamos a clarear mais as coisas. O Jorginho foi um cara sensacional, de grupo, auxiliou esse grupo o objetivo, segunda vez que ele sobe o Vasco, a equipe dele é muito boa. Vamos ter muitas especulações, janela aberta, vários nomes vão surgir, alguns nomes não fazem sentido, outros já falamos sobre, mas ainda sem muita coisa. Quando chegar o Carioca já teremos uma equipe."

Contratações

"As contratações não serão escolhidas por uma pessoa só. Temos um grupo de analistas, o diretor do grupo, que é o Johannes (Spors, executivo da 777), o Sebastian Arenz (head scout do Genoa) está também com a gente aqui. Você fala com o Paulo Bracks e todas essas pessoas. São vários fatores envolvidos, como tempo de contrato… Hoje temos pessoas mais próximas para decisões mais rápidas. Ontem eu falava com o Don Dranfield (CEO esportivo da 777) de madrugada por conta do fuso, e de manhã a Gisele Cabrera (diretora jurídica) já estava fazendo o contrato. De 10 da noite até 10 da manhã já resolvemos muita coisa."

"A 777 entende que o Vasco é o carro-chefe do grupo e tem que ter o investimento adequado. Se tivermos bons jogadores mais velhos ou mais novos, vamos ver se faz parte do nosso contexto de números, do perfil de jogo, conversar com o técnico. Não vamos trazer só jogadores de 20 anos, até porque tem a pressão também, e precisamos dar experiência para os jovens. Tivemos atletas mais experientes esse ano e temos que agradecer a eles, o Nenê representa muito para o Vasco. Tem 41 anos, mas os números dele são absurdos. O Raniel por tudo que ele sofreu, a coragem que teve contra o Sport. Eu brinco que nunca teria a coragem de cobrar aquele pênalti. Esses caras vão dar a experiência para o time desenvolver em campo e trazer de volta o protagonismo que a torcida quer"

Nenê

"Nenê é um ídolo, um cara importante, foi sensacional para o nosso ambiente, chamou a torcida, acalmou jogadores, foi guarda-chuva para os jovens. Um ídolo, tem que ser respeitado, com 41 anos conseguiu entregar, muito competitivo, não gosta de perder. Um cara que está sempre rindo. Respeito muito."

Vasco segue 'do tamanho' de Palmeiras e Flamengo

"O Vasco continua sendo do tamanho desses clubes (Flamengo e Palmeiras) e vai buscar os títulos, mas é um processo. Não posso enganar os torcedores. Flamengo e Palmeiras demoraram um tempo para formar esses elencos. Vamos fazer os ajustes, teremos uma mudança brusca no nível dos atletas. Grande parte dos contratos termina agora, vamos ter que trazer mais jogadores, demora um pouco para ter o entrosamento. Já queremos disputar o Carioca com protagonismo, mas vai ser experiência para os outros campeonatos. E poderemos ajustar na segunda janela. Não podemos mais contratar 20 jogadores todo ano, temos que formar um time. Esse ciclo que tivemos nos últimos dois anos, de desmanche, é muito ruim"