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Cuiabá vira 2ª SAF do Brasil a entrar no mercado financeiro e vai em busca de R$ 20 milhões

Zagueiro Bruno Alves durante treino do Cuiabá Divulgação/Cuiabá

O Cuiabá se tornou o segundo clube-empresa do Brasil a entrar no mercado de capitais por meio de “debêntures-fut”. A operação financeira, estruturada em parceria com o Banco Semear, busca a captação de R$ 20 milhões, a serem destinados para despesas operacionais do clube, que foi rebaixado à Série B do Campeonato Brasileiro na última temporada.

"Investimos forte em estrutura, e a principal delas foi a construção do centro de treinamento, desembolsando mais de R$ 40 milhões", disse o presidente do Cuiabá, Cristiano Dresch. Avaliado em R$ 50 milhões pela S&P, o novo CT, inclusive, foi colocado como garantia para a debênture.

No Brasil, entre os mais de 70 clubes considerados com modelo empresarial, apenas o Atlético-MG havia conseguido captar investimentos nesta operação, em 2024, com emissão de R$ 105 milhões, prazo de três anos e taxa equivalente a CDI mais 3,5%.

De acordo com informações do site oficial do clube, no último balanço publicado em 2023 (o de 2024 só deve ser divulgado em meados deste ano), o Cuiabá bateu recorde de receitas, com R$ 157,9 milhões, 13% maior do que em 2022. Já o lucro líquido antes de impostos foi de R$ 37,3 milhões, o que representou um aumento de 45%.

"As receitas mudam muito na Série B e alguns desencontros de fluxo de caixa aconteceram, como as inadimplências que algumas agremiações possuem com o Cuiabá, equivalente a milhões de reais. A partir disso, passamos a buscar uma forma nova de capital de giro, e a alterativa para essa injeção financeira veio por meio das debêntures", complementa Dresch.

As “debêntures-fut” são títulos de dívidas emitidos pela Sociedade Anônima do Futebol (SAF), desde a homologação da lei, em 2021, com o objetivo de captar novos recursos junto aos investidores, utilizados no desenvolvimento de atividades e no pagamento de gastos, despesas ou dívidas relacionadas às atividades típicas da emissora. Os papéis têm prazo de dois anos e remuneração equivalente a CDI mais 5%.