Goleada por 6 a 2 sobre o Panamá, no Rio de Janeiro. Vitória por 2 a 1 sobre o Egito, em Cleveland. Os resultados nos últimos amistosos antes da Copa do Mundo mostram um caminho para a Seleção Brasileira, embora existam problemas que os placares não necessariamente ajudem a responder.
A seis dias da estreia no Mundial, contra Marrocos, em Nova Jersey, Carlo Ancelotti convive com dúvidas e questões abertas – mesmo que, na entrevista coletiva de sábado (6), tenha dito o contrário. O ESPN.com.br lista abaixo cinco tópicos que precisam de uma solução até a Copa. Ainda dá tempo?
Sem Wesley, como fica o lado direito?
Tudo caminha para que o lateral-direito da Roma, grande válvula de escape do lado direito ofensivo, seja cortado pela lesão sofrida contra o Egito. Não há, dentro ou fora da pré-lista, alguém com as mesmas características de Wesley, o que cria um buraco no elenco da Seleção.
Seja qual for a opção escolhida por Ancelotti, de convocar um outro defensor ou alguém do meio-campo, o time terá que se adaptar à nova característica. Danilo e Ibañez, prováveis substitutos, jogam de maneira bem diferente, ambos focados mais na defesa. Quem dará profundidade ofensiva?
Dupla de zaga desentrosada: o que esperar?
Marquinhos voltou a jogar pela Seleção contra o Egito. Gabriel Magalhães, apesar de convocado, foi poupado por conta de desgaste e não atua pelo Brasil desde 15 de novembro, quando formou dupla com o defensor do PSG. Isso significa que a zaga titular não entrou em campo lado a lado neste ano.
Os dois não possuem um entrosamento imenso, de anos jogando juntos (como era, por exemplo, o caso de Marquinhos com Thiago Silva), o que gera uma incógnita em um setor bastante importante da formação tática de Ancelotti. Para complicar, os reservas têm pouca bagagem com a camisa da Seleção.
Como tirar o melhor de Raphinha e Vini Jr.?
Pelo que jogam no Barcelona e no Real Madrid, os dois atacantes estão entre os melhores jogadores do mundo inquestionavelmente. Mas isso não significa que rendem quando atuam pela Seleção. Contra o Egito, o camisa 11 foi mais produtivo e deu assistência para Endrick, mas a estrela merengue mais errou do que acertou.
Ancelotti tenta fazer testes para encaixá-los. O desenho atual coloca Raphinha aberto pela esquerda e Vinicius Jr. centralizado na fase defensiva; no ataque, o destaque do Real Madrid cai para a conta e deixa o colega de Barça flutuar. Seja qual for o sistema, é fato que eles ainda não formam a dupla que poderiam ser.
Qual tipo de centroavante a Seleção precisa?
A convocação para a Copa do Mundo ofereceu três opções de centroavante para Ancelotti: um camisa 9 típico de referência (Igor Thiago), outro que mistura força, velocidade e explosão (Endrick) e alguém de maior qualidade técnica e que se sente mais confortável fora da área (Matheus Cunha).
Os três foram testados, ainda que de maneiras diferentes. Cunha, que ganhou a camisa 9, e Igor Thiago foram titulares, enquanto Endrick entra sempre como reserva no segundo tempo. Todos oscilaram e não seguraram de vez a posição de titular. Para a estreia e o restante da Copa, quem é que mais se encaixa à necessidade da equipe?
4-2-4 é mesmo a saída para os problemas?
Ancelotti bate o pé e garante: o sistema tático do Brasil está consolidado e não será modificado. Prova disso foi que nem a entrada de Lucas Paquetá contra o Egito mexeu no desenho. A Seleção se defende em um 4-4-2, com duas linhas de quatro, e ataca em um 3-2-5, com um lateral e um ponta dando amplitude em campo.
Será mesmo esse o caminho para se dar bem em uma Copa do Mundo que terá certamente mais foco na defesa, por conta do desgaste físico de jogar sob condições climáticas ruins, do que no ataque? Técnico e comissão não devem mudar de ideia logo de largada, mas o desempenho na primeira fase talvez mexa com os planos.
