A Seleção Brasileira teve em 1950 a maior chance de ganhar a primeira Copa do Mundo de sua história na época, mas um detalhe tirou o troféu Jules Rimet da mão de uma geração de craques e marcou por décadas a carreira de um escolhido como vilão: Barbosa.
Doze anos após o torneio de 1938, a Fifa esperou a resolução da Segunda Guerra Mundial para retomar o evento esportivo. O Brasil, embalado pela campanha na França e também pelo título Sul-Americano de 1949, foi escolhido como a sede da competição, de volta à América do Sul.
Como preparativo, o país construiu aquele que seria o estádio mais icônico do mundo: o Maracanã, sediado no Rio de Janeiro e com capacidade para mais de 200 mil pessoas. Ele seria basicamente a casa da Seleção em quase todos os jogos daquela Copa, papel semelhante ao feito pelo Uruguai com o Centenario, em Montevidéu.
Apenas 13 países toparam disputar a Copa, uma ausência tão grande que fez o Brasil se isolar como o único a participar de todas as edições (Bélgica, Romênia e França ficaram pelo caminho). Tudo indicava para a conquista de um título em casa.
Cabeça de chave do Grupo A, a Seleção dirigida por Flávio Costa e liderada por Zizinho em campo estreou com 4 a 0 sobre o México, empatou em 2 a 2 com a Suíça (no único jogo disputado no Pacaembu) e garantiu a liderança ao fazer 2 a 0 na Iugoslávia.
A fase final seria disputada entre os líderes dos quatro grupos: Brasil, Suécia, Espanha e Uruguai. A Seleção massacrou os suecos por 7 a 1, repetiram o feito com 6 a 1 sobre a Espanha e chegaram para o derradeiro jogo contra os uruguaios com amplo favoritismo.
A confiança no título era tamanha que relatos da época apontam até um clima de oba-oba entre jogadores, comissão técnica e dirigentes. Na véspera da decisão, um jornal carioca até estampou na capa a manchete "Estes são os campeões do mundo".
Um simples garantiria o título brasileiro naquela tarde de 16 de julho, o que fez as aproximadamente 220 mil pessoas comemorarem ainda mais o gol de Friaça, logo no início do segundo tempo. Mas, liderados pelo capitão Obdúlio Varela, o Uruguai passou a controlar o jogo.
O empate veio 20 minutos depois, com Schiaffino, após cruzamento de Ghiggia. O mesmo Ghiggia que, aos 34 da etapa final, ganhou na corrida de Bigode pelo lado esquerdo e surpreendeu Barbosa com um chute rente à trave para virar a final e dar o título à Celeste.
Choro, desespero e incredulidade tomaram conta das arquibancadas. O Brasil, em casa, deixou escapar o título, o que iniciou uma caça às bruxas. Barbosa, grande goleiro do Vasco e titular incontestável da Seleção, foi o escolhido pela falha no gol de Ghiggia. Uma culpa que o camisa 1 carregou basicamente até o fim da vida, em uma das grandes injustiças da história do esporte.
Os convocados da Seleção para a Copa:
Goleiros: Barbosa (Vasco) e Castilho (Fluminense)
Defensores: Augusto (Vasco), Juvenal (Flamengo), Nilton Santos (Botafogo) e Nena (Internacional)
Meio-campistas: Bauer (São Paulo), Danilo (Vasco), Bigode (Flamengo), Rui (São Paulo), Noronha (São Paulo), Alfredo (Vasco) e Eli (Vasco)
Atacantes: Zizinho (Bangu), Maneca (Vasco), Ademir de Menezes (Vasco), Jair (Vasco), Chico (Vasco), Friaça (São Paulo), Baltazar (Corinthians), Adãozinho (Internacional) e Rodrigues (Palmeiras)
Técnico: Flávio Costa
A campanha da Seleção na Copa:
Brasil 4 x 0 México
GOLS: Ademir (2x), Jair e Baltazar [BRA]
Brasil 2 x 2 Suíça
GOLS: Alfredo e Baltazar [BRA]; Patton (2x) [SUI]
Brasil 2 x 0 Iugoslávia
GOLS: Ademir e Zizinho [BRA]
Brasil 7 x 1 Suécia
GOLS: Ademir (4x), Chico (2x) e Maneca [BRA]; Andersson [SUE]
Brasil 6 x 1 Espanha
GOLS: Ademir (2x), Jair, Chico (2x) e Zizinho [BRA]; Silvestre [ESP]
Uruguai 2 x 1 Brasil
GOLS: Schiaffino e Ghiggia [URU]; Friaça [BRA]
