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Como treinador mental ajudou Léo Pereira a chegar à seleção brasileira e qual seu conselho ao zagueiro antes de estreia

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Treinador mental revela conselho para Léo Pereira antes de estreia pela seleção brasileira (1:37)

Léo Pereira deverá ser titular no amistoso desta quinta-feira (26), contra a França (1:37)

O zagueiro Léo Pereira, do Flamengo, contou com a ajuda de um treinador mental para ser convocado para a seleção brasileira. O responsável pelo trabalho, que começou em setembro do ano passado, é o ex-jogador Carlos Bertoldi, também conhecido como Ticão. O profissional teve conversas semanais com o defensor e usou até uma imagem gerada por Inteligência Artificial para auxiliar no processo de preparação.

"No primeiro momento em que a gente esteve junto, eu perguntei para o Léo: 'Qual é o seu sonho?'. Ele falou: 'O meu sonho é um dia jogar na seleção'. Geralmente, a gente precisa fazer algo para depois ser e acontecer. E a minha provocação para o Léo foi: primeiro nós seremos e depois iremos fazer. Ou seja, absorver identidade do atleta de seleção, ser um atleta de seleção, se ver como um atleta de seleção. Isso impacta o comportamento, as decisões, as escolhas, o perfil, o que pensa, o que faz, o treino", explicou Carlos Bertoldi, em entrevista à ESPN.

"É se colocar nesse lugar. Tanto é que eu brinquei com ele depois da nossa primeira conversa, fui lá na Inteligência Artificial, fiz a foto dele com uma camisa da seleção e enviei. Falei: 'Fica com essa imagem aí guardada na tua mente'. A partir disso a gente começou uma sequência de sessões e um trabalho semanal em vista de construir comportamentos alinhados com o sonho dele", completou.

O responsável por apresentar Léo Pereira a Carlos Bertoldi foi o empresário Ricardo Scheidt, que trabalha com o zagueiro. A ideia era aproximar o atleta do cuidado mental.

"Normalmente o atleta vai procurar a parte mental e se disponibiliza a esse processo de desenvolvimento de força mental quando está tudo dando errado, quando ele está vivendo um processo de perdas. O Léo começou um trabalho em um momento em que já era um destaque do Flamengo, já era uma realidade. A humildade do Léo me chama atenção porque, mesmo já sendo titular e importante em um clube grande, ele se disponibilizou a ter a humildade de dizer que precisa aprender, pode aprender e quer aprender", elogiou Bertoldi.

No período em que esteve ao lado do treinador mental, o defensor passou por altos e baixos. Foi campeão da CONMEBOL Libertadores, mas também teve derrotas doídas no Mundial de Clubes, Supercopa do Brasil e Recopa Sul-Americana.

"O que mais me chama atenção no Léo é a capacidade que ele tem de preservar a identidade. Tanto nas vitórias quanto nas derrotas, o Léo demonstra uma constância muito importante em relação a quem ele é. Mesmo nos momentos mais difíceis de derrotas, você encontra o Léo consciente de quem ele é e consciente do que ele precisa fazer e melhorar. E nos momentos mais legais que ele viveu no ano passado, de vitórias, de título de Libertadores, você vai encontrar ele consciente, você não vai encontrar ele totalmente empolgado, fora de si", disse.

O conselho

A primeira chance de Léo Pereira na seleção brasileira veio justamente há poucos meses da Copa do Mundo. O zagueiro, além de ter sido chamado por Carlo Ancelotti, vai ganhar a chance de ser titular no amistoso do Brasil contra a França, nesta quinta-feira (26), nos Estados Unidos.

"Claro que um jogo desse eleva o nível de ansiedade de qualquer atleta. E aí pode cair em um erro perigoso, que é de tentar fazer coisas além ou ir além de quem é. A maior pegadinha é quando ele começa a jogar para provar para alguém e esquece de quem ele é e do comportamento que sempre teve para chegar onde está. O que eu digo para o Léo é apenas: 'Seja quem você é. Você não precisa mais provar absolutamente nada para ninguém. Você precisa apenas manifestar a sua identidade e acreditar que as suas virtudes são suficientes para que você possa fazer um grande jogo'. Essa necessidade de 'eu vou provar que eu posso jogar na seleção' pode desconcentrar ele, pode colocar a atenção dele no treinador, a atenção dele em toda a mídia e todas as expectativas que estão fora. E isso tira ele 100% do estado de fluidez que precisa entrar em um jogo importante como esse", contou Carlos Bertoldi.

"A conversa com o Léo para um jogo desse, a mensagem que eu enviarei para ele, é de autossuficiência, no sentido de 'o que me trouxe até aqui é o que vai me fazer permanecer e vai fazer me destacar em jogo importante'. É estar focado nele, nas virtudes dele, confiando nas capacidades dele, que são suficientes para que possa fazer um grande jogo e carimbar essa passagem para a Copa do Mundo de 2026", acrescentou.

Depois de tanto trabalho, a oportunidade de defender a seleção brasileira, tão esperada, finalmente vai acontecer.

"O Léo se mostra alguém muito constante emocionalmente. Mesmo nos momentos difíceis ele é muito maduro em relação aos sentimentos e às sensações negativas que o futebol proporciona. Nesses seis meses de trabalho mental, as coisas mais importantes foram a constância, a maturidade, a consciência de poder lidar com as frustrações das não-convocações. Ele lidou, mas não baixou a sua energia, não perdeu a consciência e a realidade de que ele, mesmo sem ser convocado, é um atleta de seleção. Eu acredito que é aqui que esteve o grande ponto do Léo Pereira, que, mesmo não tendo aquela felicidade de ser convocado, ele preservou a felicidade de ser um atleta de alto nível e de se ver em condições de ser lembrado", finalizou.