Há cerca de um ano, o futebol brasileiro entrou em “pane” depois que o site "Footy Headlines", especializado no vazamento de uniformes, noticiou que a seleção brasileira usaria uma camisa 2 vermelha na Copa do Mundo 2026.
A informação gerou enorme controvérsia, já que a cor não faz parte da bandeira do Brasil, tampouco do escudo da CBF (Confederação Brasileira de Futebol).
Após milhares de manifestações pró e contra a peça, a Confederação se manifestou um dia depois da explosão da polêmica, assegurando que as imagens da suposta camisa vermelha que circulavam na web eram falsas e que a entidade ainda estava trabalhando com a Nike, sua fornecedora, no desenho dos uniformes da Copa.
Meses se passaram e, na última quinta-feira (12), a CBF apresentou o novo uniforme 2 da seleção, nas cores azul e preto. O design foi assinado pela Jordan Brand, uma das divisões da Nike que se inspira na cultura esportiva do astro do basquete Michael Jordan - não à toa, a logomarca que faz referência à lenda do Chicago Bulls também faz parte da camisa.
Mas será que o suposto uniforme vermelho de fato existiu? Ele chegou a ser fabricado e foi vetado posteriormente, deixando a Nike com várias peças “encalhadas” em seus depósitos?
Para ter essa resposta, a ESPN foi direto à fonte: a presidente da Jordan Brand, Sarah Mensah.
Em entrevista exclusiva à reportagem, ela confirmou que, no processo de criação do novo uniforme 2 da seleção brasileira, diversas cores e desenhos foram testados, gerando uma série de protótipos que foram analisados.
No fim das contas, chegou-se àquele que foi considerado o desenho ideal: o azul e preto, que faz referência a vários animais letais da fauna brasileira, segundo explicou à ESPN o designer americano Mackenzie Sam, um dos idealizadores da camisa.
"O processo criativo é muito fluido. Há sempre muitas ideias que passam por um processo criativo. Foram muitas as cores consideradas, muitas as aplicações analisadas, muitos os desenhos avaliados...", explicou Sarah, citando o processo de criação da camisa 2 do Brasil para a Copa do Mundo 2026.
"Uma coisa que sabíamos desde o início era que a gente tinha que fazer algo diferente, algo que mostrasse que estamos entrando em uma 'nova era' para a Jordan no futebol e para a seleção brasileira. Então, é por isso que estamos muito felizes de, no final desse processo, ter chegado a esse incrível uniforme azul", complementou.
Segundo apuração da ESPN, o vermelho foi, sim, uma das cores testadas durante o processo de desenho da peça. No entanto, o protótipo inicial era diferente do que foi vazado pelo "Footy Headlines".
De acordo com fontes, o uniforme avermelhado foi aprovado pela antiga gestão da CBF, comandada por Ednaldo Rodrigues. Após a troca de comando, porém, veio o veto por parte de Samir Xaud, novo presidente da Confederação.
A reportagem apurou que Xaud chegou a ver o modelho vermelho e, na sequência, se reuniu em caráter de urgência com a Nike, solicitando que o projeto fosse abandonado - mesmo com possíveis ônus à CBF.
A empresa norte-americana, por sua vez, concordou com o presidente da Confederação e passou a trabalhar em novos designs, chegando depois ao azul e preto que foi aprovado pela CBF, sendo fabricado e já estando agora à venda nas lojas.
Questionada também se a colaboração entre Jordan Brand e seleção brasileira será algo único ou se já há planos para novas camisas, Sarah Mensah fez mistério.
"Nós temos muitas intenções. Nós somos muito específicos. Somos muito autênticos. E somos muito firmes com nossos planos para a Jordan e para o futebol global", salientou.
