Fernando Diniz precisará conciliar o trabalho de treinador do Fluminense com o da seleção brasileira. Algo que não é inédito na história da CBF. Emerson Leão, em 2000, e Vanderlei Luxemburgo, em 1998, também viveram por alguns meses a mesma situação.
Para Candinho, que foi auxiliar-técnico de Luxemburgo no Brasil e viveu de perto as dificuldades da "jornada dupla", Diniz terá bastante problemas e poderá sofrer com um conflito de interesses, principalmente por conta das convocações.
"Naquela época o Vanderlei estava no Corinthians e não tinha tantos campeonatos, era mais o Brasileiro. Era mais fácil. Ele tocava o trabalho no Corinthians e eu ficava na CBF. Quando tinha informações, passava por mim", disse ao ESPN.com.br.
Luxa se dividiu nas funções por seis meses, mas a seleção brasileira fez apenas três amistosos no período: empate por 1 a 1 com a Iugoslávia, em São Luis, e depois vitórias por 5 a 1 sobre Equador, em Washington (Estados Unidos), e Rússia, em Fortaleza. Enquanto isso, conseguiu levar o Corinthians ao título do Brasileirão antes de sair do Parque São Jorge no final de 1998.
Já Fernando Diniz terá seis jogos - válidos pelas eliminatórias para a Copa do Mundo de 2026 - até dezembro deste ano, além de dois amistosos até o meio do ano que vem. No Fluminense, são pelo menos mais dois jogos de CONMEBOL Libertadores e outros 26 pelo Brasileiro.
"Hoje é complicado por que o Fluminense tem uns '500' jogos de todos os torneios, não sei como o Diniz vai conciliar. São muitas competições e a seleção com vários compromissos. É mais difícil. Tínhamos uma sintonia muito boa e tocamos o barco por pouco tempo. Logo, o Luxemburgo veio em definitivo", afirmou.
Algumas partidas do Nacional estão marcadas para datas muito próximas dos compromissos da seleção. Candinho acredita que a rotina dupla será o maior desafio do antigo pupilo.
"A seleção exige muito porque você fica uma semana fora com eliminatórias e viagens, além das convocações. O Fluminense ficará muito tempo sem ele, vai dar confusão. Além disso, os clubes que estão envolvidos nos campeonatos vão reclamar se chamar jogadores dos adversários do Fluminense", disse o ex-treinador.
Candinho comandou Diniz no Corinthians em 1997, quando ajudou o clube alvinegro a escapar do rebaixamento no Brasileirão.
"Ele estava no elenco, mas não era titular ainda porque era muito jovem. Era um menino bom. Eu gosto do Diniz, era muito habilidoso porque veio do futsal. Essa forma de encurtar os espaços ele trouxe de lá porque foi um bom jogador de salão. Ele tem ideias boas, mas não sei se conseguirá implementar na seleção, principalmente na saída de bola", opinou.
Candinho comandou de forma interina a seleção brasileira por duas vezes. Em um amistoso contra a Espanha em 1999 (0 a 0), e depois na goleada por 6 a 0 sobre a Venezuela fora de casa - com quatro gols de Romário - pelas eliminatórias da Copa do Mundo de 2002, após a demissão de Vanderlei Luxemburgo, em 2000.
