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Do pênalti que Neymar não bateu a Tite: cinco motivos por trás da eliminação do Brasil na Copa do Mundo

Brasil se despediu da Copa do Mundo nas quartas de final pela segunda vez consecutiva


A seleção brasileira esteve muito próxima da classificação na Copa do Mundo, mas permitiu o empate da Croácia no final da prorrogação e viu o fim do sonho do hexacampeonato nos pênaltis no Qatar. Uma eliminação que passa por diferentes pontos, do goleiro rival e erros do time de Tite.

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Livakovic

É preciso reconhecer que há méritos do adversário, e uma das explicações para a classificação croata foi o goleiro Dominik Livakovic. Não por acaso, foi ele o eleito melhor em campo, depois de 11 defesas na partida, algumas delas em chances claras de Neymar e Casemiro, por exemplo. Nos pênaltis, ele ainda começou a disputa defendendo a cobrança de Rodrygo.

Finalizações

Se Livakovic tem mérito, chama a atenção, do lado do Brasil, o número de chances criadas para tão poucos gols. Foram um total de 21 finalizações, sendo 11 no alvo, para marcar apenas uma vez, com Neymar. Foi um problema nas quartas de final, mas em toda Copa do Mundo, competição que a seleção deixa como líder de chutes, com 96 (a Argentina é a segunda com 71), e só o sétimo melhor ataque, com oito (abaixo de Inglaterra, Portugal, Holanda, Espanha, França e Argentina).

Falta de concentração

Como diz o ditado: quem não faz, toma. E o Brasil sofreu um gol que é difícil de ser justificado, quando vencia a partida por 1 a 0 e restavam poucos minutos para o fim da prorrogação. A impressão é que a seleção deixou baixar o nível de concentração e permitiu uma série de erros que não são comuns da equipe.

Primeiro, de não se atentar ao momento da partida e tentar pressionar a Croácia próximo à linha do escanteio com Fred, justamente um dos que entrou para reforçar o poder de marcação do Brasil. A seleção acabou surpreendida em um contra-ataque que pegou sua defesa no mano a mano contra quatro croatas. Correndo para trás, o time não conseguiu se reorganizar a tempo para evitar o gol de Petkovic.

Neymar e os batedores de pênalti

Nos pênaltis, não há qualquer garantia que uma ordem diferente dos batedores do Brasil traria outro resultado, mas é fato que o melhor cobrador do time sequer foi utilizado. Neymar faria apenas o quinto tiro, mas a disputa acabou antes, após erros de Rodrygo e Marquinhos.

Neymar e Tite defenderam a decisão, dizendo que é algo comum na carreira do camisa 10. De fato. Mas coube a Rodrygo, um dos mais jovens da seleção, a responsabilidade de abrir a disputa, em um pênalti de muita pressão, principalmente depois de a Croácia chegar com o moral elevado depois de conseguir buscar o empate já nos minutos finais da prorrogação.

Na disputa de pênaltis entre Argentina e Holanda, por exemplo, foi Lionel Messi quem abriu a série e colocou sua seleção em vantagem, depois de Van Dijk, também o mais renomado de seu time, perder. Ainda que não fosse Neymar o primeiro, por que não Casemiro, com 30 anos e experiência de sobra, já que ele foi para a bola logo depois de Rodrygo?

Tite

Tite se despede da seleção brasileira com um grande trabalho, ainda que tenha falhado em duas Copas do Mundo. Seus claros méritos, porém, não o isentam de críticas após decisões questionáveis.

Para o Qatar, o técnico apostou fortemente nos atacantes de lado de campo, acreditando que eles poderiam fazer a diferença. Não foi o que aconteceu contra a Croácia. E justamente o que estava melhor em campo, Vinicius Jr., foi substituído por Tite, para a entrada de Rodrygo.

O técnico também permitiu que a Croácia dominasse o meio-campo desde o início da partida. Paquetá foi um híbrido entre segundo volante e meia, mas não foi bem em nenhuma das duas funções. Sobrou liberdade para o adversário, e Fred só entrou no fim para segurar o resultado.

A seleção acreditava ter como trunfo justamente suas opções no banco de reservas, mas, contra a Croácia, pareceu faltarem opções que pudessem mudar a cara do jogo. Todas as trocas de Tite para buscar o resultado foram de jogadores de características ou funções similares. Renovou-se o fôlego com Rodrygo e Antony nas pontas, mas o Brasil seguiu tendo as mesmas dificuldades.

Com Paquetá mal, Everton Ribeiro e Bruno Guimarães poderiam dar dinâmicas diferentes à equipe, por exemplo, mas não tiveram a confiança do treinador para entrar.