Seleção brasileira de 2022 bate um recorde na Copa do Mundo do Qatar ao escalar todos os 26 convocados para jogar
A entrada de Weverton, goleiro do Palmeiras, na vitória sobre a Coreia do Sul garantiu à seleção brasileira uma marca que o país jamais alcançou na história da Copa do Mundo: escalar todos os jogadores convocados durante as partidas.
Nunca nas 21 edições anteriores da Copa do Mundo tantos jogadores da seleção entraram em campo como em 2022. Não apenas no número absoluto, já que só no Qatar foi possível levar 26 convocados, mas mesmo em termos percentuais. Em três jogos, Tite utilizou 100% do elenco.
Weverton foi o último a entrar em campo, depois que o treinador poupou a maioria dos titulares na derrota para Camarões e deu oportunidade para seis novos estreantes – Ederson, Daniel Alves, Bremer, Fabinho, Everton Ribeiro e Pedro.
Essa, aliás, é a quarta vez que uma seleção usa 100% de seu elenco em jogos de Copas. Os outros foram a França em 1978 (22 nomes atuaram em três rodadas), Grécia em 1994 (22 atletas usados em três jogos) e Holanda em 2014 (23 jogadores em sete partidas).
Tamanha rodagem, claro, teve como objetivo principal dar um descanso maior para quem provavelmente iniciará as oitavas de final, mas também "oportunizar", verbo que Tite gosta de empregar, todos os atletas que foram à Copa.
Não importa para qual jogador você pergunte sobre o clima entre o elenco e também com a comissão técnica, e a resposta provavelmente será exaltando a cumplicidade e amizade que há entre todos. Na memória, logo vem a referência à "Família Scolari", quando Felipão também construiu um time famoso pelo bom ambiente, que acabou conquistando o pentacampeonato em 2002.
Pois adivinhe quem detinha o recorde anterior em utilização de elenco? Felipão e sua família... Que, tanto em 2002, com o penta, quanto em 2014, no ano do fracasso dos 7 a 1, conseguiu por 21 dos 23 convocados para jogar, 91% do elenco. Nas duas ocasiões, só os goleiros reservas não entraram – Jefferson e Victor na Copa no Brasil, e Dida e Rogério Ceni na Coreia do Sul e no Japão.
Em outros dois Mundiais, o Brasil também teve 91% de seu grupo jogando, mas nos dois era 22 o número máximo de convocados. Em 1938, com Adhemar Pimenta como técnico, Nariz e Niginho foram os únicos sem minutos na França; e, em 66, na Inglaterra, só Edu e Zito ficaram sem atuar com Vicente Feola.
Se Tite quis dar chance para todos jogar, algo que ele definitivamente não deseja é que chamem seu grupo de "família". Ao ser questionado sobre isso ainda antes da Copa, ele foi categórico contra o que definiu como "demagogia".
"Não. Nada iguala o meu filho, a minha filha e a minha esposa. É demagogia eu falar. Entenda, eu tenho um prazer espetacular de estar com eles (jogadores), mas a minha esposa é a minha esposa. O que a gente tem é uma relação muito harmoniosa e natural, é uma alegria com responsabilidade. Temos que levar também com a alegria, se não a coisa se perde um pouquinho, né?", disse.
Veja abaixo, ano a ano, a utilização dos elencos do Brasil em Copas:
2022 - 26 dos 26 utilizados (100%)
2018 - 18 dos 23 utilizados (78%)
- Não jogaram: Ederson, Cássio, Pedro Geromel, Fred e Taison
2014 - 21 dos 23 utilizados (91%)
- Não jogaram: Jefferson e Victor
2010 - 19 dos 23 utilizados (83%)
- Não jogaram: Gomes, Doni, Luisão e Thiago Silva
2006 - 19 dos 23 utilizados (83%)
- Não jogaram: Júlio César, Luisão, Cris e Mineiro
2002 - 21 dos 23 utilizados (91%)
- Não jogaram: Dida e Rogério Ceni
1998 - 19 dos 22 utilizados (86%)
- Não jogaram: Carlos Germano, Dida e André Cruz
1994 - 18 dos 22 utilizados (82%)
- Não jogaram: Zetti, Gilmar, Ronaldão e Ronaldo
1990 - 16 dos 22 utilizados (73%)
- Não jogaram: Acácio, Aldair, Bismarck, Mazinho, Tita e Zé Carlos
1986 - 16 dos 22 utilizados (73%)
- Não jogaram: Edivaldo, Leão, Mauro Galvão, Oscar, Paulo Victor e Valdo
1982 - 16 dos 22 utilizados (73%)
- Não jogaram: Carlos, Juninho, Paulo Sérgio, Pedrinho, Renato e Roberto Dinamite
1978 - 17 dos 22 utilizados (77%)
- Não jogaram: Abel, Carlos, Polozi, Waldir Peres e Zé Sérgio
1974 - 18 dos 22 utilizados (82%)
- Não jogaram: César 'Maluco', Marco Antônio, Renato e Waldir Peres
1970 - 16 dos 22 utilizados (73%)
- Não jogaram: Ado, Baldochi, Dario, Joel, Leão e Zé Maria
1966 - 20 dos 22 utilizados (91%)
- Não jogaram: Edu e Zito
1962 - 12 dos 22 utilizados (54,5%)
- Não jogaram: Altair, Bellini, Castilho, Coutinho, Jair da Costa, Jair Marinho, Jurandir, Mengálvio, Pepe e Zequinha
1958 - 16 dos 22 utilizados (73%)
- Não jogaram: Castilho, Mauro, Moacir, Oreco, Pepe e Zózimo
1954 - 13 dos 22 utilizados (59%)
- Não jogaram: Alfredo Ramos, Cabeção, Dequinha, Ely, Índio, Mauro, Paulinho, Rubens e Veludo
1950 - 17 dos 22 utilizados (77%)
- Não jogaram: Adãozinho, Castilho, Francisco Rodrigues, Nena e Nilton Santos
1938 - 20 dos 22 utilizados (91%)
- Não jogaram: Nariz e Niginho
1934 - 11 dos 17 utilizados (65%)
- Não jogaram: Ariel, Átila, Carvalho Leite, Germano, Octacílio e Waldir
1930 - 15 dos 22 utilizados (68%)
- Não jogaram: Araken, Benvenuto, Brilhante, Doca, Fortes, Manoelzinho e Pamplona
