Esperança de gols do Brasil contra a Coreia do Sul na Copa do Mundo, Richarlison demorou, mas se 'viciou' em tatuagens
O estereótipo de que todo boleiro é tatuado não se aplicava a Richarlison até o final de 2021. O atacante que é esperança de gols do Brasil nesta segunda-feira (5) contra a Coreia do Sul, às 16h (de Brasília), nas oitavas de final da Copa do Mundo resistiu aos desenhos no corpo por um motivo nobre: não queria parar de doar sangue.
Quem conta a história é Dom, o responsável por todas as tatuagens que hoje Richarlison tem pelo corpo. Marcas no pescoço, peito, coxa e braço que ajudam a contar a vida do jogador.
A primeira tatuagem foi feita há pouco menos de um ano, perto do Natal. Richarlison escreveu "He's brazilian" no pescoço, em referência à música que a torcida do Everton se acostumou a cantar para ele ("He’s brazilian, he only cost 50 million..." ou "ele é brasileiro, só custou 50 milhões" na tradução do início da canção).
Só que muito antes disso, quando ele chegou à Inglaterra, um amigo em comum de Richarlison e Dom sugeriu que o atacante começasse a se tatuar. "Ele tinha receio. Ele tinha uma questão de doar sangue, doava sempre sangue. Ele até mandou mensagem no meu Instagram: gostei e tal, mas não vou fazer agora, não", contou Dom, que tem um estúdio em Londres, ao ESPN.com.br.
Richarlison mudou de opinião durante as Olimpíadas de Tóquio, em 2021, quando, ainda durante os Jogos, prometeu que tatuaria a medalha de ouro caso o Brasil conquistasse o título. Dito e feito. Assim que voltou para a Inglaterra, procurou Dom. Fez primeiro a inscrição no pescoço e depois o desenho da medalha, com seu nome e o número 10 ao fundo, na coxa esquerda.
Foi aí que, nas palavras de Dom, Richarlison "deu uma viciada" nas tatuagens. Em maio, fez no peito uma das que mais gosta: um coração com a bandeira do Brasil.
"Falo para todo mundo que ele é muito viciado na seleção brasileira, muito viciado mesmo. Se ele não fosse convocado, nem sei o que faria. Eu achava que os jogadores da seleção, pelo que a mídia fala, as pessoas falam, não ligavam para estar na seleção. Mas quando tive contato, eles são muito viciados. O Richarlison é louco pela seleção. Ele não faz nada, só treina e vai jogar videogame. Mas nesse ano da Copa...”, contou Dom. "Ele é engraçadão, mas é bem focado."
"Quando conheci ele, no ano passado, ele já tinha a foto da taça da Copa do Mundo no celular. É foco. É difícil. Há um ano, o cara está pensando em clube. Ele foi para o Tottenham, bom em todos os aspectos para ele. Mas a seleção para ele... Falam que os caras pensam em dinheiro e tal, não querem saber de seleção, mas eles são viciados", segue o tatuador, responsável por tatuar outros nomes que também estão no Qatar, como Antony e Bruno Guimarães.
A tatuagem para retratar o amor pelo Brasil não foi planejada. Dom estava na casa de Richarlison, que pediu o desenho ali mesmo. "Quero fazer o coração, pelo meu amor, e a bandeira do Brasil dentro", disse. O tatuador fez o rascunho em papel, o atacante aprovou e marcou na pele.
Por fim, veio a tatuagem – ou "as", melhor dizendo – mais chamativa. Richarlison decidiu "fechar" o braço esquerdo com diferentes personagens de desenhos animados. Começou no antebraço, com Pato Donald, Coyote, Goku (Dragon Ball Z) e Taz e foi subindo com Papaléguas, Chaves, Pernalonga, Patolino, Pepe Legal, Popeye e Tom e Jerry. Por pouco, ele não esquece do Pombo.
"Ele me mandou algumas fotos e avisou: 'Prepara a tatuagem aí. Quero fazer desenhos animados no meu braço. Já estou preparando'. Aí mandei algumas fotos, e ele mandou algumas. Tinha Pernalonga, Taz, alguns outros. Aí juntei, levei para ele, e ele foi escolhendo. A gente discutiu sobre cada um. 'Esse é legal, o Coyote é maneiro'. E eu fui falando de tamanho, encaixe, coisa do tatuador. E ele não tinha lembrado de fazer o Pombo, falei para ele fazer. É a marca registrada, né? Ele é muito molecão, lembra muito da infância", contou Dom.
Copa do Mundo = mais tatuagens?
Richarlison estreou na Copa do Mundo com tudo, marcando os dois gols da vitória sobre a Sérvia. Um deles, uma pintura, de voleio. Da Inglaterra, Dom, que é fã de futebol e torcedor fanático do Flamengo, acompanhou a tudo e já fez até um rascunho do movimento do atacante para tentar transformá-lo em tatuagem (veja acima). O camisa 9 tem o desenho em mãos, mas contou ao ESPN.com.br que ainda não decidiu se colocará na pele ou não.
"Acho que ele vai (fazer), mandei para ele já. Fiz o desenho. Temos que conversar. Se fizer uma junção boa, ele faz. Espero que a gente ganhe (o título da Copa do Mundo) e esse seja o gol mais bonito. Se for, ele vai tatuar. É um rascunho, mas já mandei para ele", contou Dom.
Se está indeciso sobre o voleio, em caso de título do Mundial no Qatar, Richarlison já compartilhou o desejo de eternizar o troféu, assim como já fez com a medalha olímpica. Até o lugar está reservado.
"Acho que é coxa. Uma coxa já é a Olimpíada, tatuagem grande. A outra, da Copa, com certeza, ele vai querer gigantesca. Se esse moleque ganhar a Copa, ferrou. Você não tem noção. Falo como torcedor, mas como parceiro também, vi de perto. Quando ele machucou (no Tottenham, antes da Copa), depois do exame, que deu duas semanas (de recuperação), você tem que ver ele tratando. Não era nem dois períodos, era um período só, o dia todo. Estar na Copa, para ele, era tudo. Não tinha outra opção."
Dom, que tem como nome de batismo Dioney (embora, segundo ele, pouca gente saiba), costuma brincar com os jogadores que tatua que "quem faz tatuagem, faz gol". Richarlison já gastou dois "créditos" na Copa, mas, agora que "viciou", vai ter bem mais redes para balançar no Qatar para honrar a frase do amigo.
Ao menos é essa a torcida do tatuador e de todos os brasileiros...
