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Como é reunião diária da seleção brasileira que discute de Neymar a desempenho dos jogadores na Copa

Liderada por Tite, comissão técnica do Brasil tem reunião todos os dias pela manhã na Copa do Mundo do Qatar


Todos os dias na Copa do Mundo começam da mesma forma para a comissão técnica da seleção brasileira. Entre 9h e 11h da manhã, dependendo da data, um grupo liderado por Tite e acompanhado pelo gerente Juninho Paulista esmiúçam questões relacionadas a cada partida, indo das situações de lesionados como Neymar até o desempenho observado em campo dos atletas.

É a partir dessas conversas que Tite, sempre o dono da palavra final, define o planejamento para cada treinamento - as atividades acontecem sempre à tarde - e questões como a escalação. Para enfrentar Camarões, sexta-feira (2), por exemplo, a tendência é que os titulares sejam todos poupados.

Em entrevista coletiva na terça-feira, Juninho deu alguns detalhes de como é o encontro. No Qatar, especificamente, ele tem sempre sido iniciado pela equipe médica, chefiada por Rodrigo Lasmar, que atualiza a comissão, principalmente, da recuperação do principal astro do time.

Neymar, contudo, não é o único jogador entregue à fisioterapia, na recuperação da lesão ligamentar sofrida no tornozelo direito. Danilo tem problema também no tornozelo, mas no esquerdo, e agora Alex Sandro teve constatada uma contusão muscular na região do quadril e é mais um desfalque.

Foi nessa reunião, na terça, que Lasmar confirmou oficialmente uma informação com a qual a comissão até já trabalhava: Neymar e Danilo não têm condições de voltar na fase de grupos. A percepção geral das recuperações, com base nas atualizações, é otimista, mas ainda não há qualquer prazo oficial para que o camisa 10 ou lateral retornem no mata-mata da Copa do Mundo.

Após as atualizações médicas, entra a parte física, cuidada na seleção principalmente pelos preparadores Fábio Mahseredjian e Ricardo Rosa e o fisiologista Guilherme Passos. São eles que informam se há algum atleta sentindo desgaste maior do que outro em determinado momento.

Nenhum deles têm "poder" para vetar um atleta de um treino ou muito menos jogo, mas as informações são sempre levadas em conta para identificar quando um jogador faz um trabalho específico à parte no treinamento ou se deve ser preservado como deve ocorrer contra Camarões – jogo que acontece só dois dias antes do provável duelo das oitavas caso o Brasil avance em primeiro.

"A gestão do elenco o Tite faz como ninguém. Ele vai buscar os melhores, levando em consideração a distância para os dois jogos (sexta e segunda provavelmente). Ele não erra nesse caso", contou Ricardo Gomes, um dos observadores da comissão e também participante do encontro.

Ex-seleção brasileira e também com experiência como treinador, Gomes entra na "parte técnica" da conversa. Seu papel principal é observar adversários e repassar informações para a comissão, trabalho dividido com Lucas Oliveira e Gabriel de Oliveira. Nos dois primeiros jogos, por exemplo, ele alertou na reunião que o Brasil encontraria dificuldades diferentes contra Sérvia e Suíça.

É verdade que nem sempre todas as informações observadas de rivais se confirmam nos jogos. Contra a Sérvia, por exemplo, o Brasil esperava os rivais com dois atacantes, Mitrovic e Vlahovic, mas o segundo não teve condições físicas de atuar; diante da Suíça, houve preocupação com "meias cerebrais" por dentro, mas Shaqiri, que era um deles, iniciou no banco de reservas.

Olhando para as duas vitórias iniciais na Copa, Juninho compartilhou sua avaliação da seleção, algo que também é feito na reunião. "No primeiro jogo, teve ansiedade da estreia, depois no segundo tempo, conseguimos encontrar espaço. Com espaço, o Brasil desenvolve bem. No segundo jogo, seleção muito bem organizada. Com mais organização defensiva, números não mentem, defesa menos vazada na Europa. Sabíamos da dificuldade. Vimos no jogo. A gente se desgastou muito pela pressão alta. Nem sempre neutralizamos, no segundo tempo, acertou. Acertando, começa a sobrar perna para atacar."

Segundo Juninho, há um mecanismo na reunião no qual primeiro se encerra o ciclo de um jogo, para depois se trabalhar no seguinte. Isso quer dizer que, enquanto não é feita a avaliação do que funcionou ou não contra a Suíça, não se falou sobre Camarões – algo que já passa ser feito agora.

Na avaliação de rivais, a comissão de Tite mapeia os pontos fortes a serem neutralizados e as fraquezas que podem ser exploradas. Nos treinos, as primeiras orientações têm sempre foco no setor defensivo; depois, os trabalhos priorizam a criação para os atacantes.

Também há um pedido que Tite faz para todos nessa reunião: toda e qualquer observação precisa ser colocada sobre a mesa. "Tite dá essa liberdade. Cada um faz sua colocação. E qualquer detalhe é aberto, tem que ser colocado", explicou Ricardo Gomes.