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OPINIÃO: Escândalos, vexames e bagunça... São Paulo não é mais o 'Soberano' e se apequena

É surreal a demissão repentina de Hernán Crespo no São Paulo. Pegou muita gente de surpresa. Mas quem acompanha os últimos meses do clube sabe que foi apenas mais um episódio da grande bagunça que o clube virou.

O argentino acabou de ser eliminado pelo Palmeiras no Campeonato Paulista, é verdade. Mas foi só na semifinal, em jogo único e com torcida apenas do adversário, um rival que hoje está muito à frente do time tricolor em termos esportivos, administrativos e econômicos.

As justificativas são balelas: escalação equivocada contra o Palmeiras, folgas após a eliminação, divergências com a diretoria, falta de sinergia, incômodo por uma entrevista em que Crespo apenas constatou o óbvio.

Qual o problema de falar verdades? Que o São Paulo hoje não tem condições de disputar grandes títulos?

Aliás, nenhum clube no Brasil compete, hoje, com Palmeiras e Flamengo. O São Paulo não está sozinho nisso. A diferença é que o Tricolor vem acumulando vexames.

Escândalos de venda de ingressos e dirigentes sacando milhões na boca do caixa enquanto o elenco tinha salários atrasados; jogadores no departamento médico usando caneta emagrecedora enquanto a equipe sofria a cada jogo; Morumbis alugado para shows a preço de banana enquanto o time definhava na Vila Belmiro; dentro de campo, humilhações, atropelado pelo Mirassol, massacrado pelo Fluminense, seis meses sem vencer clássicos ou rivais paulistas da Série A, 11 jogos de freguesia pro Palmeiras; entre outros...

O São Paulo virou motivo de piada e começou a temporada como sério candidato ao rebaixamento, algo que o próprio Crespo chegou a admitir. A briga parecia ser apenas pelos 45 pontos.

Depois do impeachment do antigo presidente Julio Casares, que parecia mais preocupado em postar no Instagram do que em dirigir o clube, algo mudou. O ambiente ficou mais leve. Aquele caminhão tóxico que dominava as vielas do Morumbi começou a se dissipar.

O São Paulo parecia ter encontrado um caminho um pouco menos assustador. E talvez parte disso se devesse justamente a Crespo. O elenco voltou a jogar, jogadores começaram a sair do departamento médico, nomes importantes reapareceram. O time chegou, de forma até inesperada, à semifinal do Paulista.

Por tudo isso, a demissão neste momento simplesmente não se sustenta. Se tivesse acontecido depois das humilhações em campo, ainda que ele não fosse o principal culpado, talvez fosse mais compreensível.

Mas agora? Por quê? Por que falou verdades?

Há tempos o Tricolor segue à risca a cartilha do rebaixamento: escândalos de corrupção, atrasos salariais, erros administrativos bizarros, vexames dentro e fora de campo. Mesmo assim, em 2025, Crespo conseguiu levar um time fadado à Série B ao oitavo lugar.

E agora foi demitido justamente quando o São Paulo estava entre os melhores do Brasileirão e vinha crescendo. Para dar lugar a Roger Machado, que, com todo o respeito, ainda não tem cacife pro tamanho do Tricolor. Que no ano passado deixou o Internacional no caminho para a Série B e só ganhou, como treinador, dois Gaúchos, um Mineiro e um Baiano. Muito pouco.

O que exatamente quer a diretoria do São Paulo, agora com Harry Massis, que claramente não é do ramo, na presidência? Quer um fantoche? Alguém que diga ao torcedor exatamente o que ela, a diretoria, quer ouvir? Que o clube vai brigar por todos os títulos e que está tudo sob controle?

Isto é mentira! Não vai acontecer.

O São Paulo não tem time para isto. Não tem estrutura. Não tem dinheiro. Hoje, está simplesmente atrás dos outros. Mesmo assim, o time tentava se reerguer e parecia reencontrar algum rumo. Mas a diretoria parece preferir outra coisa, alguém que controle o ambiente e mantenha a ilusão acesa.

Está na hora de cair na real. O São Paulo não é mais o "Soberano" de 20 anos atrás.

E que fique claro, como instituição, história e tamanho, o São Paulo sempre será um dos grandes clubes do mundo, top-10 do planeta. Está no topo da história do futebol brasileiro e sempre estará entre os gigantes.

Mas vive de passado há quase duas décadas. A soberba e a arrogância de outros tempos não deixam seus dirigentes - e alguns torcedores - enxergarem essa realidade.

E, assim, hoje, na prática, o Tricolor se apequena cada vez mais e vai virando mais um time médio do Brasil. Um clube no qual disputar grandes títulos é exceção, não regra.

Atualmente, as grandes forças são claras: Palmeiras e Flamengo. De vez em quando, um ou outro clube belisca alguma coisa. O São Paulo, neste momento, não está nesse grupo.

O mais triste é que nada indica que isso vá mudar tão cedo. Aceitar essa realidade talvez possa ser o primeiro passo para se reencontrar e virar o "gigante Soberano" de outros tempos.

Próximos jogos do São Paulo: