Novo atacante do Manchester United foi revelado em Cotia e se tornou o principal ativo do Tricolor no mercado de transferências dos últimos anos
Antony não veste a camisa do São Paulo desde antes da pandemia, mas é disparado o grande ativo tricolor nas últimas janelas de transferências na Europa. E rendeu muito mais dinheiro ao clube do Morumbi do que parece.
Somando as vendas diretas ao Ajax, em 2020, e agora do time holandês para o Manchester United, há poucos dias, Antony garantiu ao São Paulo 34,9 milhões de euros, o equivalente a R$ 191,6 milhões. O valor em real é referente ao que o clube declarou em seu balanço financeiro há dois anos e o que está prestes a receber, com a cotação monetária atualizada.
Tanto dinheiro faz de Antony, proporcionalmente, a segunda maior venda da história são-paulina, acima, por exemplo, de uma das grandes negociações da história tricolor: Denilson. O ponta campeão do mundo com a seleção brasileira em 2002 saiu do Morumbi para o Betis, em 1998, por 31,5 milhões de euros. Assim, só Lucas Moura e os 40 milhões de euros fixos pagos pelo PSG há dez anos deram mais dinheiro ao São Paulo que o camisa 11.
Das transações com Antony, R$ 95,3 milhões são referentes à primeira negociação, de acordo com valores confirmados pelo clube em seu balanço financeiro, e R$ 96,3 milhões serão pagos pelos holandeses, que convenceram o Manchester United a abrir os cofres para levá-lo a Old Trafford com status de grande contratação da janela.
Mas nem toda essa soma chegou diretamente ao São Paulo. Dos R$ 191,6 milhões, o clube teve direito a "apenas" R$ 171,2 milhões. E por que isso acontece?
Segundo os balanços aprovados pelo Conselho Deliberativo em 2020 e 2021, R$ 20,4 milhões referentes à venda ao Ajax sequer passaram pelo clube. Isso significa que R$ 8,6 milhões acabaram repassados a terceiros, enquanto R$ 11,8 milhões foram pagos a intermediários.
Assim, novamente de acordo com os balancetes, o São Paulo só embolsou efetivamente R$ 74,87 milhões da venda de Antony, depois de pagar tudo que devia a outras partes envolvidas no negócio (e também uma parte em juros, por ter antecipado a segunda parcela).
Dessa soma, R$ 4,95 milhões foram repassados ao próprio Antony, enquanto R$ 7,92 milhões ficaram com a empresa 4COMM Marketing & C Management. Essas somas todas já foram quitadas, diferentemente do valor a ser pago a Giuliano Bertolucci, um dos intermediários.
A dívida atualizada com Bertolucci e sua empresa é de R$ 5,11 milhões, já com juros e correção. O valor é referente ao balanço, fechado em 31 de dezembro de 2021, e pode ter sofrido alguma alteração para mais ou menos. O São Paulo não confirma se amortizou parte da dívida, o que será descoberto na divulgação do próximo documento, a ser fechado daqui quatro meses.
Sobre a atual negociação de Antony, que trocou o Ajax pelo Manchester United por 95 milhões de euros (R$ 478 milhões) fixos e mais 5 milhões de euros (R$ 25 milhões) em bônus, o São Paulo deve receber R$ 96,3 milhões, dos quais R$ 79,7 milhões representam a mais-valia (20% do lucro de uma transferência para a outra) e R$ 16,6 milhões são do mecanismo de solidariedade.
Tais valores serão majoritariamente usados, de acordo com o presidente Julio Casares, para quitar dívidas de curto prazo. O São Paulo tem valores em aberto com o elenco, referentes à pandemia entre 2020 e 2021, e também de direitos de imagem.
